Para nós brasileiros, intriga o fato de num território relativamente pequeno, como o Continente Europeu, existirem populações tão próximas com tantas diferenças culturais, sociais e diversidade de valores e costumes. Falar sobre suas paisagens, pontos turísticos e monumentos históricos é cair em lugar comum.

      Recentemente, eu e minha esposa, desta vez acompanhados de meu irmão e da sua esposa, completamos pouco mais de quatro meses circulando por alguns países. Apesar desse pequeno tempo, arriscamo-nos em externar, equivocadas ou não, impressões sobre o grau de hospitalidade entre os povos europeus com os quais mantivemos contato. Para dar uma ideia do aspecto que, realmente, pretendemos enfocar; ilustraremos com somente dois singelos exemplos ocorridos, dentre tantos outros que tivemos a oportunidade de testemunhar, durante as nossas viagens, os quais, particularmente eu, jamais esquecerei.

     Nos encontrávamos em Portugal, perdidos em meio ao trânsito congestionado e confuso de Coimbra, procurando o caminho para chegar à famosa e histórica Universidade daquela cidade. Aproveitando-nos de um sinal fechado, emparelhamos o carro com um furgão para pedir informações rápidas e precisas que pudessem nos orientar sobre o melhor caminho a seguir para alcançarmos o destino pretendido. O motorista, sorriu um simpaticíssimo sorriso desdentado e acenou com a mão dizendo: Sigam-me!

     Lá fomos nós acompanhando aquele furgão de entrega de mercadorias por ladeiras e ruas estreitas até chegarmos ao Paço das Escolas. Com as mãos, fizemos um gesto de agradecimento seguido de adeus. Porém, o homem parou o veículo deixando o motor ligado num local impróprio e correu até nós, evidenciando ar de alegria. Falou que se chamava Figo, o mesmo nome do jogador de futebol da seleção portuguesa, e que a mulher dele trabalhava num daqueles prédios da Universidade. A franca espontaneidade daquele riso meio banguela nos contagiou. Ele fez questão de nos orientar de como e quais os melhores locais para iniciarmos a nossa visitação.

     A gentileza e a vontade de nos ser útil parecia tê-lo feito esquecer dos seus próprios compromissos de entrega. Percebia-se no semblante e na fala daquele homem simples a satisfação e o orgulho que possuía em relação àquela secular instituição. Depois de um apressado bate papo, resolveu seguir dizendo que gostava do Brasil e dos brasileiros.

     Outro fato inusitado aconteceu-nos em Braga, cidade em que tivemos a oportunidade de passar cinco ou seis dias durante a Semana Santa. Ficamos hospedados num hotel distante do centro da cidade, no alto de uma Serra de bela paisagem, na Estrada Via Falperra Braga. Saíamos à tardinha para as visitações próprias de quem viaja a turismo, também com a intenção de assistirmos as famosas procissões noturnas que circulam pelas ruas da cidade velha, durante este período. Cada dia da Semana Santa um cortejo diferente. São cortejos longos iniciados às 21:30h, em ritmo lento, nos quais centenas de crianças, adolescentes e adultos caracterizados percorrem durante horas as ruas e vielas, num verdadeiro teatro de alegoria da Via Sacra.

     Não é à toa o ditado popular que diz: “à noite, todos os gatos são pardos.” Pois bem, de madrugada, retornávamos de um desses cortejos e, depois de diversas voltas procurando o local de acesso para a estrada que nos levaria ao hotel, nos demos conta de estarmos perdidos. Resolvemos então, voltar para o centro da cidade a fim de procurar um lugar seguro para solicitar informações de pontos de referência. A meio caminho, paramos num posto de gasolina. Havia apenas um carro estacionado numa das bombas de combustível. Dentro dele uma encantadora adolescente sentada no banco do carona. Não havia mais ninguém além dela nas imediações. O meu irmão saltou e, enquanto se dirigia à loja de conveniências, saiu dali um senhor de média idade, a quem foi de imediato solicitada a pretendida informação.

