Através de uma ideia bastante criativa e, o melhor, prezando pelo ecologicamente correto, empresas de publicidade de todo o país estão investindo numa forma inovadora de mídia, a ‘Pãopraganda’, que utiliza a embalagem do pão como uma mídia alternativa. Para os publicitários é alternativa porque diferente de outras, a propaganda por meio de embalagem de pão entra nas residências através das mãos do dono e no momento ideal, ou seja, na hora do café.

A novidade Já chegou a muitas cidades do interior baiano. Algumas panificadoras já oferecem o ‘Pãopraganda’ para os clientes. Infelizmente, a prática ecologicamente correta do saco de papel só é utilizada quando solicitada. Nos estabelecimentos comerciais o papel ainda perde para o plástico.

As empresas que estão apostando nesta nova forma de mídia garantem que os sacos de papel, mesmo com todo o colorido utilizado nas publicidades, são inofensivos à saúde humana, pois as tintas são atóxicas, a base de água, enquanto que as sacolas plásticas, por ser fabricada a partir de resina derivada do petróleo, causam vários danos a saúde e ao meio ambiente, como a contaminação do lençol freático, em virtude dos metais pesados que possuem. Existem estudos que atestam que a durabilidade do plástico na natureza chega a cem anos.

Diversas medidas já foram adotadas no Brasil e em outros países, para coibir a oferta e o uso do produto. Segundo estudiosos, as sacolas plásticas facilmente encontradas em estabelecimento comerciais diversos são muito finas e inadequadas para reciclagem, e o seu descarte tem sido apontado como responsável por inundações nas cidades, por entupir sistemas de drenagem e de escoamento de águas.

Dados dão conta que o Brasil produz cerca de 3 milhões de toneladas de plástico por ano. Atualmente, 10% do lixo brasileiro é composto por sacolas plásticas e cada brasileiro utiliza 19 quilos de sacolas por ano. Somente o Estado do Rio de Janeiro consome um bilhão de sacos plásticos por ano e gasta R$15 milhões todo ano para dragar rios e tentar retirar os plásticos que provocam danos à natureza.

Movimentos espalhados por toda parte do mundo chamam a atenção para a necessidade de diminuir ou mesmo erradicar o uso de sacolas plásticas, a partir de medidas que vão desde a punição até a conscientização dos clientes para a importância do uso.

Como medida defensiva, o governo da África do sul decidiu, desde 2003, proibir que lojas distribuam a seus clientes sacolas plásticas para carregar mercadorias; o comerciante que infringe a lei pode receber uma multa de cerca de 14 mil dólares ou mesmo ser condenado a dez anos de prisão. Em Bangladesh, no continente asiático, a cidade de Dhaka foi a pioneira na iniciativa de proibir o uso das sacolas plásticas, devido às enchentes de 1988 e 1998, que alagaram dois terços do país, motivadas pelo entupimento de galerias de escoamento de águas do país, pelas sacolas plásticas. Já nos EUA, a cidade de São Francisco, em março de 2007, tornou-se a primeira metrópole americana a proibir o uso de sacolas de plástico em grandes supermercados e farmácias.

No Brasil, mesmo que ainda timidamente, projetos de lei, como o de Florianópolis, em Santa Catarina, que visa regulamentar o uso de sacolas de plástico, estão sendo encaminhados aos legislativos municipais.

O Pãopraganda tem sido responsável por bons debates em relação ao meio ambiente e por chamar a atenção de legisladores para a importância de se colocar o assunto em pauta nas câmaras estaduais, municipais e federal.

“Olha aê o pão!”

Gervásio Lima – Jornalista e historiador.



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