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Jolivaldo Freitas

Ela estava lá, entre as páginas 81 e 82 desta obra escrita pelo gaúcho Érico Veríssimo, que vem a ser o pai de Luiz Fernando Veríssimo, pequena, seca como se fosse de madeira e madeira em seda fina é, espraiada e esparramada como se fosse uma gaze fina. Uma folha inerte, pequena, do tamanho de uma falange, unha, quedada por muitos anos. Estava presa na escuridão do livro de título “Olhai os lírios do campo” desde quando foi adquirido por alguém. Seria uma leitora romântica, voadora, cabeça no tempo, imaginando romances verdadeiros, plausíveis, viajando nas palavras férteis escritas pelo autor, sabe-se lá há quanto tempo, quantos dias, quantos partos, santas dores, muitos prazeres em noite mal dormidas ou dias enfrentados datilografando em sua Remington ou Royal e suas teclas quebradas e fitas que manchavam.
Ou seria um vetusto senhor, de idade avançada pensando como eram belos os lírios do seu tempo, em detrimento das flores dos tempos de agora, do tempo dele, relembrando seu passado de amores e prazeres, de hedonismo incubado ou escancarado, de como o tempo passa. A vida segue. As folhas secam.
Ou a pétala – folha – ainda retém em seu aprisionamento entre as páginas de papel apergaminhado – a mensagem de um amor correspondido, um amor solicitado, um amor ocorrido? Um amor perdido, pois quem guardou a folha, ou é uma pétala pois o rigor do tempo agindo mesmo dentro de um receptáculo escuro e seco retirou parte da sua característica primal, com certeza decidiu ajudar à memória retendo o momento mágico em que recebeu – teria sido um ramalhete? Uma unidade? Uma quantidade? – o mimo guardou no fundo do coração e no abissal que perfazem as páginas 81 e 82. E porque estas páginas e não a 90 e 91 ou a 153 e 154, vá saber. Muito embora nestas páginas tenha sido marcada, cravada, impressa que foi e que o branco do tecido hoje encontra-se sépia, como amarelecida é a passagem do tempo, onde o autor nos diz “Ele sentia a fragrância que vinha dela, num perfume quente e doce. Sua perturbação agora era de outra natureza. Pensamentos confusos lhe enevoavam a mente. Contemplaram-se em silêncio por breve instante. Ela sacudiu a cabeça devagar, largou o cigarro no cinzeiro e disse:
- O senhor é um exemplar raro duma espécie quase desaparecida.
- Ela está me assando em fogo lento – refletia Eugênio, sentindo a raiva voltar. ”
Interessante é que a folha – seria pétala? – está assentada justamente na frase seguinte em que o personagem pergunta: “E que espécie de mulher seria a senhora? ”
Eu releio os diálogos, adivinhando algumas palavras entrecobertas pela pétala – seria uma folhinha? –, com cuidado para não a retirar do seu espaço marcado, cravado, do seu sonho profundo, vez que quem colocou a lembrança ali, o fez no dia 2 de dezembro de 1960, conforme escreveu e marcou na primeira página do livro em letra desenhada com pena e tinta nanquim, colhida, provavelmente, de um velho tinteiro de vidro ou de cristal e garranchada sobre a – quem sabe, divago - mesa de uma escrivaninha com gaveteiros em jacarandá, imbuia ou cedro de verniz escuro, no melhor estilo vitoriano.
Sinto-me mal em mexer na plantinha – seria uma folha ou uma pétala? – ali postada como se fosse guardiã do tempo em um livro que pela força dos anos requer muito cuidado, com suas folhas frágeis, páginas que se soltam, costura que descostura e cola que se se descola. E com todo cuidado que um velho livro de bolso requer depois de quase 60 anos de manuseio ou entocado no sebo em que o adquiri, chego à página 122, na Segunda Parte, Décimo Terceiro Capítulo e paro buscando entender a assinatura que paira na primeira página, onde o leitor ou a leitora que se chamaria C. Kuder – será que a Internet me ajudaria a encontra a família? - se fez imortalizar como a obra e o autor pelo menos num compêndio frágil. Vou mandar recuperar e assinarei ao lado. Vou junto na história. Acrescento mais uma pétala? Uma folha? O que será quando alguém encontrar no futuro?
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Por absoluto respeito às opiniões, resisto muito em manifestar-me sobre política. Mas, às vezes, custa-me o silencio, diante da desfaçatez, dos argumentos imbecis e, principalmente, dos absurdos praticados contra a vida, em nome de ideologias de qualquer natureza.

