Quantas vezes eu já ouvi a frase: “Ah, Yoga não é para mim, sou muito agitada”.  Ou então: “Não consigo fazer todas aquelas posições”. Talvez isso ocorra por não saber o real sentido da prática.

O Hatha-Yoga, ou Yoga do corpo, surgiu na Índia, sendo uma forma de Yoga pós-clássico, que veio unificar a visão tântrica do corpo como um templo da divindade, com a constatação vedântica de que tudo o que existe é expressão do ser supremo. O foco nesse método é o próprio corpo, usado como ponto de partida para investigar as realidades mais sutis e profundas do ser humano.

Todo e qualquer método que se denomine Yoga terá como caminho o autoconhecimento, quebra dos condicionamentos e como finalidade o encontro com a Verdade, que está dentro de nós mesmos. Ao compreendermos que somos felizes e completos por natureza, cessando a nossa constante busca por algo que nunca perdemos e sempre esteve aqui,  atingimos o estado de Mokṣa, que em sânscrito que dizer Libertação.

Nesse ponto, os conflitos internos terminam, a paz surge e a vida se torna um jogo. O Yoga retira nosso véu de Maya (ilusão) fazendo com que enxerguemos claramente, passando a não nos afetarmos pelos acontecimentos do cotidiano, já que os problemas são inerentes à vida no mundo material.

O Yoga se pratica a todo instante, um trabalho constante que você faz para dentro de si, indo muito além da sala de aula. Muito além inclusive do Marketing Zen tão vendido atualmente em torno do Yoga. O Yoga não traça um perfil de felicidade, muito menos de comportamento. Você não tem que se tornar o “personagem zen”, aquela pessoa sempre calma e centrada. O Yoga não tenta te transformar em algo que você não é, mas fazer com que você expresse da forma mais liberta possível a seu verdadeira essência, muitas vezes sufocada nos milhares de papéis sociais que desempenhamos ao longo da nossa vida. Sufocada pelo constante turbilhão de pensamentos produzidos pela nossa mente. A mente usa de milhares de artifícios para nos enganar, para justificar nossos hábitos que são mais confortáveis para o nosso Ego, quando na verdade pode nos trazer mais sofrimento.

É comum as pessoas serem tomadas pelo “personagem zen”, com um novo corpo e roupas diferentes, mas a mesma pessoa de sempre. Apenas mais uma enganação da mente, para disfarçar o que não se quer ver. Muitas vezes as técnicas também são utilizadas apenas para estética ou um bem estar egoísta. É muito fácil perder o propósito da prática, porque é tão impalpável que às vezes nem lembramos que existe.

Por isso, sempre reforçar os valores básicos, conhecidos como Yamas e Nyamas no Yoga, é de extrema importância. Quando esses princípios são deixados de lado, e o apego ao corpo é grande, corre o risco que o ego cresça junto com a flexibilidade, tornando Moksa, liberdade, impossível. É importante que o cuidado com o corpo não seja um fim em si mesmo.

E, como diz um ditado hindu: o verdadeiro heroísmo está em conquistar sua própria natureza. A verdade é que o caminho da libertação e iluminação é muito mais sobre andar em suas sombras do que sobre a luz. Porém, como disse Caio Miranda(1), quando se caminha de um poço escuro em direção à luz, não passamos por caminhos mais escuros do que os anteriores, cada passo será cada vez mais claro.

A prática de Hatha-Yoga é feita de Ásanas (posturas), Pranayamas (respirações), Meditação e Relaxamento. Seu único pré-requisito é a presença. Através da respiração consciente levamos nosso corpo através dos movimentos e descobrimos partes do corpo que nos são muito familiares e outras desconhecidas. É a respiração o elo que interliga todas as dimensões humanas no ato de estar presente. Ela acalma a mente e nos dá o controle dos processos biológicos do nosso corpo.

Na matéria existe consciência, na consciência existe energia. A consciência vibra em cada célula do seu corpo, e toda essa divisão entre corpo e mente, homem e deus, é pura especulação. Somos um reflexo do cosmo.

(1) Caio Miranda, considerado o primeiro professor de Yoga do Brasil, formou também os primeiros professores de Yoga no país. Era general do exército e, como autodidata começou a estudar por conta própria. Escreveu ao longo de sua vida alguns livros, sendo o seu primeiro “Libertação pelo Yoga”, de 1960.

