Alderico Sena

 O trabalhismo é um conceito que foi estabelecido a partir da Revolução Industrial, quando começou a se organizar um movimento com vistas à melhoria da condição de vida dos trabalhadores. Com o passar dos anos  o “movimento trabalhista”  cresceu e passou a gerar diferentes ideologias na defesa deste ideal, tendo uma variação de abordagem em relação ao tema. No Brasil o “movimento trabalhista” começou a ganhar corpo no início do século XX, na parte final da República Velha, vindo a se fazer mais presente na vida nacional por volta das décadas de 20 e 30. O Partido Democrático Trabalhista (PDT) tem em seus fundamentos a consciência democrática nacional e as grandes lutas históricas do trabalhismo brasileiro. Inspirando-se na Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas no conteúdo da Carta Testamento do Presidente Getúlio Vargas e na Carta de Lisboa, elaborada quando reuniram os trabalhistas no exílio e os trabalhadores do Brasil.  Somos um partido que defende a Democracia, o Nacionalismo, o Socialismo, um partido nacional e popular. Somos também o Partido Democrático Trabalhista porque somente a participação popular nas decisões da vida nacional pode levar a um nacionalismo e a um socialismo fraterno.  O nosso trabalhismo coloca a Democracia como o mais alto valor e considera o ambiente natural em que podem frutificar os nossos ideais trabalhistas. Nosso nome e a nossa sigla expressam o nosso compromisso básico e fundamental com o Brasil.O nosso Trabalhismo retomou a bandeira das lutas nacionais e populares pelas reformas de base em razão das quais foi deposto o governo constitucional do Presidente João Goulart. O Trabalhismo que representamos é o que foi firme na resistência, durante o período de autoritarismo. É o Trabalhismo que sofreu sucessivas ondas de proscrições, aquele que mais contribuiu para a formação da frente de oposição ao regime autoritário.  Hoje, quando a consciência nacional reclama, cada vez mais firmemente, a restauração da soberania popular e a reconstrução democrática do País, o PDT propõe um projeto alternativo de sociedade para o Brasil. Projeto que é resultado de uma longa experiência histórica da classe trabalhadora e da análise dos acertos e dos erros cometidos no passado. Para realizar nosso projeto criamos um partido que se rege por princípios democráticos, por militância ativa e permanente e que rejeita ser eu uma simples sigla eleitoral. Queremos um PDT como um partido de informação, formação e capacitação dos segmentos da sociedade, autêntico, moderno e representativo, com intensa vida partidária para o Brasil que almejamos.O PDT tem como um dos seus objetivos fundamentais trabalhar pela unidade de todas as correntes de movimento popular, respeitando sua independência e libertade de expressãoEstamos certos que este movimento a partir das bases populares não somente proporcionará a unidade dos partidos, como é condição essencial na luta pela Democracia em nosso País.  O Partido Democrático Trabalhista, surgiu nesta nova fase da história brasileira para ajudar a construir um Brasil melhor, afirmando os seguintes princípios e definições, os quais submetem à Nação e apresenta aos seus seguidores o objetivo de iniciar o mais amplo debate.  O Trabalhismo Democrático como doutrina tem seu fundamento no primado de duas ordens de valores:  - O trabalho, fonte originária de todos os bens e riquezas, é a relação básica sobre o qual se constitui a vida social. Para o Trabalhismo Democrático, os valores do trabalho não são apenas os econômicos, mas, igualmente, os valores humanos, éticos, culturais e políticos;  - A democracia, aspiração das grandes maiorias populares de nosso País que propugnam pela construção de uma sociedade democrática e pluralista, é para o Trabalhismo Democrático um ativo e crescente processo de auto-organização, em todos os níveis, de tal modo que a nossa sociedade venha a ser cada dia mais livre, mas fraterna e igualitária. Eis porque o trabalhismo é o caminho brasileiro para a construção de uma sociedade democrática e socialista. 

 EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA POLÍTICA INSTRUMENTOS DE TRANSFORMAÇÃO  DA ÉTICA  E DA MORALIDADE PARA COM A COISA PUBLICA.CPI DO ELEITOR É O VOTO CONSCIENTE.  JUNTOS EM PENSAMENTO E AÇÃO NA DEFESA DA COLETIVIDADE  SEREMOS FORTES, SEPARADOS CONTINUAREMOS SENDO DESRESPEITADOS.EM 05 OUTUBRO DIA DA ELEIÇÃO, NÃO VOTE NULO E NEM EM BRANCO, VOTE CERTO NA BANDEIRA PELA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL. ESTE É O PONTA-PÉ INICIAL DE MUDANÇAS MORAIS E DE COSTUMES COM LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE PARA O FORTALECIMENTO E A MORALIZAÇÃO DO  SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO.“ NINGUÉM É TÃO FORTE QUANTO TODOS NÓS JUNTOS”!!!