      Sob o biombo da democracia, os governos ditos de esquerda, conservadores ou de extrema-direita, praticam semelhantes atos. Todos trafegam no caminho dos conchavos, do autoritarismo, da mentira, da hipocrisia, da corrupção e do cinismo. São traiçoeiros e planfetários. O que desejam mesmo é a perpetuação no poder.

     Os partidos e os políticos são craques na maquiavélica estratégia de se unirem para o jogo da conveniência, a fim de alcançarem e manterem o poder e os interesses pessoais.

     Às favas a Pátria e o povo!

     Infelizmente, para muita gente, as evidências materiais nada representam. Atualmente, temos presenciado incontáveis exemplos pelo mundo a fora, de defensores de execráveis atos, que vão desde os desesperados êxodos dos milhares de cidadãos de diversos continentes em busca de pão, trabalho e paz; aos assassinatos cometidos, à luz do dia, pela turba de delinquentes bolivarianos ou por revolucionários da América Central.

     Em pleno século XXI, mulheres e crianças estão se alimentando de lixo ou carne em estado de decomposição, diante dos olhos indiferentes das autoridades de sua própria pátria.

     Nada justifica o fratricídio, principalmente sob o falso pretexto de que as medidas de governo são para o bem dos mais pobres, como sempre procuram nos incutir.  Quem, verdadeiramente quer o bem, não mata os seus irmãos, para viver na opulência.    

     Infelizmente, tanto a direita redentora quanto a esquerda salvadora da Pátria, mascaradas de democracia, têm se valido de muitas das supostas “virtudes” e dos “defeitos” de antigos e insensíveis ditadores. Os presentes fatos comprovam isso: as negociatas políticas (antes tão criticadas), o fisiologismo e o apego ao poder, a traição aos eleitores, a covardia no enfrentamento com as Instituições Financeiras Internacionais (antes consideradas vilãs e ameaçadoras), a repentina mudança de princípios e conceitos em relação aos valores ético-morais e às questões relativas ao trabalho versus capital, da política sindical, da estigmatização dos servidores públicos, da desvalorização dos profissionais que atuam nas áreas de segurança pública, saúde e, principalmente, educação.

      Seria ingenuidade, não admitir de que sempre estaremos fadados ao risco de confiar num herói e no seu batalhão de intelectuais militantes e estrategistas de ocasião. Pois, sempre haverá a possibilidade de, ao assumir o poder, contrariando as expectativas, o herói mostrar a sua verdadeira face e, ao ser seduzido pelo poder, também transformar-se no mesmo monstro pilantra, cínico, dissimulado e matreiro, como tem acontecido de forma recorrente em certas republiquetas da África e da América Latina.

     Não creiamos na invulnerabilidade dos monstros. Eles vociferam para atemorizar, tentam enganar, mas bem sabem que só viverão até o dia em que nós os alimentemos com essa nossa crença e o nosso medo.

     Para um povo que tenha a sua consciência despertada pelo saber ou pela privação e pela fome, não existem heróis. A história é testemunha de que todos estão mortos. O povo é que tem de lutar para que a Nação possa dar certo.

      O povo consciente sabe, ou, pelo menos deve atentar para o fato de que a solução não se encontra à direita, nem à esquerda, nem no centro, tampouco na periferia. Pois, para se alcançar a busca pelo bem estar, por uma melhor qualidade de vida, por dignidade, se faz inteiramente dispensável a ideologia político-partidária. Para tanto, bastaria que os governos praticassem os seus atos com ética, moralidade, honestidade e transparência e que a sociedade execrasse os oportunistas e a impunidade, sem exceção.

