Resultado de imagem para Celso Tracco é escritor, palestrante e consultor

*Celso Tracco

Como sabemos, democracia significa o governo do povo ou para o povo. Apesar de ter sido idealizada na Grécia Antiga (Platão escreveu seu livro A República cerca de 400 anos A.C.), este sistema de governo ganhou força popular a partir da Revolução Francesa e, à custa de muito sangue derramado, foi se espalhando pelo mundo. No entanto, 230 anos passados daquela revolução que pregava a Liberdade, Igualdade, Fraternidade, menos de 15% da população mundial vive sob uma democracia plena.

Em nosso país, que em 2019 completa 130 anos de República, vivemos sob ditaduras ou sob presidentes indicados por voto indireto durante 46 desses 130 anos. Estabelecer uma democracia plena não é fácil em lugar nenhum do mundo. Um governo de iguais pressupõe uma população medianamente igual ou com uma desigualdade razoável, ainda que este critério seja subjetivo. Nada mais paradoxo do que isso no Brasil.

Somos um dos países mais desiguais do mundo, onde 1% da população detém cerca de 30% da renda do país. Mais de 40% dos domicílios brasileiros não possuem saneamento básico. Temos foro privilegiado para dezenas de milhares de cidadãos. Além disso, temos um sistema judicial com uma infinidade de recursos processuais. Portanto, quem tem poder e dinheiro para bancar bons advogados dificilmente pagará pelos seus crimes, bem ao contrário dos pobres que lotam as penitenciárias, e aí sim, tornam-se verdadeiros criminosos.

Nada é mais desigual no Brasil que o sistema previdenciário que, além de ser imoralmente desigual, é escandalosamente injusto. Em primeiro lugar deveríamos nos perguntar por que cargos públicos, cujos ocupantes foram eleitos, têm direito a aposentadoria? Ser político não deveria ser visto como profissão, e sim como um serviço que se presta à sociedade. O tempo que o cidadão empresta ao povo, sem dúvida, deveria ser contado para a sua aposentadoria, mas seria muito disciplinador que nossa Constituição limitasse o tempo que um cidadão pode exercer um cargo eletivo. Ninguém deveria poder se reeleger no mesmo cargo. É razoável pensar que vereadores, deputados e senadores que se reelegem por diversos mandatos, criem "feudos", se acomodem e esperem o tempo passar, aguardando sua "gorda" aposentadoria. Igualmente para os cargos do executivo, prefeitos, governadores e presidentes. Fim da reeleição já!

Isto permitiria uma oxigenação no sistema político, com uma renovação forçada de seus membros. Não assegura melhor qualidade, mas ajuda em uma conscientização de que política é um serviço, não uma profissão. Outro benefício: teoricamente, aqueles que manifestadamente entram na política para se locupletarem, pensarão duas vezes antes de tomarem sua decisão.

O sistema político brasileiro é anacrônico, corrupto, ineficaz e caro em sua essência. Consequentemente, suas ações são antidemocráticas por excelência. Vivemos em uma democracia que privilegia os poderosos, na qual as necessidades do povo são o que menos importa para os governantes. Até quando?

*Celso Tracco é escritor, palestrante e consultor - www.celsotracco.com

Resultado de imagem para MULHER QUER LIBERDADE, AMOR E RESPEITO
O8 de março, Dia da Mulher. “A criação do Dia Internacional da Mulher dá-se no final do século XIX, na Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, ao operariado”. Todo ser humano é fruto do seio de uma mulher. Mulher é uma heroína“se vira nos trinta”, cuida de casa, filhos, marido, pais, estudos e do seu campo profissional, quer dizer são três turnos na defesa do bem-estar da família e da sua beleza. É inadmissível a violência cada vez mais crescente contra a mulher, inclusive do governo quando aumenta o tempo de idade para a mulher ter direito a se aposentar na reforma da Previdência Social de Bolsonaro. Defendo uma emenda à Lei tornando a violência contra mulher, crime hediondo e inafiançável, considerando que alguns cidadãos não estão respeitando a Lei Maria da Penha. No entanto é preciso a mobilização das mulheres na defesa dos seus direitos, “Art. 5º -  I -  homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.
O governo tem o dever de prevalecer a Lei 11.340/06, Art. 2º “Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social. 3º Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”.
A violência contra a mulher banalizou geralmente possui motivação fútil. Ciúmes, alcoolismo, droga, questões financeiras e mau exemplo em família presenciada por filhos, são fatores exacerbadores, mas é o machismo e o sentimento de posse que determina à agressão física e verbal contra a mulher. A violência moral, doméstica e familiar contra a mulher virou um esporte na cabeça de determinados indivíduos e esta cultura o governo tem que coibir com medidas mais rigorosas.
O homem que violenta mulher por “amor”, ciúme ou vingança só cabe uma palavra: COVARDE… pois nada, justifica o ato de um homem covarde assassinar uma mulher por causa do fim de um relacionamento ou qualquer outra circunstância.
A violência gera violências negativas e psicológicas na família, nos filhos e na comunidade. Valorize a mulher com atitude de Homem. Eu amo seu jeito, eu amo seu olhar, eu amo seu sorriso, eu amo você! Mulher quer liberdade, amor e respeito!