Alderico Sena – Vice-Presidente do PDT da Cidade do Salvador, Presidente Estadual e Vice-Presidente Nacional do Movimento de Aposentado, Pensionista e Idoso do PDT – Partido Democrático Trabalhista

 

O Brasil sabidamente tem um time inferior ao da Alemanha mas, o placar da semifinal foi algo assustador! Uma análise do passado até o dia do jogo deixa claro o porquê de termos perdido: a competência na preparação. A seleção alemã tem um time formado há anos, com um esquema de jogo definido que evoluiu das duas últimas copas para cá. Sendo que na escolha de jogadores houve uma bela mescla entre jovens, como Kross, e maduros jogadores, como Klose. Assim, a responsabilidade estava dividida entre os mais experientes e os mais novos que seriam puxados por esses.

Para se adaptar ao Brasil, a Alemanha escolheu um refúgio numa cidade pequena no litoral da Bahia, com alta temperatura para dar o fortalecimento físico e mental aos jogadores no intuito de jogar todos os minutos de todas as partidas em alto nível. Os alemães tiveram aulas sobre a cultura brasileira e a língua portuguesa, interagiram com os nativos com alegria e muita simpatia.

Pronto! Os alemães conseguiram aliar seu alto nível técnico dentro de campo às tão importantes questões extra campo que fazem a diferença durante as partidas. 
A Alemanha ali se tornou a melhor seleção da copa no quesito físico, tático, técnico, mental e clima de grupo, mesmo que não viesse a ser campeã, porque nem sempre o melhor vence, a Alemanha é um exemplo a ser seguido.

Com esses requisitos era natural que as demais seleções temessem os alemães. Portugal não o fez e tomou uma sonora e acachapante goleada de 5x1, status de favorita reafirmado.
Após tal feito, a coragem de enfrentar a Alemanha de igual para igual desapareceu. EUA e Argélia fizeram jogos quase perfeitos jogando na defesa, fechando espaços e dando muito trabalho nos contra ataques a Alemanha, mas saíram derrotados, diferentemente de Gana que chegou muito perto da vitória, mas sofreu com o empate no fim. Coisas do futebol que o tornam apaixonante. A França jogou sabendo que a Alemanha era superior e foi derrotada no detalhe. Quem erra menos vence em jogo de copa, quando o nível técnico é um pouco diferente e um erro foi o suficiente para a eficiência alemã ser posta em prática, 1x0.
Classificada, a Alemanha encontra pela frente o Brasil jogando em casa, com apoio de seu torcedor e vindo de uma boa classificação contra a Colômbia, mas sem seu craque Neymar.

A seleção formada há apenas 1 ano, vinha de uma copa das confederações feita em baixo nível técnico com um único bom jogo. A final contra a Espanha que tornou o Brasil campeão e iludiu muitos, principalmente, a quem nos regia, o técnico Felipão. Passada a copa das confederações, Felipão teve tempo suficiente para testar jogadores novos e dar chances aos mais antigos. Tínhamos ali a oportunidade de formar um grupo mais forte e construir um sistema tático e técnico mais eficiente. Naquele momento Felipão poderia ter formado o grupo com a mescla entre jovens e experientes jogadores que assumem o peso e responsabilidade. 

Pela idade, numa situação hipotética teríamos à disposição, os experientes Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Kaká e, entre os mais novos Coutinho que despontou no Liverpool e Jonas que já não é tão jovem, mas é há 3 anos artilheiro absoluto do Valência da Espanha. 
Bom, para nosso azar, Felipão não buscou essas opções, cabia ao nosso treinador procurar esses jogadores para assumir a responsabilidade como fez com Júlio Cesar e que deu certo. Por mais que a condição física de Kaká fosse ruim, será que este após um forte trabalho físico não conseguiria realizar de 7 partidas em alto nível físico? Será que Ronaldinho Gaúcho que pratica um futebol mediano para bom com lampejos do jogador que foi um dia, muito por sua vida desregrada, após uma boa conversa e preparação, não realizaria 7 partidas em alto nível, tendo lampejos decisivos como Klose pela Alemanha? E Robinho, tão criticado por onde passa mas que na seleção sempre cumpriu seu papel em alto nível, dando a vida pelo time, será que não seria opção? Coutinho e Jonas, destaques em seus times na Europa, não mereciam oportunidade?