     Com muita paciência e boa vontade, o jovem senhor disse que retornássemos, dando-nos algumas referências para o ponto de acesso à deserta estrada da serra, onde ao final da subida encontraríamos o hotel. Contudo, alertou que à noite iríamos encontrar dificuldade para identificarmos o local. Incontinente, prontificou-se a nos conduzir até o referido lugar, apesar do seu destino ser do lado oposto, e acrescentou: Acompanhem-me!  Eu pararei no exato sítio em que deverão entrar para pegar a estrada. Ele entrou no veículo em que a garota se encontrava, deu a partida e nós os seguimos.

     No ponto em que deveríamos entrar ele ligou a seta, reduziu a marcha e parou no acostamento. De imediato, demos um buzinada e entramos na via que existia pouco antes de onde ele estacionara. Notamos, contudo, que ele saltou do carro, buzinou e demonstrando aflição acenou gesticulando de que a entrada não era aquela e sim a que estava à frente do seu automóvel.

     Todavia, lembramo-nos que em dia anterior já tínhamos conseguido acessar a estrada para a serra através desta mesma via e por isso seguimos. Adiante, vimos um carro na pista paralela tentando nos interceptar. Madrugada, estrada em plena escuridão, longe de casa e numa terra estranha, nossas esposas ficaram em pânico e começaram a gritar: não para, não para! Meu irmão parou.

     Não era outra pessoa, senão o jovem senhor. Ele veio atrás, temendo tomarmos outro rumo que não o pretendido. Meu irmão é pessoa fácil de fazer amizades e de identificar boas índoles. Saltou do carro para agradecer e explicar de que a partir dali saberíamos chegar ao destino. Era por volta de 01:00 h e fazia frio. O meu irmão teve a estranha e inexplicável ideia de convidá-los a nos acompanhar até o hotel a fim de bebermos um vinho e comermos alguma coisa. A princípio o homem declinou, entretanto, diante da insistência aquiesceu.

     Sentamo-nos no bar do hotel e começamos a bater animado papo como se fôssemos velhos conhecidos.

     Era um domingo de Ramos. Antônio Sousa (Embora este relato seja totalmente verídico o autor optou por atribuir nomes fictícios para o jovem senhor e sua filha)  disse, que estava regressando da praia, naquele que era um dos primeiros finais de semana em que passara com a filha Maria, de quinze anos, resultado do acordo firmado depois de sua recente e traumática separação, motivada pela traição da esposa com o seu melhor amigo.

     Disseram que ainda não tinham se alimentado, portanto, preferiram sucos e sanduiches. Depois do lanche Antônio compartilhou do vinho que bebíamos. A conversa delongou e o barman, pedindo desculpas, disse que já havia passado da hora de fechar o bar. O papo continuou noutro ambiente do hotel.

     Com lágrimas nos olhos e diante da filha, Antônio confessou que estava aos trancos e barrancos, conseguindo, aos poucos, emergir do profundo mergulho depressivo que havia lhe devorado a alma. Relatou todo o drama. Disse, ter quase chegado a perder o tino e pensado em cometer asneiras. Passamos-lhe mensagens positivas, na tentativa de dar-lhe forças para superar a dor que lhe dilacerava. O aconselhamos, dizendo-lhe que sentimentos negativos tem de ser imediatamente sepultados, pois se continuarem expostos putrefazem a alma. E, acrescentamos: Liberte-se e viva a vida! O papo, entre lágrimas e risos, varou a madrugada, quase até o amanhecer. Maria assistiu a tudo silenciosa e comovida. A comoção não ficou restrita a adolescente. Todos nós nos compadecemos com a história vivenciada por Antônio. No momento da despedida, nos abraçamos irmanados no mesmo sentimento, como se tivéssemos sido companheiros de antigas existências. Antônio e Maria partiram. Ficamos a observar o carro até a sua luz se esconder na escuridão.

