O país que eu quero para o futuro é um Brasil onde não me falte rosário de dicuri de coquinho velado, nem bucha de maxixão para lavar as cuias; onde, ao final do mês, não me faltem réis para bancar, na Pharmácia, o Ambracinto e o Solvobil de que preciso. Um Brasil moderno, com escolas equipadas de ABCs e Tabuadas, réguas e palmatórias para a boa disciplina. Um Brasil em que os políticos, sejam PDS ou ARENA, não se vendam por um Vemaget novo, nem falem tantas asneiras ao vivo no Repórter Esso. Eu quero um país com mais ferrovias, energia elétrica chegando nas casas, cisternas e poços artesianos para todos, e facilidade para aquisição de potes e purrões. Eu quero um Brasil com mais segurança, onde eu possa chegar em casa, abrir a cancela e apear em paz o meu burro.

Itamar Bezerra

Teólogo, escritor, poeta e compositor

Autor de vários livros evangélicos, crônicas, prosas e contos; cantor com CD’s gravados com músicas autorais, e fotógrafo.

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Jolivaldo Freitas

Deixando claro que nem com assacada seria possível e que se se trata de mera digressão para quebrar a rigidez do momento, chamou minha atenção a ideia da senadora Kátia Abreu (PDT), algo diferente, fora da casinha, ousada e que estava o tempo todo na cara e ninguém via. Sua exortação para que Fernando Haddad pedisse para sair, desse o zignal, o ninja ou se picasse como dizemos na Bahia, não é estapafúrdia. É válida e prevista na Constituição Federal e, pode acreditar, seria realmente uma virada no jogo da eleição para o segundo turno. Com a saída de Hadadd desistindo de continuar candidato caberia ao terceiro colocado em números de votos, no caso Ciro Gomes, disputar diretamente com Jair Bolsonaro.

Quem é capaz de achar que o jogo não iria embolar? O eleitor que odeia o PT e vota em Bolsonaro por falta de perspectiva, dentro daquilo que se conceituou dizer que vota na direita por causa das circunstâncias, mas não é de direita ou fascista, ou o chamado voto útil, teria dessa vez em Ciro a válvula de escape uma vez que ele não representa nenhum tipo de extremismo, com uma postura de centro e conciliadora.

O pessoal que vota em Haddad apesar de achar que o PT é um partido queimado, que errou muito, que não fez o mea culpa e que só coaduna com seu pleito para não deixar que Bolsonaro seja eleito presidente por causa de suas ideis retrógradas como homofobia, desrespeito pelas mulheres, nordestinos, negros e índios (ele paga o que sua língua sem controle professa), teria também sua válvula de escape e com certeza que Ciro Gomes iria ser um aglutinador de todos os insatisfeitos e que se encontram perdido entre a forca ou a guilhotina.

A diferença de votos de Bolsonaro contra Hadadd que é grande e dificulta a eleição do petista com certeza seria superada com certa facilidade no caso de um segundo turno entre Ciro e Bolsonaro. Nós sabemos que o brasileiro não é radical, não é extremista, senão uma pesquisa do Datafolha feita semana passada não revelaria que quase 70 por cento dos brasileiros são a favor, plenamente, da democracia em detrimento de qualquer espécie de extremismo. É um não à extrema-direita e um não à extrema-esquerda.

Mas, a questão é que jamais que o PT seria pragmático a ponto de deixar de lado suas aspirações da tomada do poder total para a prática de uma iniciativa inteligente e que seria aquela que o Brasil precisa neste momento de tanta distensão e dissenção. O PT não sabe perder e nem abrir a mão quando se trata de poder político, como se pode ver na frase publicada em jornais estrangeiros, proferida pelo ex-ministro José Dirceu, um dos cavaleiros do apocalipse do partido e dos seus mentores, explicando que a eleição é o mínimo. Que vale tomar o poder, ficar com o poder. Ele ajudou ainda mais Bolsonaro por ser boquirroto.

