O Brasil esta padecendo, morrendo aos poucos.

     Não foi apenas um jornalista que abruptamente partiu, foi uma voz lúcida, franca, fluente, autêntica e honesta que se calou, um eco desfeito no tempo, num tempo de escassez de bom senso.

     Tenho a sensação de que o povo brasileiro está sendo punido por um pungente e fatídico destino. Muitos barcos têm partido transportando para o alto as boas almas, deixando os portos apinhados de medíocres e canalhas.

     A Band está partida ao meio.

     Sem ele, o jornalismo brasileiro fica empobrecido. É como se, a partir de hoje, o noticiário, o pobre noticiário político do Brasil, estivesse perdendo a sua referência e um tanto da sua isenção e credibilidade. Ele exercia o jornalismo honesto, racional, cujas opiniões se caracterizavam pelo desprovimento de sensacionalismo tendencioso e emocional; amparava-se tão somente na verdade factual. Portanto, isenta de paixões ideológicas e partidárias.

     Mas, de fato, não acredito que ele tenha partido. Um profissional do seu quilate é imortal. Por isso, não ficaremos saudosos de ti, caríssimo e admirável jornalista. Fique sabendo que procuraremos preencher o vazio com a sua imagem e com a sua voz gravadas na lembrança. Na lembrança de toda a gente que ama, que cultiva o valor da verdade e torce pelo bem da nação brasileira.

     Foi-se quem não reproduzia a opinião dos donos das emissoras comprometidas com os interesses mercadológicos, políticos e eleitoreiros, mas com a voz independente da sua própria consciência. Um ser humano possuidor de um senso crítico opinativo de valor inigualável e cuja competência e caráter invisibilizavam os eventuais equívocos profissionais.

    Partiu sem despedidas, da mesma maneira com que exercia a sua profissão, ou seja, com a mesma liberdade e independência; foi-se. Partiu sem aviso prévio, de forma inesperada e silenciosa, como partiram as vítimas de Brumadinho e os promissores garotos do seu clube de coração.

   Talvez não soubesse ele que ainda tinha tanto por fazer na sua nobre missão de comunicar e viver.

    Seria tão bom se existisse uma linha direta com o céu, para que pudéssemos, pelo menos vez por outra, ouvi-lo no rádio do automóvel nas nossas manhãs mal iluminadas, antes de enfrentarmos o trabalho ou, quem sabe, na telinha da TV para que as nossas noites não ficassem tão vazias de coerência e verdade.

     Fato é que as manhãs nascerão mais silenciosas, as piadas do Macaco Simão serão menos engraçadas, as noites menos iluminadas nas imagens das telinhas e as páginas dos jornais estamparão o branco luto da sua última crônica.

 

    Jair Araújo - escritor

     Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

     Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. 

       O Brasil esta padecendo, morrendo aos poucos.

     Não foi apenas um jornalista que abruptamente partiu, foi uma voz lúcida, franca, fluente, autêntica e honesta que se calou, um eco desfeito no tempo, num tempo de escassez de bom senso.

     Tenho a sensação de que o povo brasileiro está sendo punido por um pungente e fatídico destino. Muitos barcos têm partido transportando para o alto as boas almas, deixando os portos apinhados de medíocres e canalhas.

     A Band está partida ao meio.

     Sem ele, o jornalismo brasileiro fica empobrecido. É como se, a partir de hoje, o noticiário, o pobre noticiário político do Brasil, estivesse perdendo a sua referência e um tanto da sua isenção e credibilidade. Ele exercia o jornalismo honesto, racional, cujas opiniões se caracterizavam pelo desprovimento de sensacionalismo tendencioso e emocional; amparava-se tão somente na verdade factual. Portanto, isenta de paixões ideológicas e partidárias.

     Mas, de fato, não acredito que ele tenha partido. Um profissional do seu quilate é imortal. Por isso, não ficaremos saudosos de ti, caríssimo e admirável jornalista. Fique sabendo que procuraremos preencher o vazio com a sua imagem e com a sua voz gravadas na lembrança. Na lembrança de toda a gente que ama, que cultiva o valor da verdade e torce pelo bem da nação brasileira.

     Foi-se quem não reproduzia a opinião dos donos das emissoras comprometidas com os interesses mercadológicos, políticos e eleitoreiros, mas com a voz independente da sua própria consciência. Um ser humano possuidor de um senso crítico opinativo de valor inigualável e cuja competência e caráter invisibilizavam os eventuais equívocos profissionais.

    Partiu sem despedidas, da mesma maneira com que exercia a sua profissão, ou seja, com a mesma liberdade e independência; foi-se. Partiu sem aviso prévio, de forma inesperada e silenciosa, como partiram as vítimas de Brumadinho e os promissores garotos do seu clube de coração.

