Jolivaldo Freitas

Imagine o seguinte: o cara batalha no Brasil desde menino tentando conseguir apoio para sua carreira (pode ser artista plástico, cantor, artesão, escritor, jogador de futebol, DJ, dançarino, arquiteto), e este filme vemos todos os dias, e só recebe portas pela cara. Nada que faz presta ou tem reconhecimento, pois brasileiro só dá valor ao cara que já morreu. Quem morre é tudo de bom. Quem está vivo não presta. Daí que ele se manda para a Europa, por exemplo, onde é acolhido, respeitado, tem sua capacidade reconhecida, sai da pobreza, muda de vida.

Se um dia ele tiver de agradecer e dar um feedback será para quem? Para o país onde nasceu e ninguém sequer se ofereceu para apreciar seu talento por uns breves momentos, mandando-o pastar ou para aqueles que abriram suas portas, seu coração e o fizeram uma pessoa célebre e com um padrão de vida tão bom que ele hoje ajuda às pessoas pobres do lugar onde nasceu?

Foi assim com Diego Costa, jogador que hoje pertence à Seleção Espanhola. O cara saiu de Sergipe com mala e cuia pedindo para jogar em algum clube brasileiro e não viu nenhuma chance. Esta apareceu para clubes europeus e lá no Atlético de Madri, um dos maiores clubes do mundo, viu se sua vocação ser apreciada, foi apoiado, bem cuidado e respeitado. Virou campeão.

Um dia o Felipão soube das suas atuações, observou, constatou e o chamou para a Seleção Brasileira. Ficou no banco de reservas a ver navios e nunca mais foi chamado. Seu sucesso crescia nos campos espanhóis e quando o técnico da Seleção Brasileira estava montando a equipe para ir em busca do hexa, aventou a possibilidade – eu disse possibilidade – de chama-lo para fazer parte do nosso esquadrão. Mas o telefonema nunca chegava.

Quem ou qual o jogador que não gostaria de participar de uma Copa do Mundo. A festa em que pode participar é hoje. Quem garante que se ficar esperando uma outra chance seu futebol não caia de qualidade, sofra uma contusão grave, tenha algum problema de saúde? A hora era essa e o telefonema do técnico brasileiro nunca chegou.

Foi quando mais uma vez veio o socorro e o interesse respeitoso dos europeus, aqueles mesmos que já os tinha acolhido. Veio o telefonema tão esperado, mas era de outro técnico. O da Seleção Espanhola. Então eu pergunto aí ao amigo: você diria não para a mão que o acolheu? Você teria a certeza que o Brasil o chamaria? O mesmo Brasil que o rechaçou e que mesmo sabendo do seu futebol esplendoroso o colocou no bando de reservas e nunca mais ligou, mandou flores, cartas, deu um alô ou passou um email? Diego Costa está certo. Recebe atenção quem merece. As vaias dos torcedores deveriam ser destinadas à sua própria boçalidade e péssimo senso de análise. É por isso, talvez, que somos considerados uns monos: vemos, sabemos, ouvimos, mas não entendemos.

Se eu fosse Diego Costa, aí sim, daria uma banana para o torcedor brasileiro e diria: - Vá se catar!

Jolivaldo Freitas 

Jornalista, Escritor, Publisher, Radialista, Publicitário e especialista em Marketing. Colabora com artigos publicados periodicamente no Notícia Livre


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