Claro que a ideia gestada por Kátia Abreu, embora inteligente, não é plausível, por força de todas as circunstâncias delineadas. Mas o Brasil é pródigo em utopias e, com certeza não se podia deixar de trazer a debate a questão, talvez justamente por seu insólita. E tem algo mais insólito do que acreditar que um dia Jair Bolsonaro poderia se transformar no presidente do Brasil? O Brasil é um país sério, mas não se leva a sério. Já imaginou uma nova campanha com o slogan “Chame Ciro”? Esse “meu Brasil brasileiro”... como disse Ary Barroso.

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Li o texto escrito por um amigo, que além de possuir uma dezena de dons e habilidades, também é um excelente fotógrafo. Na crônica, intitulada “Vidas Editadas”, ele compara a nossa realidade “real”, a partir do olhar do fotógrafo, no instante do clique, com a realidade “virtual” de uma fotografia editada. Isto é, após ter sido submetida ao tratamento com o recurso tecnológico do Photoshop. Tal recurso ultimamente é muito utilizado para atender aos caprichos e exigências, tanto dos fotografados quanto do próprio retratista, com o objetivo de esconder defeitos e objetos ou acrescentá-los, criando a ilusão de uma realidade que de fato não existe. Por ironia, instantes antes de começar a ler “Vidas Editadas”, tinha solicitado ao cronista-fotógrafo o favor de que apagasse determinado objeto em uma foto minha da sua própria autoria. Com efeito, que tal prática, em tese, não significa outra coisa, senão a distorção da cena, em relação ao instante em que o registro foi efetuado.

     A crônica – e para isto servem os bons escritos – me fez recordar de que, recentemente, assistia na TV, junto com o meu filho, aos depoimentos de artistas e de efêmeras celebridades do show business nacional, manifestando críticas e opiniões em relação a postura de políticos e certas autoridades que, quando entrevistadas, davam, com veemência, as mais esdrúxulas explicações, na tentativa de negar fatos evidentes e afirmar inocência diante das acusações que lhes eram imputadas em relação às negociatas e outras falcatruas praticadas.

     Naquela oportunidade, tanto eu quanto o meu filho fomos motivados a analisar e tecer considerações sobre o fato de que a nossa sociedade se encontra, sem dúvida, fundada sobre um palco de mentiras e hipocrisias.

     Comentamos que aqueles atores e celebridades que censuravam e acusavam de mentirosos os políticos e as autoridades, eram os mesmos que, em troca de polpudos cachês, permitiam-se ao aliciamento, para falar mentiras em campanhas publicitárias.

     Pessoas que nunca lavaram, nem jamais lavarão um único prato ou peça de roupa, assim como vegetarianos e ditos naturalistas, que propalam a boa qualidade e o excelente sabor de determinada marca de carne e de embutidos, estampam, nos anúncios comerciais, as suas carinhas bonitinhas e sedutoras, no intuito de convencer o público da eficiência dos produtos que anunciam. Gente que nunca, em tempo algum, precisou recorrer a empréstimos surge a convocar velhinhos aposentados, pobres assalariados e gastadores contumazes, a caírem nas tentadoras armadilhas da “agiotagem” legalizada, como se instituições financeiras fossem entidades bondosas e humanitárias. Isso para não falarmos do marketing político, pleno de mentiras deslavadas e desavergonhadas promessas, bem como dos falsos profetas, alarmistas profissionais que em muitos púlpitos pregam o medo, propagam o caos e prometem a salvação como se fossem delegados do Criador com o poder de conceder favores e Salvos Condutos para o Reino dos Céus no dia do Juízo Final, em troca de bens materiais.

