A palavra carnaval é originária do latim “carnis levale”, cujo significado é retirar a carne. Este evento que parece ser inexplicável, na realidade tem uma explicação. O surgimento da festa teve início na Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.

Hoje, onde é o Iraque, aproximadamente a 110 km ao Sul de Bagdá, na Mesopotâmia ficava a Babilônia, e foi lá que os historiadores indicam duas festas que ocorriam, e possivelmente originaram o que conhecemos como o carnaval. A primeira festa era denominada “Saceias”, e consistia em um prisioneiro assumindopor alguns dias a figura do rei, usando todas as suas indumentárias, alimentando-se satisfatoriamente como se rei fosse e até dormindo com a esposa do monarca. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado. A segunda comemoração baseava-se em uma submissão do rei à divindade “Marduk”, ocorria no período do equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região, nesta oportunidade o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de “Marduk”. Posteriormente a todo este ritual o rei novamente assumia o trono.
O leitor deve estar se perguntando: O que teve haver estes festejos como forma primitiva do que é hoje o carnaval? Excelente pergunta. A resposta é justamente a eversão dos valores sociais: a mutação passageira do aprisionado em rei, a exposição do rei sendo humilhado frente à estátua de “Marduk”. Podemos fazer uma relação à hoje os homens saírem vestidos de mulheres, as “fantasias”... Esqueçamos os enforcamentos e, ou os empalamentos.
Havia também as festas Greco-Romanas, sempre marcadas por suas orgias, onde ocorriam os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Estas festas eram consagradas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), sempre marcadas pela bebedeira e pela entrega aos deleites da carne.
Já em Roma, ocorriam duas festas com traços carnavalescos, a primeira ocorria no solstício de inverno, em dezembro era a “Saturnálias”, já a segunda era em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Ambas as festas eram marcadas por abundância de comidas, bebidas e muitas danças. Um fator interessante nas festas que possam ter originado o Carnaval é que em todas elas os papeis sociais eram invertidos temporariamente, nesta, como exemplo, os escravos colocavam-se nos locais de seus senhores, e estes se colocavam no papel de escravos.
Na Itália, no período do “Renascimento”, séc.XIV surgia a “commedia dell'arte”, ganhando o seu apogeu no séc.XVI, indo até o século XVIII, este evento incidia em teatros improvisados. Na cidade de Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os “Trionfi”, não confundam com os atuais Trios Elétricos, pois até que pareciam. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a “bauta”, que era uma capa com capuz negro que escondia ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.
A tradição carnavalesca chegou ao Brasil no período colonial introduzida pelos portugueses, provavelmente no século XVII, com o nome de “entrudo”, era uma “brincadeira” alegre, porém violenta, onde as pessoas atiravam umas nas outras, água com bisnagas ou limões de cera e depois pó, cal e tudo que trouxessem às mãos.
Ao longo do séc. XIX eventos importantes surgiram para descrever o carnaval no Brasil, figuras como o lendário “Zé Pereira”, grupo dos foliões de rua com bombos e tambores. Vieram depois os cordões, as sociedades carnavalescas, blocos e ranchos. Precisamente no ano de 1899, o “Abre-alas” de Chiquinha Gonzaga, traçou um perfil musical próprio para o evento, pois trazia para a folia as composições especialmente elaboradas: sendo a marcha-rancho, o samba, a marchinha, o samba-enredo e o frevo, além da batucada.
Grande parte da inspiração do nosso carnaval contemporâneo foi trazida com a grande influência que a cultura francesa teve no Brasil, principalmente, no século XIX.Os bobos da Corte, a figura do rei, contemplada pelo Rei Momo, figura tida como fanfarrão.Lembrando ainda dos pierrôs, das Colombinas, dos palhaços teatrais, dentre outros personagens, sem tanta relevância.
Na região sudeste as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo destacam-se pelos desfiles luxuosos das suas Escolas de Samba, enquanto na Bahia e em Pernambuco o povo ainda insiste em manter a tradição popular, quase que dita como emanada do povo, em uma verdadeira democracia, como uma forma de extravasar as angústias sofridas durante todo o restante dos dias que compõe o ano. Alguns se referem à festa como se fosse algo mágico, algo que deleite a alma, que não tem limite, o que não é verdade.
A indústria carnavalesca estabelece regras e limites para os participantes, à própria sociedade já enxergou o quanto é economicamente salutar a celebração do evento, e o quanto este deve ser cada dia que passa mais profissionalizado. A essência principal para o Carnaval injetar no mercado um bom capital estrangeiro, bem como de outras praças, onde a festa não é comemorada a altura, nós os baianos temos: É a boa receptividade, o “swing” no corpo, e a beleza de um povo que mesmo sofrendo sorrir sem sentir dor.
 
Viva o Carnaval, como já dizia Gilberto Gil, ou não!
 
 
Luiz Ferreira 
Bacharel em Direito, Pós Graduado em Política e Estratégia.
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Skype - lcfs_ferreira
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