   Talvez não soubesse ele que ainda tinha tanto por fazer na sua nobre missão de comunicar e viver.

    Seria tão bom se existisse uma linha direta com o céu, para que pudéssemos, pelo menos vez por outra, ouvi-lo no rádio do automóvel nas nossas manhãs mal iluminadas, antes de enfrentarmos o trabalho ou, quem sabe, na telinha da TV para que as nossas noites não ficassem tão vazias de coerência e verdade.

     Fato é que as manhãs nascerão mais silenciosas, as piadas do Macaco Simão serão menos engraçadas, as noites menos iluminadas nas imagens das telinhas e as páginas dos jornais estamparão o branco luto da sua última crônica.

 

    Jair Araújo - escritor

     Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

     Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. 

Jolivaldo Freitas

Já parou para imaginar se durante o ano que passou, com tanta conflagração política, com os coxinhas e mortadelas se pegando nas ruas do país, com a esquerda e a direita se mordendo, com Lulistas e bolsonaristas se atracando, irmãos xingando irmão, pais cortando a palavra com os filhos e filhos com os pais, compadres e comadres se estranhando, velhas amizades se rompendo e amores eternos acabando em segundos, os brasileiros estivessem com seus direitos de uso de armas assegurados?

Pois, o decreto que facilita a posse de armas de fogo foi assinado. Cumpriu-se uma promessa de campanha feita para agradar a uma pequena parcela dos brasileiros e para amimar basicamente a chamada “Bancada da Bala” e dar um novo alento às duas únicas fábricas de armas do Brasil.

Mas, será que é bom mesmo para um país recheado de violência colocar arma na mão do povo? Sequer foi acatada a sugestões do ministro da Defesa e Segurança Sérgio Moro de criar maiores limites para a concessão do porte. Tem quem ache que flexibilizar também foi um intento do ministro Ônix Lorenzoni que sempre foi apoiado em sua carreira política pela indústria de armamentos.

Não se deu à mínima para os levantamentos que demonstram ter ocorrido em 2018 quase 64 mil assassinatos. Levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foi muito tiro dado e o governo a quem cabe garantir a segurança do brasileiro não pode fazer nada e, com certeza, o novo administrador do país está colocado nas mãos do cidadão a tarefa de se proteger como for capaz. Mas é o estado que deveria fazer isso. Não está na Bíblia, nem no Shastra, Torá ou Alcorão, mas está em nossa Constituição.

De nada vale restrições como o cidadão ter no mínimo, vinte e cinco anos, idoneidade, não constar de inquérito policial ou processo criminal, ter residência certa e comprovar capacidade técnica para o manuseio da arma de fogo, sem falar nos psicotestes onde tem maluco que passa numa boa. A bandidagem não é burra. O ser humano se adapta, se adequa e sendo inventivo acha um jeito de ludibriar leis, cânones e regras. Vai ser mais fácil ter armas no meio da sociedade e estas irão cair nas mãos dos bandidos. Nem precisam mais vir do Paraguai. Há cerca de 20 anos meu irmão que era da Polícia Militar foi assassinado numa emboscada, não por ser PM nem em operação, mas porque os bandidos precisavam de uma arma para cometer assalto. Agora, sabendo a casa onde tem arma, será somente invadir, fazer reféns e pegar; e quem sabe matando seu proprietário.

Quem pensa que o lobby para colocar armas em mãos de todos os brasileiros é interno está enganado. Há quase duas décadas o Nation Rifle Association – NRA dos Estados Unidos vem defendendo seus associados e pressionando o Brasil para não impor limites, pois isso pode refletir em toda a América do Sul e acabar com o lucro dos apaniguados. Já as ações das empresas brasileiras de armas subiram mais de 400 por cento em um ano.

Fale verdade: se arma fosse algo bom para a defesa pessoal, o presidente Bolsonaro que foi capitão do Exército teria sido assaltado e os bandidos levado sua pistola? Imagine eu e você que já esquecemos até como se atira de badogue, estilingue, funda, atiradeira...