REFERÊNCIAS:

KUPFER, P. A VISÃO DO CORPO NO HATHA YOGA. Disponível em: <https://www.yoga.pro.br/openarticle?id=459&A-VIS%C3%83O-DO-CORPO-NO-HATHA-YOGA>.

ABREU, P. MOKSHA E O APEGO AO CORPO. Disponível em: <https://www.yoga.pro.br/openarticle?id=1043&MOKSHA-E-O-APEGO-AO-CORPO>.

Gabriela Passos

Instrutora de Hatha Yoga pelo IBY e Yoga na educação e para criança pela instituição francesa RYE.

Atualmente ministra aulas na Mouraria53, Studio Spin Up e está abrindo o Studio Meia Lua, localizado na Graça.

Mais informações: (71)988090512

   

    O X poderia estar em querermos possuir poderes mágicos para evitar os sofrimentos e conseguirmos, sem esforço, alcançar os nossos intentos. Se não, pelo menos termos um superpoder: uma visão de raios-X, por eXemplo. Assim, com certeza, tudo seria diferente. Ao nosso olhar, as pessoas seriam transparentes; poderíamos ler mentes, eXercer o poder sobre elas, transformar a realidade das coisas, quiçá, conquistar o mundo, enfim, sermos felizes. Mas nem tudo é mesmo assim.

    Clark Kent voa mais rápido que os pássaros, tem visão de raio-X, possui músculos de aço, mas também tem a paiXão não correspondida por Louise Lane, que sofre de “apaiXonite” crônica pelo Super-homem e, de quebra, ainda tem em seu desfavor, a tal da criptonita. Seria, então, o Super-homem feliz?

     Crianças são felizes porque são simples e puras. Xamãs, amparados por divindades, num ato de amor à vida, ajudam o próXimo, por isso são luminosos os seus espíritos e pacíficos os seus corações.

     Felizes os que não sofrem! Não sofrem os que aceitam o suficiente que a realidade da vida lhe põe às mãos.  Felizes os Xamãs, praticando o bem, em suas longínquas aldeias, e os meninos nos terreiros cruentos e Xerofíticos da caatinga infestada de XiqueXiques, a brincarem com suas Xipocas e consolarem-se com a minguada Xepa, sem Xingação nem Xavecagem.

     São sábios aqueles que assumem os seus infortúnios e veem nele a oportunidade de aprender novas lições com a crença e a esperança de que, na vida, não eXistem desafios intransponíveis enquanto houver fé, esperança e vontade de lutar.

     Ainda que as circunstâncias imponham um Xeque-mate, vitoriosos são os que não fazem disso um cavalo-de-batalha, e partem para uma nova peleja. Pois, não fosse assim, seriam felizes apenas os vencedores, os sortudos jogadores, os possuidores de muitos bens e poder. Entretanto, às vezes, são esses, quase sempre tão infelizes!

     O X da questão não está, pois, no que de material possuímos, no vil metal ou na conquista da fama; valores tão efêmeros. Está no que a vida nos ensina e no quanto nos dispusermos aprender com as aparentes derrotas, com os eventuais tropeços, com as decepções, bem como nos bons atos que praticamos aos outros e que, beneficamente, refletem em nós.

     Dentro de cada ser, residem a questão e a solução. Somente quando nos abrirmos a esta compreensão, assim como a flor que se entrega, em pétalas, a eXalar o perfume que atrai os agentes responsáveis pela sua fecundação e frutificação, conseguiremos despertar o Xamã que reside dentro de nós; reavivaremos a esquecida criança, para quem só eXiste o presente e que se nutre de esperança, adquiriremos o poder para a realização dos nossos sonhos e enXergarermos o inevitável e real sentido da vida.

   O aXial não é o “ter”, é o “ser”. O ser integral, em sua máXima eXpressão.

   Eis a verdadeira visão de raio-X a ser desenvolvida. E, ao utilizá-la, primeiramente em nós, nos transformaremos em aprendizes e mestres; adquiriremos a cura e o poder dos curadores; seremos todos Xamãs.

   Nos conscientizaremos de que o mais importante é confiar-se para confiar, perceber-se para perceber, permitir-se para permitir, tolerar-se para tolerar, amar-se para amar, incondicionalmente.