     Depois desse encontro, mantivemos contato e os convidamos para nos visitar no Brasil.

     Em nenhum outro país da Europa tivemos a oportunidade de vivenciar situações tão inusitadas. O que testemunhamos, em muitos casos, foram tratamentos injustificáveis, desprovidos de civilidade.

     Fato é que os portugueses, principalmente os mais jovens, passaram-nos a percepção de possuir um sentimento diferente dos demais povos europeus os quais, em regra, se caracterizam, por um verniz de fingida polidez. Isso, não significa dizer que a gente portuguesa seja, no seu todo, dotada de educação refinada, amabilidade e gentileza. Porém, o que nos passa como exceção entre os portugueses assume um caráter diametralmente oposto em relação aos povos de outras nações europeias. Pois, a maioria das pessoas dos outros países com as quais mantivemos contato não fez questão de esconder a sua rudeza desmedida e preconceituosa. Observamos isso, até mesmo entre eles próprios, quanto mais, em relação aos nascidos abaixo da linha do Equador.

     Inevitável, e de pleno direito, haverá quem julgue equivocadas tais impressões, e que a nossa empatia se deve à similaridade da língua e de termos sidos por eles colonizados. Certamente, que estes fatos podem contribuir. Porém, não consideramos serem apenas estes os fatores determinantes. Aceitar tais argumentos seria negar a cantada e decantada hospitalidade do povo baiano, para quem não há distinção de etnia, idioma, credo e cor.

   Jair Araújo – escritor

   Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

   Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. 

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O Brasil precisa de mudanças radicais e ousadas para resgatar a moralidade dentro dos Poderes Constituídos.  O Brasil carece de lideranças que se caracterizem por princípios de caráter, competência e compromisso para a condução da coisa pública com eficiência e eficácia. O Brasil necessita de novos cenários para crescer e ser um País forte, considerando as suas riquezas naturais. A sociedade precisa se interessar pela política para eleger e reeleger políticos qualificados que governem e que exerçam seus trabalhos legislativos com isenção e imparcialidade para procederem às reformas que o país necessita, tais como: política, tributária, previdenciária, e penal, priorizando a aprovação do Imposto sobre grandes fortunas constante no Artigo 153 - Inciso IV da Constituição Federal. O Brasil requer também urgentemente um maior investimento na educação, na saúde e na segurança, assegurado nos Artigos 144, 196 e 205 da Constituição Federal. Perguntar às autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário não é uma ofensa, é um direito constitucional. Cadê à aplicabilidade do Art.37 da C.F, que diz “A administração publica direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também...”, visando preservar a moralidade da coisa publica e também proporcionar a redução da miséria e das desigualdades sociais. Não podemos mais permitir a indiferença, o desrespeito e a irresponsabilidade de alguns representantes que conduzem a coisa pública. O exercício de cidadania de todos os cidadãos é de fundamental importância para novos cenários, o crescimento e o desenvolvimento do País. A palavra-chave é organização, participação e menos omissão. Com a cooperação do cidadão na defesa da coisa publica com certeza reduziremos a corrupção e a impunidade no Brasil. O povo precisa entender que para mudar o modelo de gestão da coisa publica no País para a geração de emprego, renda e a redução das desigualdades sociais, é preciso uma maior participação e menos omissão da sociedade. É o povo quem melhor conhece os problemas reais de uma comunidade, classe, bairro, município, Estado e do País. Chamamos a atenção da sociedade que o perfil dos representantes políticos da cidadania; a opção é do eleitor. Frase do Rui Barbosa “O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver.” O crescente movimento de participação social está ligado à noção de “cidadania”. Cidadania não é apenas um direito, mas, sobretudo, tomada de consciência e responsabilidade social. “O pior analfabeto é o analfabeto político. “Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas” Brecht

