Em setembro de 2017, escrevi um artigo chamado “contra intolerância, mais respeito e dignidade humana”, abordando a onda crescente de atos de intolerância religiosa e citei o caso grave de violação de direitos humanos ocorrido em Nova Iguaçu, onde bandidos obrigaram uma sacerdotisa a quebrar, por suas próprias mãos, seus objetos sagrados.

Recentemente, causou revolta e indignação a invasão seguida de roubos dos presentes, agressão física ao Babalorixá Richelmy e a profanação da cerimônia religiosa: águas de Oxalá da Casa do Mensageiro. É uma cerimônia religiosa realizada pelos terreiros, que pode ser traduzida aos não iniciados como o fortalecimento dos caminhos para a paz, tão necessária em tempos de “é selva, capitão!”, com pedidos de serenidade, temperança, sabedoria ao pai maior.

Essas agressões somam-se às inúmeras que têm grassado em todo país, um “tá amarrado aqui, tá amarrado acolá em nome de Jesus”, algo que, infelizmente, entrou no cotidiano dos baianos praticantes do culto aos orixás, inquices, voduns e encantados, que as ouvem nas ruas quando não seguidas de agressões físicas, bíblia na cabeça, sal na Pedra de Xangô, enxofre nas porteiras dos terreiros, pichações e inclusive dentro do seio familiar.

Um conjunto de violações que já ultrapassaram a seara da intolerância religiosa. Não são atos isolados e sim algo sistêmico e direcionado à religiosidade de matriz africana e afro-brasileira. 

Há ação em julgamento no STF, que objetiva criminalizar a sacralização dos animais. Somos o alvo preferencial. Não é preconceito religioso, é racismo. Racismo religioso, que defende uma única verdade e salvação, avança a passos largos, rumo ao passado das perseguições policiais.

Fazem-se necessárias mais mobilizações de todas as nossas denominações. Insisto mais uma vez que é preciso fazê-lo da porteira para dentro e, sobretudo, da porteira para fora. O sagrado vem dando o caminho quando se deixa até ser ”atingido” por algumas dessas violações.

Portanto, é preciso: mais rua, o fortalecimento do dia 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, transformando-o em um novo 20 de novembro; mais ações por dentro das  instituições jurídicas, a exemplo do MP-BA, a realização do  IIIº Seminário sobre Intolerância religiosa e Estado Laico; mais interação entre o parlamento e a sociedade civil. Conclamo a mobilização de todos para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa da cidade de Salvador, no próximo mês de fevereiro. Nós, os edis e as edis, poderemos dotar a cidade de Salvador de um importante instrumento que nos permitirá navegar rumo à igualdade racial para valer e respeito à liberdade religiosa.

Vereador Sílvio Humberto (PSB) - Presidente da Comissão de Cultura

Jolivaldo Freitas

Sempre ouvi falar de problemas no atendimento médico do SUS e dos hospitais públicos e dos médicos que atendem neles e nos postos de saúde, mas jamais pensei que vivenciaria o problema numa clínica particular, que recebe pagamento do plano de saúde que pago – embora ache que o meu plano de saúde perde em muita coisa para o atendimento pelo SUS, tanto que já tirei meu cartão alternativo). Mas, o que era folclore para mim e realidade para milhões de pessoas constato que é vero. E conto pois gosto de contar.

Com uma dor no meio do pé e outra no calcanhar procurei emergência numa clínica em Ondina e a médica mandou que eu procurasse um especialista em pé - e eu ia fazer uma brincadeira, mas pela primeira vez tomei vergonha na cara pois já ia perguntar, todo sem noção se especialista em pé é pedófilo ou pederasta, e a senhora e o senhor fiquem aí imaginando como não ficaria a cara da médica que em nenhum momento me deu ousadia, me deu espaço para brincadeira, médica séria que era.

O Raio X não mostrou nada e ela solicitou de pronto uma Ressonância Magnética que fiz e depois do resultado marquei o especialista em pé – que até agora, sério, não sei como se classifica a especialidade, mas não irei ao professor google perguntar e quem souber me diga – e lá fui eu. Esperei pouco na sala de espera e como era início da tarde tinha pouca gente. Chamado entrei na sala do médico, um homem que se viu logo vaidoso, com cabelo tingido, pulseira de outro no melhor estilo namorado da Viúva Porcina e o homem sói fazia abrir a bocarra, deixando claro que tinha almoçado e almejava mesmo era uma boa hora de sono reparador da beleza.

