É provável, ou praticamente certeza, que o passado seja a fase mais importante da vida. É nele que se encontra o nascimento e diversas outras importantes passagens essenciais para que tudo que encontramos no presente tenha sido possível. O passado é passado quando se remete ao ruim, mas quando o bem o acompanha ele se torna presente e elemento indispensável para o futuro.

O pretérito pode ser, literalmente, perfeito e imperfeito e às vezes mais que perfeito e o pior, ou melhor, independe exclusivamente da própria vontade. O que passou na verdade é uma lição, podendo ser interpretada de inúmeras formas. A parte ruim do aprendizado é excluída; aquilo que contribuiu de alguma forma fica em ‘standby’ (em espera), para caso seja preciso ser usado em algum momento e tudo que for de positivo deve ser multiplicado e compartilhado, tanto com os afetos e até mesmo pelos ‘não afetos’.

Os eventos que ocorreram em algum momento da vida servem como sementes para reflexões e até mesmo para mudanças que possam irradiar durante todo o tempo. As lembranças, redundantemente falando, nostálgicas e reminiscentes são salutares. Viajar ao passado faz bem para o corpo e para o coração; ‘acalenta, afaga e acalma a alma’. Lembrar de um familiar, de um amigo, de colegas de escola, das brincadeiras de infância e de outros tantos momentos marcantes às vezes dói, mas na maioria das vezes faz mesmo é um bem danado.

A lembrança é um bem para àquele que sabe viver o presente e um pesadelo para quem vive preocupado com o futuro. O que acontece no agora gerará conseqüência com o que vai acontecer nestante. Ou seja, o que fazemos hoje poderá nos trazer boas lembranças amanhã. Para que o hoje seja o antônimo do tropeço do ontem é necessário seguir e praticar o óbvio: fazer o bem sem olhar a quem.

Lembrança é vida, é existência, é mais presente que passado. A pior sujeira é aquela construída para o futuro. A escuridão sempre chega após um dia iluminado. A luz do sol é uma boa lembrança do dia quando cai a noite. A saudade inicia no crepúsculo.

 

Mas é você que ama o passado

E que não vê

É você que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem...

Como Nossos Pais - Antonio Belchior

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador


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