   EXercitaremos a coragem de poder errar e perdoar-se, de poder compreender e perdoar o outro. Conquistaremos a confiança e a força para enXotar as criptonitas da culpa, dos grilos, da tristeza e do desânimo.

   EXerceremos o amor-próprio, para compreender o amor, para valorizar a natureza e amar a vida.    

   O X da questão é ser o Xamã de si mesmo, o Xerife da alegria, o Xereta da felicidade, o Xodó da fantasia. Portanto, o bom êXito da nossa eXistência não reside em outro lugar, senão em nós. O X da questão, pois, está em  enXergar a si e ao outro com os olhos da alma, em eXercitar o humilde ato de agradecer a graça de viver, reconhecendo a eterna beleza da vida...

    AXé!

    Jair Araújo - escritor

     Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

     Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. 

Num mundo globalizado, a tecnologia é fundamental em um País em desenvolvimento, mas para tanto necessita de cérebros bem preparados no governo que priorize a educação e a pesquisa, bases para o desenvolvimento da humanidade e do Brasil.

Além do fortalecimento do potencial econômico brasileiro, não podemos nos esquecer das “Perdas Internacionais, a espoliação sofrida pelo País por intermédio da venda de matérias-primas in natura, a remessa de lucros das multinacionais e o pagamento de juros, dividendos e royalties ao exterior. Portanto, uma economia nos moldes do trabalhismo preconiza um Estado fortalecido e altamente democratizado para gerir as riquezas da Nação”. Leonel Brizola

O trabalhismo sofreu muitos revezes, porém não foi apenas uma corrente política que foi derrotada, mas um projeto de nação - Brasil que visava melhores condições de vida para todo o povo brasileiro.

O PDT é uma organização política da nação brasileira para a defesa de seus interesses, de seu patrimônio, de sua identidade e de sua integridade, e tem por objetivos principais lutar, sob a inspiração do nacionalismo, da educação e do trabalhismo, pela soberania e desenvolvimento do Brasil, pela dignificação do povo brasileiro e pelos direitos e conquistas do trabalho e do conhecimento, fontes originárias de todos os bens e riquezas, visando à construção de uma sociedade democrática socialista e digna.

Fazer parte do time do PDT – Partido Democrático Trabalhista é saber que os maiores líderes do trabalhismo em toda a história do Brasil, foram do PDT. Um Partido de história e de valores, conforme biografia de alguns líderes abaixo, dentre outros:

Getúlio Dornelles Vargas foi presidente do Brasil em dois períodos. O primeiro período foi de 15 anos ininterruptos, de 1930 até 1945, e dividiu-se em três fases: de 1930 a 1934, como chefe do "Governo Provisório"; de 1934 até 1937 como presidente da república do Governo Constitucional, tendo sido eleito presidente da república pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e, de 1937 a 1945, como ditador, durante o Estado Novo implantado após um golpe de estado.

No segundo período, em que foi eleito por voto direto, Getúlio governou o Brasil como presidente da república, por 3 anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando se suicidou. Getúlio era chamado por seus simpatizantes de "pai dos pobres", pela legislação trabalhista e políticas sociais adotadas sob seus governos. A sua doutrina e seu estilo político foram denominados de "getulismo" ou "varguismo". Os seus seguidores, até hoje existentes, são denominados "getulistas". As pessoas próximas o tratavam por "Doutor Getúlio", e as pessoas do povo se referiam a ele como "Getúlio".

Cometeu suicídio no ano de 1954, com um tiro no coração, [5] em seu quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. Sua influência se estende até hoje. A sua herança política é invocada por pelo menos dois partidos políticos atuais: o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Getúlio Vargas foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em 15 de setembro de 2010, pela lei nº 12.326.