Bom, jamais saberemos. Felipão sequer, no decorrer do ano após título, deixou existir tal possibilidade. Tivemos que aguentar os caprichos. Henrique, reserva no Napoli, é o maior exemplo disso. Teríamos que ver Neymar assumir a responsabilidade de craque da seleção sem ter ninguém para dividí-la. Assim, o Brasil foi para copa idêntico a copa das confederações com esquema falho e várias fragilidades e com um adendo negativo: os jogadores em nível técnico muito abaixo do ano anterior e, com uma preparação ridícula na Granja Comary, lotada de políticos e pessoas influentes, em razão da copa ser realizada no Brasil, sem o devido isolamento e sem trabalhos táticos, somente coletivos, uma das maiores falhas da comissão técnica.

Aos trancos e barrancos, o Brasil passou pela Croácia, empatou com o aguerrido e frágil time mexicano, despachou os já eliminados camaroneses, sofreu nos pênaltis com o veloz, pequeno e limitado time chileno e trouxe o alento para os torcedores numa vitória sobre a boa Colômbia, sem futebol vistoso mas com vontade, raça e superação.

Com isso, o Brasil, de forma equivocada, repetiu o erro português e foi para cima da Alemanha, o que não durou nem 5 minutos. Após a pressão inicial brasileira, os alemães colocaram a bola no chão e fizeram velozes trocas de passes com uma transição impressionante entre defesa-meio-ataque. Eles estudaram a seleção brasileira. Klose, o maior artilheiro de todas as copas, jogou nas costas de Luiz Gustavo e junto com ele subia em bloco e em linha um fortíssimo meio de campo com refinado toque de bola regido por Kross, Muller, Ozil, Schwisenteiger e Kheidira. Ou seja, uma linha invejável de 5 jogadores com Klose um pouco mais a frente forçando a saída de Luiz Gustavo de trás dos zagueiros.

Nas bolas paradas e jogadas laterais parte dos jogadores se adiantava, a outra parte esperava passes mais atrás. Resultado: a partir do 10º minuto, o banho tático, técnico e físico começou a ser decretado e durou apenas 20 minutos, com a Alemanha fazendo 5x0 no estádio lotado de brasileiros. Impressionava a velocidade que os alemães jogavam e como os brasileiros não acompanhavam o ritmo, faltava organização tática e preparo físico. Os jogadores brasileiros com a língua de fora, mortos de cansados com apenas 30 minutos de jogo, sem entender o que acontecia.

No segundo tempo, Felipão, como o resto do mundo, enxergou o buraco no meio e colocou Ramires e Paulinho para evitar mais uma saraivada de gols. O jogo já estava definido e os gols alemães e o gol de "honra" brasileiro no segundo tempo foram para somente fechar o script. Jogando recuado, com marcação forte na saída de bola e contra ataques, o Brasil poderia ter repetido o feito realizado contra a Espanha, sem se apequenar, aproveitando-se da lentidão da zaga alemã e os espaços deixados nas laterais ou, mesmo jogando assim, a Alemanha poderia impor sua melhor qualidade e vencer, reforçando a alegria que é a imprevisibilidade do futebol. O certo é que jamais poderíamos ver a nossa seleção ser tão humilhada como foi na frente de 200 milhões de brasileiros e os quase 1 bilhão de pessoas do mundo que assistiam a partida.

Ricardo Borges Maracajá

Advogado, Especialista em Direito Tributário e Diretor Jurídico do Esporte Clube Ypiranga

Karla Borges
 
Venceu o trabalho, venceu o esforço, venceu a seriedade. Venceu quem merecia vencer. Não podemos baixar as nossas cabeças, o momento é de reerguê-las e seguir em frente com dedicação, humildade e determinação. A vitória não nasce pronta, a vitória é fruto de uma preparação, de uma caminhada árdua, onde abrimos mão de uma série de momentos de lazer pelo sacrifício de um trabalho intenso.
Não basta ser artista. Não basta jogar um futebol arte. Não basta ter uma fábrica de craques. Não podemos confiar somente na habilidade, é preciso mais. Trabalho de grupo não pode depender de um, mas da união de todos. É preciso criar estratégias, ensaiar jogadas inesperadas, manter o espírito de luta sempre em estado de alerta.
Constatar o brilho do adversário sem conseguir alcançá-lo, paralisa-nos e é por esse motivo que precisamos continuar caminhando com foco, sempre em busca de grandes realizações. As perdas fazem parte da trajetória e servem para repararmos erros que jamais teríamos cometido se estivéssemos atentos a todos os sinais.
Peçamos a Deus serenidade para que a derrota seja transformada num novo horizonte. O horizonte da seriedade, do empenho, do profissionalismo, da luta. Quedas existem para que tomemos consciência que nem sempre conseguimos ficar de pé, principalmente quando o adversário é bastante superior, mas não resta dúvida que a nação brasileira foi nocauteada ontem e é preciso muita força para reverter a dor em esperança.  Avante, Brasil!Afinal, toda competição tem um vencedor, mas o aprendizado da derrota deve ser tão inesquecível quanto a vitória!
Karla Borges
Professora do Núcleo de Estudos Tributários - NET
 