       Em geral, as lutas de classe são induzidas por aqueles que delas objetivam proveito. Está patente que as doutrinas ideológicas só cumprem o que prometem, na teoria. Na prática tudo é utopia.

        E para o despertar da consciência, a educação é a base. É o principio, é o meio e o fim para se construir o desenvolvimento social e fortalecer as instituições. Não existe Estado com povo ignorante, sem consciência política e vivendo em miséria social. A educação é a grande força transformadora de qualquer povo e, por consequência, de qualquer nação.

     Nenhum governante movido tão somente por interesses partidários-ideológicos deu ou dará prioridade à educação do seu povo. Os projetos, de praxe, são todos voltados à manutenção do poder e, para tanto, se valem das propostas assistencialistas, populistas, humilhantes. Nesse caminhar, dificilmente se alcançará o desenvolvimento e a estabilidade social.

     Tais nações estão fadadas a continuar sendo, dependentes da tecnologia estrangeira, do capital externo e, consequentemente, subservientes aos interesses dos mais prósperos e poderosos.

     Países que vivem sob a égide de ideologias de esquerda, na prática, não destoam dos que adotam o liberalismo em se tratando de concentração de renda e desigualdade social. Em ambos têm existido, cada vez mais, os poucos que comem muito e os muitos que comem pouco. Prova disso, é que no período de 1980 a 2016, a concentração de renda existente nas mãos de 10% da população mais rica passou de 21% para 46% na Rússia e de 27% para 41% na China, enquanto que, na maioria dos países de regime capitalista a elevação de tal índice foi mais moderada.

    Diante de tal realidade e do que temos assistido em relação às manifestações sociais, é quase impossível compreender o poder da abdução pelo fanatismo que obnubila o cérebro e a visão crítica, inclusive, dos mais letrados. A doutrinação emburrece e tornou-se a principal responsável pela ideofobia e raivosa intolerância, que tomou assento nas supostas camadas mais cultas da sociedade.    

     Para alguns, felizmente, apenas para alguns, o discurso cínico dos ditadores, dos ideologicamente comprometidos e dos teóricos e simpatizantes de alcova, a doutrina vale mais, muito mais do que a realidade dos fatos.

     Os piores cegos são aqueles que podem ver, mas se negam a abrir os olhos para enxergar.

      Mais aceitável a cegueira do mentecapto do que a dos fanáticos contaminados pelas doutrinações ideológicas. No documentário independente, de autoria de João Moreira Salles, o escritor Jorge Amado, ao falar sobre o seu passado de ex-militante e ex-político, encerra o seu depoimento, dizendo: “A ideologia, você quer saber o que é que é? A ideologia é uma merda.”.

Jair Araújo - escritor

Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas.

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Jolivaldo Freitas

Ando até querendo me envolver com as eleições, mas está tudo um “inferno”, como diria Carola, mulher de Beto Falcão que acabou de levar o maior corno da história das novelas. Está complicado escolher um candidato que traga alento para minhas aspirações e se depender dos slogans de campanha e programa de governo não vai dar, embora eu não queira engrossar o Ibope de votos brancos e nulos e terei de terminar votando em uma miséria qualquer, por ser melhor do que nada e dentro da filosofia estritamente brasileira de pior do que está não pode ficar ou que venha o menos ruim.

Estive prestando atenção nos slogans criados pelos marqueteiros para os candidatos à presidência e não consegui me identificar, uma vez que Marina da Rede me diz que “Não dá mais...” Aí fiquei pensando: não dá mais o quê? Quer dar dê, ninguém tem mesmo nada ver com isso. Se der, deu!