     Mas, a leitura da crônica também me conduziu a reflexões mais profundas e lembranças mais antigas sobre os hábitos, princípios e os valores sobre os quais vêm se moldando a nova sociedade ao longo da nossa breve existência. Atualmente, as mudanças acontecem de maneira mais célere, principalmente, diante dos avanços tecnológicos que experimentamos. Quando menino, amparados sob os argumentos de se preservar a inocência das crianças, ao manifestar a curiosidade em querer saber como ocorria o nosso nascimento, os adultos sempre respondiam: - “É a cegonha que traz!”, e acreditávamos. Fizeram-me crer, durante longos anos, na existência de Papai Noel, para exigir de mim um bom comportamento e, diante do mais simples ato de rebeldia, lá vinha a ameaça do Bicho Papão. Até hoje, cultivo o hábito de não deixar calçados emborcados com os solados voltados para cima. Não sei se, no íntimo, ainda reside em mim aquela falsa crença que nos incutiam, de que a prática desse nosso tal descuido seria de mau agouro e, portanto, o responsável pela antecipação da morte dos pais. E olhem vocês, que os meus pais já habitam noutro plano faz tempo!  

     De fato, nos nossos dias, as mentiras, mais do que nunca, estão a permear, sem restrições, todas as instituições. Encontram-se presentes nas relações e nas grandes decisões empresariais e políticas como se fossem necessárias, ora para evitar o mal a si, ora para se evitar o bem aos outros. Ao analisarmos a história do mundo, nos damos conta de que a mentira se encontra, realmente, institucionalizada na cultura da humanidade. Governos são guindados e derrubados e guerras foram e são deflagradas a partir das mais inauditas inverdades. Prática comum nos mais diversos planos da nossa vida, tanto nas relações pessoais quanto no contexto do consumismo de bens, serviços e produtos e mais, bem mais, no cenário político. “Vidas Editadas” me fez refletir que, nos dias atuais, as mentiras ultrapassam os limites do verbo, assumindo caráter do pitoresco, do natural, do abominável e até do admirável.

     As mentiras invadiram as páginas dos impressos e das redes sociais, graças às imagens adulteradas pelo Photoshop, quiçá mais do que das palavras e, tal prática faz com que ela, a mentira, se incorpore no nosso dia a dia como se fosse um ato tão banal quanto salutar. Eis que estou vivendo para testemunhar este estranho fenômeno sem imaginar aonde tudo irá desaguar. Podemos ser enganados, podemos enganar os outros, mas, decerto, jamais poderemos enganar a nós mesmos, principalmente, quando for chegada a hora de prestarmos conta a nossa consciência. Por enquanto, vamos vivendo, além das palavras, o primeiro de abril todas as horas, em todos os dias do ano, manipulando imagens, brincando com coisas sérias e explorando a miséria alheia, na ilusão de quem assiste a um filme burlesco, sem nos dar conta de que estamos sendo induzidos a viver um enigmático e cínico processo de alienação e falsidade.

Jair Araújo - Escritor

Membro Correspondente da Academia de Letras , Artes e Ciências Brasil -ALACIB– Mariana/MG

e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas – SBPA      

A única certeza que se tem na vida é a morte, o restante são incertezas e ‘previsões imprevisíveis’. A astrologia, pseudociência que garante prover informações sobre, entre outros, assuntos relacionados à vida do ser humano, também se confunde, para não dizer erra, e feio, em muitas de suas teorias, portanto, o improvável será sempre improvável.

Muitas coisas acontecem na vida das pessoas de forma involuntária, mas existem situações que é possível que o indivíduo antecipe seus resultados. Porque meter a mão na cumbuca, (expor-se ao perigo; envolver-se com o que não deve), sabendo que a probabilidade de dar errado é infinitamente maior do que dar certo? Para se evitar ser uma ‘Maria vai com as outras’, ou seja, ser uma pessoa que prefere não ter seus próprios posicionamentos e opiniões, que se deixa convencer com facilidade, é necessário que se trabalhe a razão, buscando informações sobre o que realmente deseja.

Se com os meios de comunicação que eram disponíveis, até o advento da internet, como rádio e televisão, Já era possível se munir de informações sobre uma gama de assuntos, nos tempos atuais o conhecimento é quase que automático; se consegue ver, ler e ouvir tudo instantaneamente. Por tanto, desconstruindo a trivial frase “errar é humano”, não é aceitável a desculpa de cometer ou ter cometido um engano por não ter obtido um conhecimento antecipado.