Tentei puxar uma conversa para que ele acordasse, mas nada e ele já quase espraiado na cadeira perguntou o que eu sentia e quase respondo “sinto que o senhor está sonado”, mas de novo me segurei, pois, o homem não tinha me dado ousadia e expliquei. Me colocou na cama, olhou o meio do pé e o calcanhar expliquei as dores, a intensidade, falei das minhas atividades esportivas e blábláblá e senti que ele nem estava ouvindo, pois, o médico bocejava como se tivesse perdido a noite e sonhasse com uma cama limpa, king, lençol de seda, travesseiro de pena de ganso, ar ligado, blackout nas janelas e silêncio absoluto enquanto lá foram estava o calor e a vida passava para os meros mortais no trânsito intenso. E, com certeza aspirava não tert um paciente para incomodar com suas dores nos pés.

Pois constatei que ele realmente estava perdido no tempo e espaço quando passou uma pomada para a dor no meio dos pés e esqueceu do calcanhar. Perguntei sobre o calcanhar e ele: - Que calcanhar?

E eu: - O calcanhar que a Ressonância Magnética diz no laudo que está com uma tal lesão degenerativa que nem sei dizer o nome!

Ele: - Onde você achou isso?

Eu – Aqui escrito no laudo, na parte de baixa.

Ele: - Né nada não!

E eu boquiaberto estava por ter de ler o laudo que o médico leu pela metade com sono e sem vontade de ir até o final. E tudo isso levou menos de dez minutos. Não precisava ser meia hora. Custava ler o laudo todo? Vou em busca de uma nova opinião. Se bem que o médico sequer opinou. Ou vou numa benzedeira? E quanto ao monstro?  Tem não. Foi só para chamar a atenção do leitor. Ou tem?

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Aqui vai uma dica para quem gosta de humor cínico. Tem um site de nome nãoéopasquim.com que atira para todos os lados com extrema inteligência. Dê uma checada. Não sobra pedra sobre pedra.

Escritor e jornalista: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Se antes mesmo que o pensamento me chegue ao quengo Ele já sabe de tudo, estou perdido; pelo menos não preciso tentar me esconder, o que seria ridículo. Então, com sinceridade, vou expor o que desejaria falar-lhe numa Interview bacana. Para início de conversa, sei que não me cabe, mas, na moral, para que foi criado o grilo, além daquele grito descomunal que ele tem? Sim, porque, proporcionalmente, um ser humano com aquela potência vocal, ao gritar, poderia chamar de São Paulo a quem está no Rio. Ademais, perguntaria eu ao divino inventor, com que objetivo objetivo foi configurado aquele reprodutor sonoro tridimensional, capaz de enlouquecer o mais sóbrio e paciente mortal? Sim, ele se esconde numa gretazinha qualquer inachável, e começa a estridular a plenos pulmões, se é que os têm, e aquele perturbador ruído preenche cada canto do recinto, confundindo todas as guias sensoriais de nós terráqueos, de modo que não se pode determinar com certeza de que lado ou de que fonte parte aquele tritinado terrível. Falando em guia sensorial, num sentido inverso, enquanto o pequenino ser guizalha aquele repetido e irritante “canto”, parece nos observar, pois à medida que nossa feição se altera, indo da raiva ao desespero, ele vai modulando e aumentando o volume, e se fazemos algum movimento intencional, mesmo sem saber em que lado ele está, o condenado fica mudo imediatamente. E enquanto procuramos desesperadamente o terrível mal por todos os cantos possíveis, ele permanece silente, ou se ri como um satanás. Tão logo desistimos e nos acomodamos para ouvir pela TV o musical especial daquela orquestra internacional, cri cri cri cri cri cri cri ... Pergunto, soberano Criador: Porventura isso o diverte? A mim, não. E preciso entender o que quer dizer: Tudo o que foi criado é perfeito e suas obras são admiráveis... Sim, porque já tive a oportunidade infeliz e blasfema de, depois de longa busca aos quatro cantos da casa, tomar em minhas mãos essa pequenina amostra da obra admirável da divina mão, e esmigalha-la com um prazer indizível, sem me lembrar em momento algum de Adão, os seis dias da criação, e “eis que tudo era bom”. Perdão, Senhor, não entendo.

A segunda pergunta, e não menos intrigante, é: Qual era a sua ideia mesmo, ao criar a mulher? Mas vou esperar o Senhor terminar de rir...

Itamar Bezerra

Teólogo, escritor, poeta e compositor

Autor de vários livros evangélicos, crônicas, prosas e contos; cantor com CD’s gravados com músicas autorais, e fotógrafo.

Que os filhos sejam corretos, honestos, respeitosos, estudiosos e trabalhadores, esses são os desejos de todas as famílias tradicionais brasileiras. Tais palavras que corroboram para que essas vontades aconteçam de fato são as mais utilizadas quando são apresentados os fundamentos da vida para crianças e jovens na etapa da educação de valores morais e éticos da vida.

