Alderico Sena

Só poderemos formar cidadão, ensinando a criança desde as primeiras letras a ser cidadão. A formação de um cidadão começa em casa e na escola.  

Precisamos melhorar a educação pela base, subindo o nível do precário ensino elementar e com a melhoria da qualidade do nível do ensino superior. Com este modelo, nosso ensino superior, já tão carente e ruim, com algumas gloriosas exceções, piora ainda mais. É só observar os dados assustadores de reprovação, no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, imaginem na área de medicina e outros cursos, onde à facilidade de abertura de unidade de ensino, está igual à criação de Igreja, Sindicato e Partido Político. Na cultura atual estudantes frequentemente nem sabem ortografia, e mais: não conseguem se expressar por escrito, não têm pensamento claro e seguro, não foram habituados, desde cedo, a argumentar, a pensar, a analisar, a discernir, a ler e a escrever. A ambição e o ter levaram a educação e os valores morais de uma sociedade falida e cruel com ela mesma a degradação.

As escolas fingem que estão ensinando, preparando os estudantes para a vida e a profissão e os pais que não se interessam o que podem esperar de tal ensino? Aos 8 (oito) anos, alunos já deveriam estar escrevendo direito e lendo bastante claro que em escolas públicas de qualquer ponto do país onde os governos tivessem colocado professores bem pagos, seguros e com boa autoestima; em escolas nas quais cada sala de aula tenha uma prateleira com livros doados pelos respectivos governos, municipal, estadual ou federal, interessados na formação do seu povo. Qualquer política pública diferente disso é ilusão pura. Cadê a instalação de Biblioteca em cada Bairro para criar o hábito da criança pela leitura. Grandes e pequenas empresas e indústrias carecem de mão de obra especializada e boa, milhares de vagas oferecidas não são preenchidas porque não há mão de obra qualificada: imaginem se a alfabetização for concluída no fim do 3º ano elementar, quando os alunos tiverem já 8 (oito) anos, talvez mais, quando e como serão preparados? Com que idade estará pronta para um mercado de trabalho globalizado cada vez mais exigente? Ou a exigência também vai cair e teremos mais edifícios e outras obras mal construídos, serviços deixando a desejar, nossa excelência cada vez mais reduzida?

A sociedade precisa exercer a sua cidadania para defender a qualidade do serviço público, escola em tempo integral e a valorização do professor. É impressionante como sabemos pouco sobre os principais atores do nosso sistema educacional, os professores. A classe de professores esta desmotivada e desvalorizada, considerando os aspectos da falta de investimento em capacitação e promoção social, salário digno com a riqueza da profissão, muitos necessitam trabalhar 3 (três) turnos para conseguir pagar contas e manter filhos. A pessoa se torna professor, no Brasil, por falta de opção e pela oportunidade de assegurar um emprego e a sua estabilidade no setor público que difere do ingresso na escola pela vocação, talento e a paixão do ensinar. Portanto, muitos já chegam à carreira desmotivada, e, ao deparar com o desprezo da sociedade e do governo, desiste da profissão e só permanece nela por não ter alternativa.

Os dados que vêm a seguir são extraídos de questionários respondidos por professores da rede publica brasileira, em um caso para compor um “Perfil do Professor Brasileiro” da UNESCO, em outro em pesquisa Ibope. A integra desses dados podem ser encontradas em twitter.com/gioschpe.

Perguntados sobre a motivação para exercerem a carreira, 53% dizem que é por “amor à profissão” e outros 14% apontam ser para “contribuir para uma sociedade melhor”. Só 15% citam motivos que podem ser interpretados como oportunistas ou indiferentes à função social da profissão (9% mencionam “realização profissional” e 6%, “salário/benefícios oferecidos”. O professor não tem uma má percepção dá sua profissão: 81% concordam que são “muito importantes para a sociedade” e 78% dizem ter orgulho de ser professor (a).

As pessoas que optam pela carreira não são derrotadas. Pelo contrário, são profundamente idealistas. Querem mudar o mundo, mudando a vida de seus alunos. Quase três quartos dos professores (72%) acham que uma das finalidades mais importantes da educação é “formar cidadãos conscientes”. Nove entre dez professores concordam que “o professor deve desenvolver a consciência social e política das novas gerações”. Apenas 45% acreditam que “o professor deve evitar toda forma de militância e compromisso ideológico em sala de aula”.

Neste epilogo, transcrevemos trechos da entrevista no Jornal A ATARDE, edição de 20 de Janeiro de 2014 da Professora emérita da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Iracy Silva Picanço, “Aluno deve ser ator da própria formação. Sejam atores de suas vidas de forma a conquistar o que vocês merecem e têm direito”. O inesquecível Paulo Freire escreveu: “Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

 

  Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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