O Brasil precisa de novos rumos e é a cidadania, que tem o dever cívico e patriótico de exigir dos políticos e governantes eleitos o cumprimento da Constituição Federativa do Brasil e não beneficiar interesses coletivos e de grupos econômicos. Isenção, imparcialidade, ética e honestidade na condução da coisa pública é preciso. A despolitização e a falta de consciência política dos eleitores só contribuem para os desmandos praticados contra a sociedade e o Brasil, inclusive para o elevado índice de 14 milhões de desempregados e também para o fechamento de empresas pelo País. Todos os cidadãos estão pagando pelos erros do passado pela pratica da política do EU (individualismo) e não da política do NÓS (Coletiva).

De Mãos Dadas Agente Constrói Um Brasil Melhor Para Todos! Vamos juntos cooperar, mudando nossos comportamentos e atitudes para construirmos um Brasil melhor, visando às futuras gerações? “Todo homem, cada homem, é responsável pelo destino da humanidade, por suas ações ou omissões”. “O individualismo é que gera o egoísmo, raiz de todos os males” “Se você vive julgando a pessoa não tem tempo para amá-las. ” e nem também pensar no próximo e no País! Qual o Brasil que desejamos para as gerações que virão? O momento é de reflexão e ação. Querer é poder, visto que o eleitor tem a arma do voto nas eleições de 2020 e 2022!

Alderico Sena – Bacharel em Teologia, Sociedade e Política, Especialista em Gestão de Pessoas e Coordenador de Pessoal da Assembléia Estadual Constituinte 89 – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

O poema No Meio do Caminho foi motivo de orgulho e consternação para o mestre da poesia brasileira Carlos Drummond de Andrade. 
Primeiro, porque ao ser publicado, em 1928, na Revista de Antropofagia, o poema foi profundamente criticado pela sua simplicidade e repetição. 
Depois, este verdadeiro rubi da poesia brasileira ganhou tanta notoriedade que incomodava o poeta mineiro. 
Drummond costumava se resignar quando diziam que ele era o maior poeta brasileiro e, com doses de ironia, respondia que somente era lembrado pela maioria das pessoas pelo bendito poema No Meio do Caminho.  
No Brasil de hoje, podemos dizer que no meio do caminho existe Bolsonaro. 
Só que entre Bolsonaro e uma pedra existe algo mais duramente concreto. 
As pedras nos fazem tropeçar e, metaforicamente, são as dificuldades que todos os humanos enfrentam na vida. 
Podemos dizer que Bolsonaro é mais do que uma pedra no meio no caminho dos brasileiros. 
Bolsonaro e o seu mundo doidivana é uma montanha rochosa de minas na vida do Brasil. 
A pedra filosofal de Bolsonaro é carregada de enxofre e lama. 
Um sujeito que quer um país de educação amputada, sem ciências humanas, sem pesquisa, sem pensamento crítico.
Falem de Filosofia e Sociologia para Bolsonaro e ele reverberará pedradas de ignorância: "É coisa de vagabundo, de comunista". Taokey. 
Bolsonaro é um homem que  ao invés de usar as pedras que a vida colocou no seu caminho para criar uma nova via e lutar por um país digno, preferiu olhar nos olhos da Medusa e simplesmente petrificou.
Um presidente da República que negocia a sagrada aposentadoria dos mais humildes em nome do lucro de banqueiros perdeu qualquer humanidade. 
Bozo carrega consigo uma alquimia da MALDADE, onde transfere o nosso tesouro para os estrangeiros e transforma a nossa riqueza em PEDRA!
Qual o custo Brasil da pedra chamada Sérgio Moro? 
A pedra Paulo Guedes? 
A pedra antifilosofal Olavo de Carvalho?
A pedra contra todas as minorias e direitos?
Este é um governo feito de pedras e pó. 
Um desgoverno feito para liquidar o povo e beneficiar os parasitas capitalistas. 
“Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas”.
A lição que fica para todos é que a extrema direita não é resposta para nada. 
Muito pelo contrário, é uma pedra que, se dermos vida a ela, pode virar uma enorme montanha na vida de uma Nação. 
Assim como Drummond não ficou paralisado depois da pedra no caminho da sua poesia, o Brasil também não ficará. 
Temos uma antologia de lutas para resgatar o nosso país dos facínoras.
Esta terra voltará a ser do povo, lugar de poesia, sonho, conquistas, felicidade e de um amanhã repleto de esperanças.

