Prof. Osvaldo Bastos.
 
 
 
 
 
Tem sido comum os tantos especialistas em Análise Criminal, Criminologia e Direito Penal confundirem análise dita científica com abordagem ideológica. Criou-se um mito confortável aqui no Brasil, relacionando tudo que sai do tal meio acadêmico ao científico e que detém o privilégio da verdade.
 
Bom seria se ao menos parte desse mito tivesse vinculação com o real. Entretanto, o que se vê é um academicismo partidário, meramente ideológico, onde discurso de partido e bandeira política são impostos como verdade científica e acadêmica.
 
Já não é mais novidade analisar a tal da violência e em sequência, os crimes, como tendo origens em causas genéricas. Desde as décadas de 60 e 70, do século XX, a O.N.U. vem construindo o discurso do “problema social” através de uma série de Convenções e outros instrumentos internacionais, colocando sempre, desde aquele tempo, o crime como um problema que tem suas origens em questões econômicas. Estava em andamento uma adaptação da teoria marxista, através da qual, discretamente, foi se infiltrando a lógica de que, se o crime tem origem em problemas socioeconômicos e as economias são em sua maior parte capitalistas, logo, o problema do crime estaria nas relações socioeconômicas capitalistas.
 
Nesse discurso, os países comunistas sempre eram poupados, misteriosamente, de atenção e críticas. Nesse contexto, foi-se então, passando também a ideia de que, se o problema era o capitalismo, logo, a solução seria o retorno do comunismo em novo estilo. Além disso, foi-se também, anulando a interpretação do crime como problema psíquico, ou seja, anulou-se pouco a pouco a concepção de “indivíduo” que, de origem judaico-cristã, foi tão fundamental para a construção da concepção de “homem moderno” e mesmo “cidadão moderno”.
 
Na Carta Capital n. 805, de 25 de junho de 2014, tem a matéria: “A taça de assassinatos é nossa”, onde se verifica um visível discurso ideológico em lugar do saudoso argumento técnico, limpo, metodológico e, por isso, merecedor de algum grau de cientificidade.
 
O texto começa afirmando que: “O fato de as Américas serem ao mesmo tempo o continente mais injusto e violento do planeta...”. Aparentemente o autor da matéria não é de esquerda, mas ao ler o artigo verificar-se que os neocomunistas de Brasília e da O.N.U. não poderiam ter escritor mais engajado.
 
À medida que vamos desenvolvendo a leitura é possível perceber o jogo de linguagem imbuído e, ao mesmo tempo, voltado para difundir os ideais pós-modernos de que tudo que está aí é ruim. Estado, Polícia, Direito... absolutamente tudo. Esse jogo de linguagem e retórica implica enaltecer determinadas informações e omitir outras e ainda, interpretar tudo que vier da maneira que convém ao Partido.
 
Em seguida escreve: “Na última década e meia, houve sensível melhora das condições de vida. O desemprego caiu à metade, o salário subiu de forma constante, 36 milhões de cidadãos retirados da extrema pobreza. Ao mesmo tempo, a elevação dos gastos em segurança tem se mantido contínua há, no mínimo 20 anos”. Verificamos então uma mistura e generalizações de informações que iludem o leitor desatento. De fato, se falar em mais ou menos 15 anos é falar, sobretudo do governo do PT que, muito ao contrário do que afirma a matéria, cortou drástica e constantemente verbas de repasse para a Segurança Pública, principalmente em estados que o governo tão tinha vinculação partidária com o governo federal. Quanto aos demais 36 milhões etc., só lavagem cerebral para fazer crer no que não se vê.
 
Em seguida, diz que, tal situação é constrangedora para juízes, parlamentares, promotores e, é claro, esconde no seu discurso a figura do “presidente” e da “presidenta”. Logo, recorre ao relatório “Mapa da Violência 2014” cuja equipe de elaboração foi toda escala pelo PT, para mostrar que, juntamente com outras referências ao problema da violência no Brasil, tais índices têm que ter outra ou outras causas. Se a indigência quase acabou, segundo a matéria e o discurso oficial de governo, onde estaria a causa de tantos crimes?
 
Aí entra em cena outro discurso político-ideológico, travestido de científico e acadêmico. Argumenta que o problema está nas armas, morosidade judicial e violência policial. É evidente que problemas graves existem nessas três dimensões. Entretanto, isso vem sendo usado constantemente para instigar revoltas e rebeliões generalizadas. Nada mais evidente do que constatar nesse discurso da insatisfação generalizada, algumas das imposições da O.N.U. ao Brasil que constam no PNDH-3. Desde modo, seguindo essa lógica, a solução está em: desarmar a população, acabar com as Polícias Militares e uma reforma no Direito e no Judiciário, no sentido de descriminalizar diversas condutas e desagravar outras tantas. Descriminalizando a conduta resolve-se o problema do crime, imagine!
 
De fato, como afirma a matéria é fácil comprar arma no Brasil. O que o autor talvez não saiba, porque não revelou, é que as armas que estão matando no Brasil não são as armas compradas em lojas por cidadãos honestos que buscam alguma forma de proteção. As armas que estão matando assustadoramente no Brasil são as armas que entram pelas fronteiras, que são compradas por traficantes, vinculados a outros crimes e cujo recurso financeiro para a aquisição desse armamento é oriundo, prioritariamente, de quem compra droga. Esse circuito é sistematicamente negado e não abordado, exatamente por interesses de multinacionais, fundações e ong’s financiadas para pregar a “liberalização” do uso de drogas. Temos então as justificavas, segundo esse discurso, para desarmar a população e espalhar o uso de drogas.
 
Logo vem o discurso contra a Polícia, principalmente a Militar, tal como está na moda. Aquele velho réquiem de que a Polícia está matando muito. Cita até repetidamente o refrão como se fosse lema da Polícia de que: “bandido bom é bandido morto”. Induz a pensar que os altos índices de homicídios são por causa das Polícias Militares. Por isso, a saída milagrosa é de que, acabando com as Polícias Militares, haveria uma redução drástica do número de homicídios.
 
Dentre tantas aberrações a matéria ainda fez o favor de distorcer vergonhosamente os dados do “Relatório de Homicídios 2013 – UNODC”. O autor inclusive demonstra pouca intimidade e hábito em acompanhar as divulgações destes informes, ano após ano. Pois se o fizesse não afirmaria com tanta simplicidade argumentativa que o continente mais violento do mundo é o americano.
 
Sendo assim, é bom consultar as poucas fontes que a matéria indica e logo se verá que, o artigo em questão, nada mais é do que uma bandeira política em tempos de campanha. Nesse contexto, disfarça e elogia a ditadura chavista, esquecendo-se das milícias que fazem hoje o papel das polícias na política de segurança da Venezuela. Desse tipo de análise, contida na referida matéria, como tantas outras que estão por aí, os brasileiros não precisam, pois não esclarecem, deseducam. É um desrespeito à nossa inteligência, conhecimento e raciocínio lógico. Além disso, o que os neocomunistas precisam definir é se vão ou não continuar alimentando o conceito placebo do tal “problema social”.


banner adv

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player