João Belchior Marques Goulart (Jango) Vice-Presidente por duas vezes e Presidente do Brasil de 1961 a 1964, quando foi deposto pela ditadura militar. “Jango não caiu por ocasionais defeitos de seu governo. Foi derrubado em razão de suas altas qualidades, como o responsável pelo maior esforço que fez entre nós para passar o Brasil a limpo, criando aqui uma sociedade mais livre e mais justa”. Leonel Moura Brizola - Foi Prefeito de Porto Alegre, deputado estadual e governador do Rio Grande do Sul, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e pelo extinto estado da Guanabara e governador do Rio de Janeiro, único político a governar dois estados. Por duas vezes foi candidato a Presidente do Brasil pelo PDT, partido que fundou em 1980. Darcy Ribeiro – “O Mestre desenvolveu trabalhos na área de educação, sociologia e antropologia. Foi um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, sendo o primeiro reitor. Nos anos de 1980, durante o governo de Leonel Brizola o Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro idealizou o CIEP – Centros Integrados de Ensino Público, um projeto revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral às crianças na escola. Darcy Ribeiro - Contratado por Anísio Teixeira, assumiu em 1957 a direção da Divisão de Estudos Sociais do Ministério de Educação e Cultura. Tornou-se um "discípulo" de Anísio Teixeira na defesa da escola pública e juntos influenciaram o processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1961. Foi Ministro da Educação e Cultura do governo João Goulart. A concepção de Educação Integral foi introduzida no Brasil na primeira metade do século XX, por educadores de matrizes político-ideológicas com ingerência política, como Anísio Teixeira". Tendo este último sido responsável pela implementação do primeiro projeto de educação integral brasileiro, em Salvador, Bahia, na década de 1950, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro”.

Se a educação em tempo integral idealizada pelos Mestres educadores, fosse aprovada pelo governo e pelo Congresso Nacional, naquele período, possivelmente teríamos já no inicio deste Século XXI um povo brasileiro mais educado e consciente. POVO EDUCADO PAÍS DESENVOLVIDO.

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas, Membro do Conselho Previdenciário Nacional do PDT – Partido Democrático Trabalhista e Ex-Presidente do Movimento dos Aposentados MAPI/PDT/BAHIA – www.aldericosena.comEste endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Recentemente, completei meio século e cinco anos de vida; parei para pensar numas coisinhas. Se Deus for servido me conceder mais tempo para viver, completarei mais uma semana, mais um mês, mais um ano... Assim mesmo de um em um... Inda bem, não é? Já pensou se fosse de cinco em cinco, ou de dez em dez? E mais, como diz um amigo meu, daqui a 100 anos, se Deus quiser, completarei cento e cinquenta e seis... Imagine... Mas, brincadeiras à parte, pensei em algo sério e importante. Na manhã do dia exato do meu natalício, ao acordar, fui ao banheiro assear-me e fiquei alguns minutos olhando para a minha imagem refletida no espelho e não me reconheci. Numa viagem rápida por dentro de mim, voltei veloz no tempo e enxerguei num segundo plano o meu rosto jovem e liso, cabelos pretos e um ar vigoroso inexplicável. Numa nova piscadela vi um senhor grisalho de semblante cansado, vencido pelo tempo. Sim, cabelos brancos, pele opaca, olhos cansados, uma acabação... Mas olhei direito dentro dos meus próprios olhos e me vi também lá dentro. Reconheci que o eu que em mim habita não é o mesmo que o mundo vê. Os meus amigos antigos me viram menino, rapaz, e virei homem. Hoje você me conhece como um coroa, e daqui a algum tempo, como um vovoquinho frágil que reiniciou o processo de infantilização. Do lado de fora é assim com todos nós; a beleza viçosa dos primeiros dias dará lugar à decrepitude. Mas do lado de dentro, não. Se eu me submeter a uma cirurgia plástica radical e mudar toda a aparência corporal, ainda mais drástica que a do Michael Jackson, e virar loiro de olhos azuis, ainda assim, dentro de mim serei eu mesmo, com minhas memórias e todos os traços de personalidade desenhados em minha cadeia genética. A alma não tem músculos, nervos e carne que definhem; a alma é imortal. Diferentemente do corpo, que segue um ciclo progressivo (ou regressivo) inexorável, a alma não tem idade; pode ser eternamente jovem, ou permanentemente velha e rabugenta. E isso é mesmo verdade... Na minha mente e coração sinto-me um rapaz, aquele mesmo jovem dos primeiros dias; nunca vi diferença, nunca senti cansaço, não há rugas ou limites... Entro em campo para brincar com os jovens e me sinto lépido como qualquer um deles, mas as pernas e os músculos do meu eu exterior zombam de mim e não fazem o que penso e quero. É assim mesmo, a alma não tem idade. Vez em quando sou surpreendido interiormente com uma lucidez e uma maturidade como se já tivesse vivido mais de cem anos. Outras vezes sou uma criança, moleque mesmo, daqueles de shortinho e suspensório, brincalhão, irresponsável, inocente-palhaço-feliz, e me descolo bastante do homem exterior com sua compleição madura-legal-chata. É por isso que encontramos tantos jovens velhos, e tantos velhos jovens; corpos sarados de alma abatida e frágil, e corpos murchos pelo tempo, que abrigam almas vivas e púberes. A tendência natural das coisas, no entanto, é o sistema ir fazendo com que a alma acompanhe a idade do corpo, e a pessoa vai de fato morrendo aos poucos. Decidi transgredir essa lei. Vou ficar atento ao tempo, e curtir o moço que me inquilina.