Josias Gomes - Deputado Federal (licenciado) do PT/Bahia e atualmente titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

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Tudo que o povo brasileiro que viveu ou acompanhou a história do Brasil entre as décadas de 60 a 90 temia que acontecesse inacreditavelmente dá sinais de que pode vir acontecer. Na contramão do que era esperado para uma nação que outrora dava sinais de pujança e ascensão nos setores essenciais para o seu desenvolvimento, o país, que era conhecido no mundo como a ‘terra do futebol e da alegria’, por ter o maior número de títulos mundiais e por realizar a maior e mais diversificada festa popular do planeta, perde o seu status de protagonista, se tornando um antagonista.

Tomados por uma emoção instantânea, instigada irresponsavelmente por determinados grupos que deturpam a formação de opinião, muitos foram induzidos ao erro. Infelizmente a ‘vaca foi para o brejo’, e o que era emoção virou em sentimento de decepção, angústia, incerteza e medo.

O que se percebe no comportamento daquele que descobriu a traição no período da ‘lua de mel’ é o de reconhecimento de culpa por passar a acreditar que escolheu o par errado, e o de vergonha por saber que aqueles que estão em sua volta já sabiam da bobagem que havia cometido. Mas como errar é humano, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima; e não desanima, pois nesse momento o caminho a seguir tem apenas dois sentidos: superar as dificuldades ou ser mais uma vítima dela.

Mesmo com o cenário geral não apresentando sinais de melhoras e as previsões sendo cada vez mais assustadoras, a população brasileira (mais brasileira que sempre), não perde a confiança; até porque a ‘esperança é a última que morre’. Sendo talvez melhor ou igual ao seu futebol e ao carnaval, o seu poder de superação é uma das mais intrínsecas qualidades. A resiliência faz parte da vida do povo ‘que não foge à luta’, que possui uma capacidade sem igual de lidar com problemas, de sobreviver e superar momentos difíceis.

Neste tempo de adversidade, ajoelhar-se não resolve. É preciso fazer não só por si, mas para o todo e com o todo. Não fugi a luta é a palavra de ordem para superar e suplantar os problemas ora vividos e os que ameaçam a aparecer. O enfrentamento é uma característica dos fortes, talvez isso justifique a sobrevivência e as conquistas alcançadas pelo povo que aprendeu a dizer não, mesmo colocando sua vida em jogo.

Como exemplo de resistência, recorre-se à história para lembrar o conflito contra a ocupação portuguesa que culminou com a Independência da Bahia em 02 de julho de 1823 e consequentemente a Independência do Brasil. O movimento Independência da Bahia foi o episódio mais importante para a consolidação da ideia de unidade do território brasileiro, foi a vitória contra o conservadorismo e a opressão.

Por tanto, o que encoraja a luta é a certeza de que ‘forte é o povo’.

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador

Jolivaldo Freitas

Quando digo que o Brasil está cada vez mais esquizofrênico recebo paulada do povo da direita e da esquerda, cada um querendo me situar do outro lado da linha Maginot, para ver se cola como uma tatuagem, o que acho engraçado. Mas, são tantas as atribulações que o Brasil está vivendo desde Lula, passando por Dilma, Temer e agora com Bolsonaro que decidi – depois de pesquisar e ver que não existe – criar o “Dia Universal do Desabafo”, tomando como base o dia 1º junho, dia do São Justino mais que justo, este filósofo influenciado pelo estoicismo e admirador de Pitágoras, Aristóteles e Platão.