João Goulart do Pátria Livre diz que “quem gosta do Brasil vota” (nele), daí lembrei que todos gostamos do Brasil e se for dentro dessa ideia le terá a totalidade dos votos dos brasileiros e confrontei com uma premissa do governo militar, quando em plena ditadura – que o pessoal mais jovem não sabe porque não viveu e acha que não aconteceu e os mais velhos que vivenciaram estão com problemas de memória e não lembram que ocorreu – disse: “Brasil, Ame-o-o ou Deixe-o”. Eu era garoto e amava o Brasil, mas na frase eu ficava admirado era como o artigo depois da palavra. Uma frase bonita por fora e feia por dentro, uma conceituação fascista.

Já o Cabo Daciolo, aquele que deve curtir a Chapada Diamantina nas férias para ver disco-voador e deve caçar ETs em Varginha, me diz que “Deus está no controle”. Aqui em casa minha filha é Deus pois não consigo tomar o controle da TV da sua mão. É uma briga todo dia pelo controla da tv a cabo. Mas qual será o controle que Deus está na mão? Vá saber o que o abduzido Daciolo Patriota está dizendo. Coisa só para iniciados.

Lá vem Eymael com seus olhinhos apertadinhos, cara de quem está cometendo uma inconfidência e tocando terror vocifera: “Sinais, temos sinais”. Que diabo ele está querendo me dizer. Sinal do fim do mundo? Sinal da chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse (Peste, Guerra, Fome e Morte)? O sertão vai virar mar? O Mar virar sertão? Trump sofrerá impeachment? A China vai dominar o planeta?

Meirelles do MDB, me olha e diz: “Me chame que vou”. Pensei: - Não vá para a casa da zorra, não! Veja se vou chamar Meirelles! Ele tem cara de que vai para a balada e na hora de dividir a conta finge dor de barriga e se esconde no banheiro. Tem jeito de que pechincha na hora de pagar picolé Capelinha e coloca prego nas tiras das havaianas quando quebram. Tô fora!

Me aparece do nada o Ciro Gomes garantindo: “Você quer, você pode! ”. Taí. Ando querendo um veleiro de 42 pés, uma lancha, uma cobertura na Vitória. Um papo com Bruna Marquezine. E tirar uma unha encravada sem sentir dor.

O que dizer de Boulos que me mande ir para o Facebook, e se vou para o Facebook só encontro malucos irados trocando ofensas, tanto em sua página como das dos outros. Me abstenho.

Alckmin olha para a câmara e só faltando apontar e garante: “Não sou diferente de você!”. Caramba, paro e reflito, será que sou tão sem graça assim. Será que ninguém realmente gosta de mim? Vade retro.

A Vera do PSTU me mata logo de susto quando aparece no programa eleitoral gratuito e garante: “É rebelião! ”. Pasmo coro para a varanda para ver se os estudantes foram às ruas, se os idosos estão se arrastando em turbas, se os militares tomaram de novo o poder, se dessa vez a ditadura será de esquerda, se as mulheres decidiram que o Brasil é delas. Mas a rua, pelo menos a minha está calma. Mas ando preparado para a rebelião. Vá saber! Vera passou uma fake News e eu engoli.

Surge Haddad, que já nem sei se é ele ou Lula, pois Lula disse que não é mais huimano é uma ideia e acho Haddad uma ideia de corno, que não sei quem é quem e garante “O povo feliz de novo”. Faz tempo que ando triste e já acho que nem para povo sirvo, pois cadê a tal da felicidade que não bate na minha porta?

Bolsonaro aparece, olha para o céu a afirmar: “Brasil acima de tudo”. Zorra, se ele olhou para cima significa que o Brasil está ou flutuando, ou levitando, ou voando ou vai cair na nossa cabeça. Senão porque ele estaria falando e olhando para cima?

E para completar meu martírio, minhas preocupações, logo em seguida aparece Álvaro Dias e manda que “abra os olhos”. Já não consigo dormir.

Meus Deus, me ilumine. Me mande um voto marcado.