Itamar Bezerra

Teólogo, escritor e poeta

      

Jolivaldo Freitas

O Brasil está erodido e mal pago faz tempo. Nunca tivemos muita sorte com a qualidade intelectual da maioria dos presidentes, isso desde o marechal Deodoro da Fonseca, que era homem rude, de origem simples e que se limitou à academia militar e fez carreira grandiosa graças ao seu desemprenho na Guerra do Paraguai. Mas, ao seu lado na primeira presidência republicana estava Ruy Barbosa, o que compensava sua rudeza intelectual. Sua postura ia de encontro ao brilho intelectual do imperador deposto. Dom Pedro II era um homem de letras e artes, um beletrista, civilizado, humanista. Floriano Peixoto, nosso segundo presidente, era basicamente um militar voltado para a carreira. Sem veleidades “poéticas”.

Depois vieram todos os outros com intelecto mediano, mas que pelo menos souberam colocar ao lado, interagir e “sugar” várias sumidades pensadoras, como por exemplo ocorreu com Getúlio Vargas, que era advogado e gostava de escrever. Gostava de arte e usava os intelectuais a seu favor. Tanto que eles foram importantes para difundir o Estado Novo e a ideologia nacionalista do regime.

Infelizmente nunca tivemos um verdadeiro estadista. João Goulart não teve tempo de mostrar se além de bom advogado teria sido um bom presidente e sua condição intelectual. Juscelino Kubitscheck foi um bom médico, mas intelectualmente falando não era considerado preparado. Nem mesmo por seu amigo também médico Pedro Nava, que se tornou um dos maiores memorialistas do país. Mas, JK mais que ninguém soube se cercar de pessoas inteligentes e cultas, como fez Getúlio.

A situação foi perdendo qualidade e com a chegada dos generais militares alcançou-se um patamar aquém pois Castelo Branco não demonstrava interesse por cultura. Mas fomos de vez para o ralo, com perda intelectiva, quando chegamos ao ponto de termos uma junta governativa formada por três generais classificados de rasos. O Brasil parecia que retomaria o rumo com Tancredo Neves, de boa cultura, mas que morreu e deu lugar a José Sarney de cultura mediana, escritor, poeta, mas que não era lá toda essa sumidade. Fernando Collor foi zero à esquerda. A chegada de Fernando Henrique Cardoso deu um alento. Intelectual afamado, reconhecido no seu país e no exterior e aí o Brasil culto se redimiu. Levou a pecha de elitista.

Mas, a seguir, num país com mais de 20 milhões de analfabetos chegou a vez de Lula ser presidente do Brasil e o que era falta de preparo intelectual virou para os intelectuais de esquerda uma espécie de charme. E desde então ocorre a glamourização da ignorância. Lula, por uma questão não-natural, mas consequente do meio, se trata uma pessoa ignorante, embora seja inteligente. O que dizer de Dilma Roussef, economista, oriunda da classe média e que passou para a história como um arremedo da treva intelectiva personificada.

E chegamos a Jair Bolsonaro, que tem demonstrado ser intelectualmente travado. Ao contrário de Lula que disse ter preguiça de ler, Bolsonaro diz que gosta de ler, mas pelo que se tem visto sua leitura é insossa ou ele não apreende o que lê. Alguém até já disse textualmente que ele seria uma espécie de Dilma de calças. Pior é quando ele se deixa levar por afirmações equivocadas do seu ministro das Relações Exteriores ou confusas, do seu mentor Olavo Carvalho. Chato de puxar o assunto é que parece boçalidade do autor. Mas, que jeito! Platão – perdoe a citação -  diria que a ignorância é a raiz de todo o mal do Brasil. Desde o raiar da República. Se bem que Dom João VI e Pedro I não eram lá essas Coca-Colas. É sina?

Escritor e jornalista: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


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