 Algumas coisas da política, da família, dos amigos, da sociedade ou do nada têm servido para deixar o peito dos brasileiros como uma panela de pressão, prestes a explodir e é preciso desinflar, gritar, deixar sair. Posso destrinchar algumas dessas querelas que estão pressionando e asfixiando mais que bandidos em penitenciária de Manaus (e se a moda pega vai é morrer gente esguelhada nas penitenciárias e detenções pelo Brasil afora) e tenho certeza que o senhor e a senhora terão mais motivo para desabafar no dia 1 de junho. Desabafe pelo Facebook, pelo Instagram, pelo WhatsApp, pela janela, varanda, jardim, dentro do elevador, no consultório, na igreja, no templo, na casa de Noca, onde quiser e puder.

Veja por exemplo um motivo para desabafo. Sabemos que é preciso que o Executivo, Legislativo e Judiciário convivam em harmonia, de forma a agradar a relatividade do jogo democrático.  Mas, Bolsonaro, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Dias Toffoli foram mais longe e embolaram tudo em recente almoço. Decidiram fazer um pacto visando a retomada do crescimento econômico, melhorias para a sociedade e tudo mais. Então desabafo: onde pelo amor de Deus o Judiciário pode se aventar a ser gestor da economia ou política de um país. Isso cabe somente ao Executivo e Legislativo. Toffoli ficou doido. Tão maluco que ainda foi o responsável pelo texto genérico e inconsistente com as sugestões.

 Ele extrapolou e talvez não saiba eu o Judiciário não é meio político. É justiça. Tem de lembrar? Como ele pode se envolver em negociação política? Não pode. Não deve. Não é de direito. Pronto, desabafei. Mas aí vem o Papa Francisco que recebeu uma carta de Lula e com sua consciência cristã diz que – em missiva enviada de volta como resposta – que o preso de Curitiba desde abril do ano passado, receba sua "proximidade espiritual" e pede ao ex-presidente que não desanime, nem deixe de confiar em Deus.

Francisco diz a Lula que a responsabilidade política constitui um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir ao seu país. Não disse nada que não se saiba. Francisco manifesta seu pesar pelas "duras provas" que Lula viveu recentemente, numa referência às perdas familiares do ex-presidente, especialmente a de seu neto Arthur, de 7 anos. Justo. Ele diz ainda que uma das lições importantes que o período de Páscoa ensina é que "podemos passar da escuridão para a Luz; do pecado que separa Deus para a amizade que nos une a Ele; o bem vencerá o mal; e a verdade vencerá a mentira". O que o papa quis dizer? Está dando apoio aos malfeitos ou criticando com metáforas? Na Bahia se diz que é um papo furado. Claro que os petistas, com isso, estão garantindo que Lula é unha e carne, até almas gêmeas, com o papa Francisco. Os da direita dizem que o padre chamou na chincha.

Mas vamos usar o dia 1º de junho, Dia Universal do Desabafo, que acabo de constituir, para desabafar sobre tudo: família, economia, política, coração, relação, frustração, regime, valores, pressões, trabalho, corno, estudo, desemprego, unha encravada, brochada, doer de dente e até paixões não realizadas e relações mal resolvidas.

MANIFESTO DO DIA UNIVERSAL DO DESABAFO

O Dia Universal do Desabafo fica institucionalizado nesta data, como aquele em que todas as pessoas do mundo inteiro terão direito a desabafar, tirar o peso do peito, aliviar a alma e zerar suas angústias. Ocorrerá todo dia 1º de junho, período em que o ano se divide, para aliviar e apagar o que passou. Garantindo que os meses a seguir serão mais leves para carregar.

Artigo único

Todos têm direito a desabafar e ser compreendido.

Escritor e jornalista; Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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