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Jolivaldo Freitas

Vamos lá. Uns 19 réus e mais um punhado de dúzia de acusados pela Lava Jato, PGU e tnatas instituições de Justiça disputam estas eleições. E, pasme, boa parte está mesmo seguindo bem, conforme as pesquisas e a vontade popular. Nada demais se levarmos em conta que nosso belo país tropical, de águas claras, céu azul, praias mansas e céu de brigadeiro – ou seria de capitão? –, hoje é dominado e gerido mesmo, mesmíssimo de dentro dos presídios. Eles mandam de lá e a gente obedecendo de cá; não fará nenhuma diferença.

Se os bandidos amadores podem, muito mais podem os bandidos profissionais que são os políticos azuis, vermelhos e brancos, amarelos, verdes... Parte dos bandidos de calção e rider ou havaiana, determinar a morte dos adversários, daqueles que devem ao contrabandista, mandar roubar carga, distribuir pó e maconha, cigarro contrabandeado e distribuir seus potentes fuzis somente usando um telefone, porque os políticos não podem fazer o mesmo, pois se são eles culpados pela morte nas filas do SUS, nas ruas, nas escolas na fila da aposentadoria e nas feiras.

Para o país será até mais barato ter um presidente, governadores, senadores e deputados atuando de dentro da cadeia que usando apartamento funcional, mansões em Brasília, com 100 assessores, cinco amantes, quatros motoristas, 20 seguranças. Excetuando-se as amantes, que só poderão aparecer de 15 em 15 dias, o restante já tem lá mesmo na prisão. E, como são bandidos profissionais saberão formar um ministério atuante e operante.

Fico a pensar o seguinte: se os políticos-bandidos estão na Lava Jato, na cadeia ou agindo e mesmo assim conseguem altos índices de popularidade com as intenções de votos e baixa rejeição, qual será o perfil do brasileiro? São bobos alegres?; comparsas?; colegas? Ou “sabem nada inocente! ”. Não acho que haja inocente no Brasil de tanta malandragem, cantada, falada, em prosa e em verso e nas canções.

Imaginemos um cenário que agora não existe mais. Se Lula fosse candidato (coisa que a Justiça Eleitoral já cortou pela raiz) como seria ele governar o país de dentro da cadeia da PF, pois nem ele teria como dar um indulto para si mesmo? Mas saiu Lula a entrou Haddad e o petista está na mira pois é alvo de processo na Justiça Eleitoral de São Paulo. Se ganhar vai dirigir da Papuda. No Congresso busca a renovação do mandato, um Edison Lobão que está encalacrado até o uivo. E Renan Calheiros que é apontado pela PGU como partícipe do chamado “quadrilhão” do MDB. Tem também Benedito de Lira (PP) na mesma situação.

Está achando pouco, então lembre que o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTC) é candidato a governador por Alagoas e réu acusado de corrupção, lavagem e organização criminosa. Jader Barbalho (MDB), denunciado sob suspeita no caso do “quadrilhão” do MDB assim como Ciro Nogueira (PP). Está pensando que Geraldo Alckmin é anjo? Está sendo acusado de improbidade pelo Ministério Público de São Paulo. Até José Maria Eymael com aquele linho apertado e jeito de anjo é investigado, pois foi dedurado pelo pessoal da Odebrecht.

Ciro Gomes foi acusado por assessores de estar até o pescoço envolvido numa tal de chantagem de empresas lá pelo Ceará, coisa que nega, mas que foi mostrado por revistas nacionais e até agora a única coisa que fez foi vociferar. Se for confirmado vira reéu e condenado – caso ganhe a eleição – também dirige o Brasil de dentro das grades. Bolsonaro não está na Lava Jato mas tem o caso da funcionária-fantasma ou sabe-se lá o quê.