Já era o tempo em que o Carnaval significava alegria e descontração, festa social com objetivo de comemorar o início da quaresma com a união das pessoas, independente de raça ou cor, através da folia. Quem diria que um evento criado pela igreja católica tomasse contornos tão diferentes. Perturbação, confusão, indisciplina, desobediência, tumulto, desordem e outros tantos substantivos do tipo podem ser usados para interpretar a festa popular mais famosa do mundo.

Enquanto no passado as pessoas se vestiam de maneira diferente da habitual, com trajes divertidos e inusitados como as ‘caretas’, as mortalhas e outros, o que se vê atualmente são corpos expostos, onde os adereços são as partes íntimas dos despidos. A liberdade aceitável do período momesco se transformou em libertinagem, com a falta de pudor imperando em todos os sentidos. Está tudo deturpado; o folião perdeu o sentido ao desrespeitar o próximo e muitos cantores ficaram sem noção com composições musicais desprezíveis, preconceituosas, discriminativas e com incitação ao sexo e a violência. Como diz o bom baiano, virou ‘um mangue’.

Tais comportamentos, não generalizados, já que muita gente do bem, inclusive famílias com crianças curtem a festa e pregam a paz, têm descaracterizado os tradicionais festejos, sejam eles nas capitais e nos interiores. A banalização da violência não é mais prerrogativa apenas de cidades grandes. Brigas, roubos, uso de drogas e até mesmo atos obscenos em público têm afugentado o público de festejos tradicionais de rua. Para se divertir com segurança o pândego precisa desembolsar muita grana.

Misericórdia, coitado do Carnaval, é muita coisa ruim para evento só. Mas não se apoquente, onde existe o negativo também existe o positivo para contrapor; as pessoas do bem continuarão existindo em maior número, e como festa envolve gente não será difícil se divertir com os bons.

Se precaver deve ser o principal comportamento dos que defendem a tese de que “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.

 

“Lembro com muita saudade

Daquele bailinho

Onde a gente dançava

Bem agarradinho

Onde a gente ia mesmo

É pra se abraçar...” – A raposa e as uvas – Reginaldo Rossi.

 

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador

Jolivaldo Freitas

Carnaval sempre foi assim desde quando era época da Antiguidade, lá da Grécia, Roma, Mesopotâmia e dizem que até na China e desde quando se dizia em latim, carnis levale, que é a mesma coisa que tire a carne da reta, brincadeira, pois era relativo ao jejum e outros prazeres que o pessoal da Igreja Católica queria porque queria, como se fossem a ministra Damares, enquadrar a festa e tomar conta da vida dos outros sem cuidar da sua.

A Babilônia, sim, sabia fazer festa de Carnaval que eram as Saceias. Imagine que lá um prisioneiro podia tomar o lugar do Rei por uns dias, beber, comer, fornicar, beijar, mandar. Chato era que depois da festa ele era chicoteado, empalado e enforcado. Parecendo assim, como cara casdo quando volta para casa na quarta-feira de cinzas. Nos dias anteriores ao equinócio de primavera na parte de cima do antigo Mapa Mundi, também o rei era surrado, para aprender a ter mais humildade. E isso virava uma festa.

 Então à essa altura já deu para entender que Carnaval é feito para que a ordem seja subvertida. Sair do senso comum. Enfiar o pé na jaca. Cair de boca. Botar para lascar. Lascar em banda. Quem bem sabia disso eram os romanos com suas Saturnálias e as Lupercálias. Festas – que como dizem os repórteres de TV ao vivo – não tinha dia nem hora para acabar. Pura esbórnia, parecendo a grande saída, depois do esquenta, do bloco Filhos da Pauta News, que juntou jornalistas no Furdunçu e foi coisa de nunca mais esquecer. Meninas lindas, meninos lindos, todos lindos, confraternização, sem juízo, com juízo “olha o tiro” e o gosto permanente de alegria na boca. Fui até padrinho e Camila Marinho madrinha. Querer mais o quê? Nem a Santa Inquisição segurava.