 

 

Por: Marcos Rogério Sampaio
Diretor da Granmarcos                                                                                                              

Os primeiros dados do Censo divulgados pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de domicílios vagos no país é maior que o déficit habitacional brasileiro.

Existem hoje no Brasil, segundo o censo, pouco mais de 6,07 milhões de domicílios vagos, incluindo os que estão em construção. O número não leva em conta as moradias de ocupação ocasional (de veraneio, por exemplo) nem casas cujos moradores estavam temporariamente ausentes durante a pesquisa. Mesmo assim, essa quantidade supera em cerca de 200 mil o número de habitações que precisariam ser construídas para que todas as famílias brasileiras vivessem em locais considerados adequados: 5,8 milhões.

O Brasil possui cerca de 33 milhões de pessoas sem moradia, segundo o relatório lançado  pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos. Desse número, cerca de 24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar, vivam nos grandes centros urbanos.

O déficit de moradia no país chega hoje a 7,7 milhões, das quais 5,5 milhões estão em centros urbanos. Se o cálculo incluir moradias inadequadas (sem infra-estrutura básica), o número chega a uma faixa de 12,7 a 13 milhões de habitações, com 92% do déficit concentrado nas populações mais pobres.

A população favelada no Brasil aumentou 42% nos últimos 15 anos e alcança quase 11 milhões de pessoas, segundo análise do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE.

Um total de 11.425.644 de pessoas --o equivalente a 6% da população do país, ou pouco mais de uma população inteira de Portugal ou mais de três vezes a do Uruguai. Esse é o total de quem vive, atualmente, no Brasil em aglomerados subnormais, nome técnico dado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com base nos vários itens de monitoramento das condições de moradia, que levam em conta, por exemplo, o acesso a serviços de saneamento, o material de construção usado e até o número de pessoas que dormem por cômodo, o Ipea concluiu que 54,6 milhões pessoas nas cidades vivem em situação inadequada. Isso equivale a 34,5% da população urbana.
 
E um estudo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, em 2000, mostrava, na América Latina, déficit de 51 milhões de moradias.

Marcos Rogério Sampaio
Diretor da Granmarcos / Colaborador do Portal Planeta Voluntários
http://www.planetavoluntarios.com.br

Prof. Osvaldo Bastos

Desde o tempo da Guerra Fria, senão até mesmo antes, o mundo vem sendo disputado por ao menos quatro forças políticas: o Liberalismo, o Socialismo Fabiano, Socialismo Fascista e o Socialismo Comunista. As demais se juntam a essas para fazer coro de bandeira e volume de multidão.

Agora as novas adaptações do marxismo através de neomarxistas como Gramsci e Lukács, via Escola de Frankfurt, estão resultando, no já famoso, Marxismo Cultural, que tantas transformações têm empreendido nas Ciências Sociais, Pedagogia, Filosofia e Direito.

Talvez, a questão mais importante de tudo isso é saber se aquilo que tantos falam e defendem é, de fato, resultado de conhecimento. Não de quem planeja, por que estes sabem, foram conduzidos para saber e fazer. Mas a dúvida é por conta dos que aplaudem e gracejam. Dos que aguardam pra ver.

O Decreto presidencial 8.243/14 provoca alterações profundas que abalam a Constituição, a estrutura institucional do Estado republicano e consequentemente da Democracia, usurpando o lugar de lei que, neste caso deveria estar regulamentando os direitos pleiteados. Ataca o Direito Administrativo quando, através de uma reengenharia institucional, tenta fazer constitucionalidade, legalidade e justiça, onde há, apenas, Teoria Política revolucionária aplicada.

Em Cadernos do Cárcere (vol. 1), Gramsci define, analisa e propõe como estratégia rumo à “Conquista do Estado”: “Os socialistas parlamentaristas trabalham no interior das coisas, [...] As grandes massas, que com sua intervenção modificam objetivamente as relações sociais, organizam-se entorno do Partido Socialista. [...] A formula ‘conquista do Estado’ deve ser entendida no seguinte sentido: criação de um novo tipo de Estado, gerado pela experiência associativa da classe proletária, um Estado que deve substituir o Estado democrático-parlamentar. [...] é necessário desde já uma rede de instituições proletárias, enraizadas na consciência das grandes massas”.