Por aqui tem – a Bahia não podia ficar de fora – temos nosso envergonhador-mor Lúcio Vieira Lima, com seus tiques nervosos e investigado por caixa dois e outros segredos guardados nas malas da memória. Seu irmão Geddel preferiu não sair candidato o que é uma perda para o time que vai mandar no país de dentro da cadeia, pois em quem você votar vai ter as digitais em alguma coisa. Já que política no Brasil faz com que o político coma e se lambuze. Agora, pergunte ao eleitor que pretende votar nesses candidatos se estão fazendo errado? A desculpa – que foi criada pelos defensores de Lula, virou mantra no PT e foi assimilada pelos outros partidos desleais à Nação – é: “A Justiça não tem provas”.

Pois então caros eleitores sem noção: Bata-me um abacate!

Ou como diria o sarcástico jornalista baiano Ary Coelho, meu amigo lá do Rodin: “A gente se lenhamos”.

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Certa vez, o meu filho solicitou orientação sobre determinado endereço, aonde ele deveria encontrar-se com algumas amigas. Informei que o local tinha como ponto de referência o Paes Mendonça.

     Ele me olhou com expressão de espanto. - O que houve? Perguntei! Imediatamente ele indagou: - Próximo a quê?  Ao Paes Mendonça, repeti. O supermercado, acrescentei. - Pai! O senhor quer dizer, ao Hiper Bom Preço, não é? – Ah, filho! É a mesma coisa. Para mim é tudo a mesma coisa. Mas, na verdade, não era a mesma coisa. Nunca mais será a mesma coisa. Naquele momento, dei conta de que estou ficando passado, quero dizer mesmo, “velho”, e de que as coisas passam mais depressa que o próprio tempo. Inclusive, o nosso vocabulário.

     Outro dia, num restaurante, enquanto aguardava o pedido, dei de bisbilhotar a conversa da mesa vizinha. Um senhor, pouco mais velho que eu, conversava com um casal de jovens. Deduzi tratar-se de avô e neto, acompanhado este, da namoradinha. O jovem relatava sobre um experimento que havia realizado no laboratório da escola com o seu professor de química. A conversa ensejou o avô recordar, levando-o a contar que, quando o pai do rapaz ingressou no ginásio ele o presenteou com um bonito estojo cheio de substâncias e vidrarias. O seu pai adorava realizar os experimentos químicos, orientado pelos prospectos. O jovem imediatamente atalhou a fala do avô, com a mesma fisionomia de espanto do meu filho quando citei a expressão Paes Mendonça, e questionou: - O que vô? Pros... O que? -Prospecto, pros-pec-to, meu filho, prospecto. O formulário que orienta como devem ser realizados os experimentos, ora bolas!  Ah! O manual, o roteiro, retrucou o jovem. - Ué! Isto não é a mesma coisa?- É isto mesmo, o roteiro de orientação para realizar as experiências. O neto disse nunca ter ouvido tal palavra e que este termo não era mais utilizado. O vô, demonstrando irritação, falou que o termo ainda era de uso corriqueiro por muita gente que ele conhecia. - Vô, só se for muita gente do seu tempo. Hoje não se fala mais. Nunca ouvi esta expressão, completou. - É, entendo, é uma pena. Mas me deixe concluir. Então, continuou a sua história dizendo que na época não havia esse negócio de jogo de computador e, talvez por isso, o seu pai ficava horas e horas fazendo aqueles experimentos. Orgulhoso, concluiu afirmar ter sido ele um dos melhores alunos do colégio. - Ah! Então é por isso que o papai é nerd. Acrescentou o jovem. Foi a vez do septuagenário se manifestar aturdido, para questionar: - Ne..., o que? O que é isso? Nerd. - Nerd é uma pessoa inteligente, vô. Uma pessoa que de tanto se concentrar no estudo fica descolado da realidade. Assim como até hoje é o papai. Meu pai, todo mundo diz que é um nerd.

     Então, dei-me conta de que certas expressões são como fósseis guias, que servem para datações do tempo. Palavras se congelaram num determinado período da história da sociedade e são capazes de denunciar existências. Representam um perigo, tanto para os jovens que querem parecer mais velhos, e certamente muito mais para os velhos que pretendem parecer mais jovens.