Escritor e jornalista: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Lá fora um grupo de crianças sujas corre por entre escorregadores, hastes e balanços do parquinho da escola em frente ao quintal da minha casa. Digo, sujas e felizes, no intervalo entre os toques das sirenes que anunciam recreio e aula. Não parecem pensar em nada, nada além de serem os próximos a descerem a rampa escorregando, ou cantarem o refrão da vitória no próximo game. Não está na pauta a matemática nem a geografia, menos ainda os problemas sociais do momento e os desdobramentos destes para o futuro. Apenas uma solene e eficaz alienação benfazeja. A vida está ali à minha frente, a poucos metros; viceja, reluz e floresce, como o recorte irônico de uma realidade ideal e utópica. A grama verde, salpicada de jasmins, o vento fresco e o bailar dos ramos pendentes das faias que dão sombra ao jardim parecem acenar em vão aos que transitam ao redor de tudo, indiferentes e apressados. Ao meu ver, mundos particulares, ilhas sociais. Do lado de cá da cerca, o meu. Plantas mortas, folhas murchas, galhos secos pelo chão. Uma cadeira antiga de forro roto à sombra da antessala testemunha e analisa a vida alheia. Silêncio e cheiro de mofo transbordam daquele lugar lúgubre. Tédio. A solidão conspira contra a alegria. Posso ouvir o sopro lento e continuado de minhas ventas, e incomoda. Estou vivo, posso ver, mas não muito, devo crer. As lembranças me matam amiúde, me remetem a outros tempos, a outras vidas, me atormentam miudinho. Olho para fora e não estou lá; estou dentro de mim, preso lá nos quartos do fundo, sozinho, fraco, culpado, sem perdão. Quem eu era ou quem fui se dilui dia a dia, se esvai em imagens etéreas imprecisas, uma morte cruel sem um corpo para enterrar. Os amigos, eram muitos, como bolhas vencidas, espocaram, pois não eram. As medalhas, muitos méritos, como palha, igual valor. O futuro, página aberta, como um filme, ilusão. Os sons, o movimento e as luzes lá de fora contrastam com o meu silêncio interior, o marasmo e os tons de cinza que mancham a tela da minha alma perdida. É teimosia viver, grande e contumaz, sobretudo quando esta se resume a um instante, sem caminhos para depois. Vejo agora as crianças saindo correndo, mochilas nas costas, um mundo à frente...  Vão, filhos, ganhem o mundo, vivam a vida; até amanhã...

Itamar Bezerra.

Teólogo, escritor e poeta

O velho ditado ‘venha a nós e ao vosso reino nada’, nunca esteve tão atual e usável, com o egoísmo sendo uma atitude comum nos relacionamentos humanos. As pessoas estão cedendo espaço em suas vidas para o irracional, o incomum e o intolerável por conta do abominável hábito de olhar apenas para o seu próprio umbigo, colocando seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, em detrimento do ambiente onde se encontra e das demais pessoas com que se relaciona.

O apego excessivo aos próprios interesses é histórico, vem desde a ‘criação do mundo’. Nas escrituras bíblicas é possível encontrar vários exemplos de soberbia. Entre as passagens mais conhecidas está a história de Adão e Eva, que, narrada tanto na Bíblia quanto no Alcorão, se refere a um suposto casal primordial criado por Deus; os primeiros seres a habitarem o planeta, o homem criado do barro e a mulher, sua metade complementar, gerada de uma costela extraída dele. Pois bem, depois de comer a maçã (o fruto proibido) oferecida por Eva, o seu companheiro Adão e a própria foram penalizados com a perda do ‘paraíso’. Com essa desobediência iniciaram as práticas que levaram o casal à uma vida pecaminosa, e neste interstício nasceram seus primeiros filhos, Caim e Abel; o primeiro, possuído por ciúmes, armou uma emboscada e matou seu próprio irmão. Este seria o primeiro exemplo de egoísmo conhecido desde a criação da terra (segundo a Bíblia). O erro dos pais desencadeou ódio nos filhos.

Como no início da vida a história é repetida nos quatro cantos do mundo até os tempos atuais. Os puros se tornam impuros, os incorruptos se tornam corruptos, e vice-versa. Onde existe ‘gente’ sempre existirá a ganância em toda a sua essência. Certos comportamentos, mesmo individualistas, levam muitos a crêem que o milagre da vida eterna beneficiará aquele que não for considerado salvo. Esquecem que as boas ações não são aquelas que alimentam apenas o ‘eu’ e que a partilha é um ato louvável e exemplar do altruísmo, em que as ações voluntárias de um indivíduo beneficiam outros.

Uma expressão popular da língua portuguesa bastante conhecida diz que “aqui se faz, aqui se paga”. Tal frase é geralmente utilizada para alertar alguém sobre as consequências que esta pode sofrer devido as suas ações incorretas. A partir do ponto de vista religioso, significa que a pessoa que cometeu alguma injustiça ou agiu de modo incorreto pagará pelo seu pecado enquanto ainda for vivo.  Esta é a ‘lei do retorno’.

Por tanto, é preciso que se faça coisas boas, para que possa receber coisas boas.

 

Por Gervásio Lima

Jornalista e historiador



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