Diversos fatores contribuem para que as pessoas sofram influência externas à sua educação familiar, a saber, entre as causas mais prováveis seria a falta da própria família no que diz respeito à presença eminente deste principal aglomerado humano. O homem sofre interferência do meio em que vive, sim, mas os fatores internos podem ‘corromper’ a sua índole. Com base nesta realidade e de acordo o decorrer da sua trajetória de vida é possível entender o comportamento e preferências sobre determinados assuntos de um indivíduo? Não necessariamente.

A busca pelo politicamente correto é uma constante na sociedade moderna, mesmo não sendo algo natural, fruto da criação familiar e de ensinamentos cristãos. Seguir as normas e leis estabelecidas evita preconceitos e discriminações, e consequentemente algum tipo de problema policial e judicial. Talvez por esse motivo reine a hipocrisia.

O ódio capitaneado pelas classes dominadoras através de uma irresponsável mídia capitalista e egoísta tem contribuído para o aumento de uma série de situações negativas em todo o mundo, provocando verdadeiras ‘catástrofes’ sociais. A ânsia desenfreada pelo poder e o dinheiro destruiu, destrói e destruirá o que vinha sendo construído há milhares de anos, como a dignidade e a paz humana.

Os valores estão ameaçados inclusive pelos que ‘pregam a palavra’. Por tudo que tem acontecido e se prenuncia, viver, literalmente na essência da palavra, será algo difícil e atormentador, mas não se deve se entregar. Ao lutar com esperança e fé, realizando boas ações, não será preciso culpar o ‘mundo’ pela vida que leva.

Conforme as concepções do filósofo, teórico político e escritor suíço, Jean-Jacques Rousseau, “a natureza humana é boa, logo, é o meio em que o homem está inserido que definiria quais as suas possibilidades”. Ou seja, ele seria o produto do meio. Levando em consideração esses pontos, seria a sociedade então que o corromperia.

 

“... Meu som te cega, careta, quem é você?
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô
E que não riu com a risada de Andy Warhol
Que não, que não e nem disse que não...” – Reconvexo – Caetano Veloso

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador

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Vergonha não é assumir que não sabe fazer e sim querer fazer o que não sabe, assim como é inaceitável do ponto de vista ético e moral demonstrar ser aquilo que verdadeiramente não o é. Mudar o comportamento de acordo o lugar, o dia e a hora para satisfazer o público do momento beira ao cúmulo da demagogia e da  hipocrisia. Vender aquilo que não possui ou que não pode entregar é um ato abominável e irresponsável, característico dos que, mesmo que encubados, se acham acima de tudo e de todos.

Lobos em peles de cordeiros, ‘mordendo e assoprando’ durante todo o tempo, sem selecionar suas potenciais vítimas, estão espalhados discriminatoriamente por todo o mundo. Judas, falso profeta, romãozinho, são expressões usadas habitual e popularmente para definir aquilo ou aquele que não presta; que faz o mal travestido do bem (acende uma vela para Deus e outra para o satanás).

Conforme um antigo provérbio, ‘a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco, sem explicar quem seria o mais fraco e se o arrebente seria positivo ou negativo para este está em desuso e. Nos tempos atuais tal frase não se aplica por diversos motivos, entre eles o fato de não se aceitar o preconceito e a discriminação impregnados em expressões escravocratas e burocratas. 

Movimentos onde os ‘pseudos fracos’ se reúnem em busca do bem comum têm conseguido mudar a história, vide a recente greve dos caminhoneiros no Brasil e os ‘Colete Amarelos’ na França. Os protestos com a participação em massa dos que se sentem oprimidos e excluídos estão mudando a maneira dos governantes enxergarem os menos favorecidos. Na verdade, forte é o povo.

A partir do momento que a vaidade pessoal seja substituída pelo sentimento coletivo, dos direitos e deveres iguais, as nações alcançarão a harmonia e o principal papel da cidadania. Forte é aquele que não é influenciável, que possui sua própria opinião. Por tanto não é preciso apoquentar com o que ver, ler ou ouve. Faz bem sempre lembrar que ‘quem fala demais dá bom dia a cavalo’, ou seja chega a um ponto que não sabe o que diz, excede nas palavras e acaba assemelhando-se a um equino. Como dizem os mais velhos, dar-se a tempo ao tempo.

Todo ser humano tem direito de ter seus próprios pensamentos, objetivos, sonhos e vontades de acordo com suas próprias crenças e valores e, não porque outros assim o querem. Para isso, é essencial conhecer a si mesmo, seus pontos fortes, diferenciais, habilidades e enxergar-se de maneira positiva.

“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado” Chico Anysio (1931 – 2012).

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador


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