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Jolivaldo Freitas

Seria uma tragédia sem par, no Brasil, caso algum governante com matizes ditatoriais de esquerda ou de direita almejasse transformar a frágil democracia num absolutismo, mesmo que fosse uma ditadura militar. O Brasil atual não é mais aquela república de bananas. Quando da ditadura empreendida por Getúlio Vargas o país tinha menos de 40 milhões de habitantes e era difícil a comunicação entre os brasileiros. Bastava empastelar um jornal que se controlava a notícia. Quando da instalação da ditadura militar em 1964 o país possuía uma população estimada em torno de 70 milhões de habitantes. Já quase não se empastelava jornais, mas o censor estava presente nas redações diuturnamente. Mesmo assim, já não conseguiam impedir que a totalidade das informações fossem negaceadas.

Uma ditadura no Brasil, em qualquer modelo, nos dias de hoje, teria de ser algo extraordinário para poder se segurar em paz. O país entraria em convulsão. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. Deste total mais de 50 milhões são de jovens até os 30 anos de idades. E jovem por si só é rebelde. O Brasil entraria em comoção. O Brasil retrocederia mais ainda politicamente, socialmente e economicamente.

Sempre coube aos jovens a reação desde a antiga Grécia, mesmo com equívocos como a Revolução Comunista ou o nazismo, eles usados como bucha de canhão; ou com o meritório Maior de Paris de 1968, a Primavera de Praga ou as Diretas Já no Brasil.  Nestes tempos de internet está complicado para os governos de linha dura manter sua placidez, seu status, dormir de olhos fechados. Veja o exemplo de Hong Kong e da Rússia onde grassa uma permanente convulsão.

Há meses milhares de manifestantes pró-democracia vêm se reunindo com arregimentação através das mídias sociais em Hong Kong. Os ativistas não respeitam os limites impostos pela polícia e ultrapassaram os locais deliberados para a manifestação. Enfrentam de peito aberto o poder da China que administra a ilha. As autoridades chinesas vêm acenando com a radicalização, mais prisões e processos. Mas, os ativistas estão inflexíveis. Querem definitivamente o afastamento da chefe do governo, Carrie Lam que anunciou e voltou atrás com a pressão das ruas, a controversa lei da extradição, que permitiria a mandar os procurados pela Justiça para a China continental, onde o judiciário não tem independência. A intenção é pegar quem critica o governo. Os jovens militantes estão em luta desde o mês de junho quando tudo começou. A questão jurídica na ilha ocorre desde que Hong Kong e Macau passaram a ser administrada pela República Popular da China desde 1997 e 1999, sob o princípio de "um país, dois sistemas". A ditadura chinesa quer mudar a regra. Milhares de pessoas já foram detidas ou presas.

Na outra ponta do mapa está a questão russa. Somente no último final de semana quase mil pessoas foram presas em Moscou ao participarem de manifestação não autorizada pelo governo, exigindo a inscrição dos candidatos da oposição nas eleições à Assembleia Legislativa da capital russa, que vai acontecer em setembro. De novo os jovens veem sendo a garantia para oposicionistas, como Lyubov Sobol, jurista do Fundo de Luta contra a Corrupção, que teve negada sua candidatura e também foi presa. Os rebeldes estão enfrentando todo o aparato militar e bélico do governo central russo. No total já foram detidos e condenados mais de 2 mil manifestantes. Chama a atenção nestas manifestações um apelo feito pelo governo usando voz feminina nos alto-falantes. Lembra aos cidadãos que os membros da Guarda Nacional que atuam contra os manifestantes “são seus filhos”. É a ditadura apelando. Mas jovem não foge à luta e é bom que aventureiros saibam disso, sempre.

Escritor e jornalista. Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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