O ser humano não está imune a erros que na maioria das vezes prejudica e machuca o físico e o espiritual, afetando não somente os que os cometem mais muitos outros que passam a serem vítimas das atitudes incorretas. É sempre bom lembrar que a decepção, geralmente fruto do excesso de expectativas, provoca mágoas e traumas e o arrependimento é algo que acompanha por toda uma vida.

Incitar o ódio e a violência são erros inconcebíveis ao ser humanos, vai de encontro inclusive aos princípios bíblicos.

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz. (Oração de São Francisco de Assis)

 

Por GervásioLima

Jornalista e historiador

Jolivaldo Freitas
 
Recebi dentre tantos e-mails e zaps que recebo e fico procurando saber onde o povo que não conheço consegue meus contatos e onde garimpa, um que me chamou a atenção pelo que se propõe a fazer o missivista, coisa que acredito não ser lá essa novidade toda no Brasil, mas que me surpreendeu. O moço disse que está na hora e vai começar uma campanha civilista para separar a região Nordeste do resto do Brasil. Diz que dessa vez é para valer pois o Brasil não merece o sangue derramado pelo nordestino hoje e historicamente. Pode acreditar e ele está cheio de argumentos e com tanta certeza que vai dar certo que nem ousei responder ao envio e me fiz de morto, quietinho; paisagem nordestina.
 
Dentre tantos argumentos usados por ele seleciono alguns, pois ele começa dizendo que o Brasil teve início na Bahia – que antigamente era geograficamente Leste Setentrional, mas mudou para o Nordeste nos anos 1960 por força política – e que desde o século XVI foi responsável por abastecer de alimento o resto do país e a sustentar com seus engenhos de cana de açúcar, com o ouro de das suas minas, o fumo, a mandioca e o gado um país dependente e ainda um coroa europeia.
 
O moço lembra que o Sudeste deve bastante ao Nordeste uma vez que foi a mão de obra nordestina que ajudou a fazer São Paulo o que é, com toda sua pujança industrial e econômica e também a moldar o estilo de cidade que hoje é e ele lembra que muitos dos que têm preconceito contra o nordestino são netos de nordestino, mas acha que sua origem é suíça.
 
O rapaz observa que a cultura do Brasil deve muito a Rachel de Queiróz, Jorge Amado, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Ruy Barbosa, José de Alencar, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Chico Anísio, João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos e tantos e tantos e até nas novelas como as escritas pelo baiano Dias Gomes.
 
Cita que historicamente foi o Nordeste que enfrentou o jugo português durante séculos até que o Brasil fosse libertado e lembra as lutas pernambucanas, as do Pará, do Ceará e notadamente o 2 de julho na Bahia, que sem ele os portugueses tinham continuado por aqui pois os sulistas não conseguiram tomar rédea no sete de setembro de 1922 e foi preciso que os baianos colocassem para correr as forças portuguesas com o rabo entre as pernas em 1923.
 
Com relação à população revela que um país como os Estados Unidos do Nordeste teria uma população de mais de 60 milhões de habitantes, maior que a imensa maioria dos países europeus. Que o possui nove estados numa área de quase 19 por cento do território brasileiro. Sobre a economia do novo país, é a terceira em relação ao Brasil inteiro de hoje, com grandes portos e grande crescimento, com regiões industriais, polos agrícolas como o Oeste da Bahia ou o Pólo Petroquímico de Camaçari, de Recife e outros.
 
E lembra que o novo país, o Nordeste iria ganhar muito dinheiro, fortalecer a economia justamente com a vinda do pessoal do Sul, Sudeste e Centro-Sul para curtis as belezas naturais e fez questão de colocar entre aspas: “pagando até para entrar pelas fronteiras”.
 
Está todo mundo louco. Olha que Dom Pedro II e José Bonifácio sofreram para unir o país. Devem estar se revirando na tumba. Loucos para um basta!
 
Jolivaldo Freitas é jornalista e escritor.

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