Jolivaldo Freitas

A obra que uma construtora vem fazendo em meio metro da praça da Igreja da Vitória tem causado muitos transtornos para os moradores e para quem transita na área, tanto pela morosidade como pelo perfil de tratamento que vem sendo dado. É uma obra que qualquer pedreiro ou empreiteira faria em um mês ou menos, mas que do jeito que vem ocorrendo já são anos de espera e pelo jeito nem com a ajuda de Nossa Senhora da Vitória vai terminar antes do Carnaval.

Na realidade a obra é um cala-te boca que a construtora e a incorporadora que executaram o gigantesco projeto do edifício Mansão Wildberg vem dando para a Prefeitura Municipal, para a Igreja de Nossa Senhora da Vitória e para os moradores, depois que na calada da noite comprou a antiga mansão da família Wildberg, uma das mais bonitas e antigas da Bahia e depois de muita ginástica e mágica frente à Justiça baiana conseguiu liminar, e com a liminar na mão mandou que os tratores, marretas e caçambas derrubassem a casa e começassem a obra. Tudo isso aconteceu apenas uma madrugada insone e pasma para os moradores. O Ministério Público levou o chamado drible da vaca. O Iphan, este... só rindo. E a prefeitura – que não lembro quem foi o prefeito da época – fez ouvido de mercador. Olhou que nem cego e Salvador ficou mais uma vez a ver navios. Perdeu um marco arquitetônico.

Diz-se que se tratam dos apartamentos – que já estão começando a ser habitados – mais caros da Bahia e um dos mais caros do Brasil, com unidade custando até 20 milhões de reais (o que não busquei confirmar, portanto podendo ser folclore ou não), mas que foram  adquiridos também por pessoas metidas no Mensalão do PT e no Lava Jato. Claro, que além de empresários, empreiteiros e outros milionários que a plebe rude de Salvador não sabe nem nunca viu, mas que existem.

Voltando à obra do Largo da Vitória, desde a construção da igreja da Vitória que não se vê um trabalho tão demorado. A Vitória é a segunda igreja mais antiga do país uns trinta anos e pouco depois do descobrimento do Brasil e bem antes da fundação de Salvador. Quem está lá se virando na tumba com tanta demora da construtora em, entregar o largo cala boca da Vitória são os filhos de Caramuru. Nem mesmo depois que os holandeses invadiram Salvador e destruíram muita coisa – construíram também em menos tempo que a obra da Vitória, a exemplo do Dique do Tororó – uma obra durou tanto. A reconstrução da igreja em 1625 foi rápida. O mesmo acontecendo quando da sua reforma em 1808 com recursos que Dom João VI deu de mão beijada literalmente.

Em 1910 tanto a igreja como o largo sofreram nova reforma e foi tudo rápido. Agora tem essa obra que ninguém sabe quanto tempo ainda vai levar. Nem mesmo com Nossa Senhora da Vitória dando um adjutório na causa. E se alguém pensa que com a obra vai ser esquecido o “assalto” dos infiéis ao largo e à Mansão Wildberg, pode esperar sentado. Nem é bom colocar placa de reinauguração nem o prefeito ou o arcebispo irem para a festa.

Escritor e jornalista: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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