     Mais uma vez, recordei-me do Rubem Alves, sempre o Rubem. Conta ele, no texto “Palavras obsoletas”, ter se sentido velho ao falar a palavra “aeromoça”. Retrucaram dizendo-lhe que a palavra é “comissária”, pois “aeromoça” é palavra que só velho usa.

    Conheci um contador que iniciou a sua profissão, ainda no tempo em que os registros eram manuscritos em livros. Atravessou ele a evolução dos meios de controles contábeis, passando pelas máquinas de escrever até a chegada do processamento informatizado.

     O computador chegou para mudar o mundo e, neste bojo, o negócio da contabilidade deu uma surpreendente guinada. Logo o homem informatizou o seu escritório, para não perder mercado, visto que os profissionais mais jovens já estavam integrados à nova realidade. Ao descobrir a internet o homem se apegou à máquina, não para o desenvolvimento dos seus trabalhos; deles cuidavam os seus funcionários. Encantou-se com o Messenger. À época, ainda não haviam Skype nem WhatsApp. Mesmo assim, o mundo ficou às suas mãos. Podia ele se conectar com todo o planeta num piscar de olhos. O Messenger, que coisa fabulosa, dizia. Esse incrível programa o libertou daquele reprimido poder que tinha de dar asas às suas fantasias mais mundanas, mais promíscuas. Varava madrugada deliciando-se em bate papos com mulheres dos quatro cantos do país.

     A coisa era tão boa que, certa noite, para desespero dos familiares, distraiu-se tanto após o expediente, que continuou trancafiado na sala até as cinco e tantas da manhã, sem se dar conta do tempo. Para ele o computador tornou-se mais um instrumento de prazer do que uma ferramenta de trabalho. Noutra madrugada, conectou-se com uma nova parceira e começou o bate papo. O nome da moça era Verônica. Segundo ela, digitava do Belém no Pará. Ele acostumou-se a enviar versos de poetas pouco conhecidos como se fossem da sua autoria. Falava coisas maravilhosas. Aquelas que todas as mulheres carentes gostam de ouvir.

     Depois de ter o seu pedido do envio de uma foto atendido, o homem impressionou-se.     

     Digitou: você é uma beldade! Ela, num apelo de retribuição, também lhe solicitou uma foto. O homem não teve dúvidas. Resgatou dos seus arquivos a fotografia de um dos seus filhos, anexou e pluft, lá se foi. Ao receber a foto a moça respondeu: – Você é um gato, hein!

     A conversa ficou animada e ele, entusiasmado, perguntou: – qual a sua idade? – Dezenove. - E a sua? Respondeu, perguntando. Adivinhe! Respondeu ele tentando distraí-la com mais uma estrofe romântica. Mas, ela insistiu: - Qual a sua idade? Ele pensou rápido e respondeu:- vinte e três, meu broto. E acrescentou:- gostei dos seus olhos, e que corpo você deve ter, hein?! - Saiba que achei você uma garota “titirrane”! Num instante veio a resposta: - Qual é coroa? Se liga, vovozão! Com este seu palavreado você não me engana, não come ninguém. Pelo jeito, não deve ter menos do que setenta e quatro, vê se se toca ô seu velho borocoxô...

     A guimba do cigarro que rolava no canto da boca iluminou a sala numa tragada profunda, quase suicida. Faltou-lhe ar. O teclado silenciou. Ela havia acertado em cheio a idade do homem. A idade real da moça ele jamais saberia. Mas, a dele foi delatada por suas palavras obsoletas. A mulher devia ser uma bruxa, uma vidente, ou, no mínimo, uma professora da Língua Pátria, – Ops! Falei Língua Pátria? É, até os vocábulos evoluem transformando-se mesmo em verdadeiros fósseis guia, datadores das nossas épocas.

Jair Araújo - escritor

Membro Correspondente da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil -ALACIB– Mariana/MG

e membro efetivo da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas – SBPA


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