Já no século XI os homens se vestiam de mulher, embora você ache que é coisa de hoje. Invadia-se as casas e roubava-se beijos das moças e das casadas e nem adiantava o #nãoénão. Nem os mortos escapavam das brincadeiras. No período do Renascimento foi que em Veneza se viu surgir a festa mais ampla onde ninguém era de ninguém e o porre uma filosofia. Muita máscara, muita música, muita pegação. E você pensando que é coisa de hoje.

Até mijar em qualquer lugar tanto valia em Roma, na Grécia ou na Conchichina. Por aqui então... Lembro de carnavais no nosso centro da cidade, onde havia lugar certo para fazer xixi: Beco da Ribeira, Beco Maria Paz, no muro do Instituto Feminino no Politeama, embaixo do viaduto do Politeama, no Rosário, na Ladeira da Preguiça, na Ladeira da Misericórdia, na Ladeira da Conceição, na de Santa Teresa, na Ladeira dos Aflitos, na Rua do Tesouro, na Ladeira da Praça, embaixo do Viaduto da Sé, na rua da Bandeira e se não desse para esperar os amigos faziam uma roda e ali mesmo no meio do povo, atrás do trio, no meio do asfalto o rapaz ou a moça se aliviava. E havia um acordo tácito de ninguém olhar.

Em 2014 vereadores de Salvador decidiram tomar conta do xixi e fizeram uma lei para multar que urinasse na rua. Claro que não pegou. Mas, desta vez o mijo está liberado, disse a Secretaria Municipal de Ordem Pública. E disse que pode até fazer o número dois que está tudo liberado pois não haverá ação neste Carnaval. È que não tem número suficiente de fiscais para tomar conta das coisas dos outros.

Enquanto isso, chegou o Carnaval e os moradores da Graça e Ladeira da Barra começam a fugir dos bairros, mais que venezuelano de Nicolás Maduro, pois a Semop, a Prefeitura, não consegue com que os trios que ficam estacionados no terreno da Feira da Fraternidade respeitem a Zona de Silêncio. Mas, como eu disse antes, Carnaval foi feiro para subverter.

Criança é fogo, né? Que fase maravilhosa essa... É tudo tão simples e verdadeiro... A criança é muito pura e acredita em cada coisa... Eu tenho um primo por parte de pai que quando era garoto vivia dizendo que quando crescesse queria aprender câmera lenta. Outros coleguinhas andavam desejando, sinceramente, ser o The Flash e se deslocar para vários lugares em altíssimas velocidades; outros queriam voar como o Super-homem, ou subir pelas paredes como uma aranha. E eu mesmo já andei pela rua com um martelão de madeira, achando que era o Poderoso Thor. Esses superpoderes sempre povoaram a imaginação da criançada e até seguiram em desejo interno no coração de jovens de todas as idades. E, é claro, por serem pura fantasia, jamais veremos nas ruas alguém passar como um vento, ou subir pelas paredes sem aparatos, ou levantar um ônibus com uma das mãos. Mas desses superpoderes fantásticos encontrados nos heróis das fantasias infantis, um em especial parece estar entre nós. Se não, efetivamente como uma dádiva de Odim, pelo menos em seus efeitos. Você já ouviu falar do homem invisível? Recentemente isso voltou à baila através do filme “O quarteto Fantástico”: trata-se de um grupo que passou por um processo de mutação, devido a radiações elevadas no corpo, e um deles teve os músculos transformados em pedra, outro passou a desenvolver a capacidade de ficar em chamas e voar velozmente, outro podia estender-se como borracha, e outro descobriu que podia tornar-se invisível quando quisesse. Aqui e acolá o cinema explora o tema da invisibilidade humana, por ser essa fábrica de sonhos, e poder levar as pessoas, ainda que por algumas horas assentadas numa poltrona, a lugares impossíveis de se ir; conceber o que não existe, e fazer o que a natureza humana não pode realizar. Bem, a tecnologia e a coragem podem fazer coisas espantosas mesmo. Um americano, por exemplo, conseguiu a proeza de “voar” sete quilômetros, a 200 Km por hora, saltando de um avião, usando apenas uma roupa especial. Coisa fantástica (tem cada maluco), mas o Super-homem não existe. Usando aparelhos cada vez mais sofisticados e impressionantes, o homem já consegue se locomover a incríveis velocidades, mas o The Flash também não existe. Mas, o homem invisível existe sim, sabia? Ele é capaz de entrar e sair de lugares públicos onde grandes interesses pessoais estão sobre a mesa, sem ser notado, principalmente quando há dinheiro envolvido. Já tive a experiência muitas vezes. Isso é incrível!

Itamar Bezerra.
Teólogo, escritor e poeta


Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player



banner adv