Temos então um resumo de todo o material que, a Escola de Frankfurt, teve apenas o trabalho de adaptar. Em outras palavras, criou os “novos proletários” e um novo e eficiente, porque sorrateiro, modelo de “revolução”. Os “novos proletários”, os “movimentos sociais” com suas bandeiras setorizadas, mas motivados pela mesma causa de quem lhes financia e na busca do mesmo objetivo: desmontar o projeto moderno, a sociedade moderna, de matriz judaico-cristã, apelidada por Marx de burguesa, juntamente com a nova forma de fazer a revolução, de implantar a “ditadura neocomunista”, a Revolução Cultural.

Dito isso, observa-se que o Decreto 8.243/14, é uma das mais avançadas tentativas de implementar o modelo gramsciano de Estado. Isso porque cabe lembrar que, para Gramsci, a “conquista do Estado” resultaria no “Estado ampliado” que é exatamente a articulação entre sociedade civil e Estado, fundindo-se numa só estrutura.

Por isso, não é estranho, quando o Decreto define: “Art. 2º  Para os fins deste Decreto, considera-se: I - sociedade civil - o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações;”. Ou seja, o decreto traz a aplicação literal do conceito gramsciano de “sociedade civil”.  Aqui, “sociedade civil” é a sociedade organizada: sindicato, ONG, fundações e movimentos sociais. Quem está fora de uma destas formas de coletivos está excluído das novas formas de participação trazidas pelo Decreto.

Para isso, institui a Política Nacional de Participação Social – PNPS, uma agenda reformista, revolucionária, que tendo como aparato institucional principal, a Secretaria-Geral da Presidência da República, programará e administrará o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS. 

É bem verdade que a lei 10.683 de 2003 que “Dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios, e dá outras providências” já previa no seu art. 3o “À Secretaria-Geral da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente: (Redação dada pela Lei n° 11.204/05)”. No inciso I, do mesmo artigo, está escrito: “no relacionamento e articulação com as entidades da sociedade civil e na criação e implementação de instrumentos de consulta e participação popular de interesse do Poder Executivo; (Incluído pela Lei n° 11.204/05)”.

É interessante observar como, no governo Lula, já estavam sendo preparadas as bases legais para o aparecimento deste Decreto, observando não só as inúmeras alterações feitas na lei 10.683 de 2003, como alterações posteriores, efetivadas pelas leis 11.204/05 e 11.497/07. Observando em detalhes, estas duas últimas, não simplesmente alteram a 10.683/03 e sim, reescrevem quase que completamente a engenharia da Presidência da República com a gestão pública.

O inciso I, do artigo 3°, da 10.683/03, está contemplado no Decreto pelo artigo art. 6º  “São instâncias e mecanismos de participação social, sem prejuízo da criação e do reconhecimento de outras formas de diálogo entre administração pública federal e sociedade civil: I - conselho de políticas públicas; II - comissão de políticas públicas; III - conferência nacional; IV - ouvidoria pública federal; V - mesa de diálogo; VI - fórum interconselhos; VII - audiência pública; VIII - consulta pública; IX - ambiente virtual de participação social”.

Por isso, a questão principal que se torna norte de toda a análise e possível interpretação do Decreto está quando, além de definir todas as instâncias supracitadas, no art. 2°, define “sociedade civil” como ambiente dos coletivos e seus respectivos movimentos sociais. Aí está uma clara e exata adaptação do conceito gramsciano de “sociedade civil”. Que não se engane o leitor desatento, pois, “o cidadão” aí, é somente aquele que está vinculado a algum movimento social, ou seja, ao “novo proletariado”.

As previsões dos artigos 3° e 4° excluem completamente o que está previsto na Constituição como forma de participação popular, tal como, previsto no art. 14 da Constituição, onde está escrito: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I- Plebiscito; II – Referendo; III - Iniciativa Popular. Estas sim, próprias da democracia moderna desde suas origens.

Desta forma temos um Decreto que cria um novo modelo de Estado, efetiva uma reengenharia da gestão pública, afetando inclusive a elaboração do orçamento e as destinações orçamentárias, afasta o Congresso enquanto instituição representativa e consultiva. Descaracteriza assim, a democracia no seu significado moderno, exatamente por retirar o equilíbrio trazido pela regra de “um homem, um voto” e as suas legítimas formas de manifestação.  Tudo isso, baseado na teoria política gramsciana e, seguindo essa perspectiva, rumo à implantação de um Estado comunista.


Prefeitura de Salvador

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