*Vereador Suíca

Estamos diante de uma data histórica e fundamental para a luta dos povos. No dia 22 de janeiro de 1984 surgia oficialmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Apesar de tanta perseguição das instituições que não desejam a reforma agrária e o direito dos povos, o MST continua sendo fundamental para aprofundar a democracia no Brasil e essencial para os que desejam a construção de uma sociedade justa e igualitária.

Com orgulho, estamos ligados como parceiros ao MST. Estamos incondicionalmente ao lado das companheiras e companheiros que combatem o latifúndio, símbolo do atraso social que persiste no Brasil vergonhosamente.

O MST mostra que só conquista quem luta de forma autônoma e com firmeza de princípios. Não teria a importância atual e não avançaria a cada dia sem a mobilização do movimento. Defender a reforma agrária e apoiar o MST é combater a concentração de terras nas mãos de poucos.

Segundo dados do último Censo Agropecuário do IBGE, 2,8% das propriedades brasileiras são latifúndios e ocupam 56,7% do território para produção agrícola. Já as pequenas propriedades representam 68,2% do total, mas ocupam somente 7,9% da área total brasileira. Não haverá uma democracia legítima sem a distribuição de terras e condições para que as famílias assentadas possam produzir, distribuir e comercializar alimentos mais saudáveis e que tenham como prioridade alimentar a população brasileira, ao contrário do que faz o agronegócio.

Como bem definiu Leonardo Boff o MST, "resgatam uma das mais ancestrais convicções da Humanidade: a Terra é um bem comum, vital, universal para todos os seus habitantes. Apropriar-se dela, dividi-la e ofendê-la pela excessiva exploração sempre foi considerado um roubo, uma apropriação indébita e um crime de ofensa à dignidade da Mãe Terra".

Nosso mandato em Salvador coloca-se como parceiro, companheiro de luta, na defesa da reforma agrária. Se o campo não planta a cidade não come. A luta pela reforma agrária é uma de nossas prioridades e um dos nossos compromissos.

Saudamos e celebramos os 30 anos do MST e juntos vamos mais longe na defesa de um país mais justo e igualitário.

 

Vereador Luiz Carlos Suíca (PT), integrante da Comissão da Reparação

*Vereador Luiz Carlos

 

No toque do berimbau, num gingado singular e na dança acrobática, nasce a Capoeira – manifestação cultural afrobrasileira, criada pelos negros escravos como forma de luta contra a opressão. Luta essa que se travou no plano físico e cultural. A arte secular até hoje sofre preconceito de tudo quanto é lado: do campo religioso, por ter vindo do candomblé; de etnia, por ser de origem negra; e pela sua prática ter começado nas ruas, então, logo vista como marginalização.

Percebemos que a Capoeira é muito mais forte do que uma simples atividade física. Para corroborar ainda mais tal afirmativa, no último final de semana foi a realizado o IV Festival Internacional de Capoeiragem, no Forte da Capoeira, em nossa capital, quando a elite mundial da prática pôde vivenciar e trocar experiências por meio de diversas atividades.

A Capoeira é um elemento definidor de identidade brasileira por que agrega em uma única arte itens fundamentais: a religião, os movimentos corporais, a música, a história. No entanto, apesar dos atributos, mestres, contramestres e praticantes têm, de forma árdua, lutado para evitar que o patrimônio imaterial da humanidade seja esportivizado.

Ora, como um mestre conhecedor de toda essência da Capoeira pode ser obrigado a ter graduação para ministrar aulas? O mestre não aprova esse método da esportivização por que, em sua visão, tal processo limitará a prática corporal a um caráter competitivo, mecanicista, distanciando-se de suas origens e de seus objetivos culturais.

A Capoeira tem-se incorporado ao ambiente escolar nas aulas de educação física e atividades extracurriculares, mas para que essa prática esteja presente nas aulas faz-se necessário que o professor compreenda a importância da prática para o corpo discente. E é por essa relevância que os mestres não podem ser excluídos da ministração das aulas, pois além de ensinarem a história dos negros no Brasil, se dedicarão nos gestos, ritmos e movimentos da arte facilitando o aprendizado dos alunos e influenciando nos comportamentos afetivo, criativo e lúdico.

Forçar um mestre de Capoeira condicionando que este só poderá ensinar após a obtenção de um diploma acadêmico é o mesmo que exterminar suas raízes. Uma manifestação nascida nas senzalas, por meio de escravos em busca de uma vida digna e justa, que fez e que faz parte da história do nosso país, está sendo analisada sob a ótica esportiva.

Nossos mestres de Capoeira merecem respeito e atenção por que mesmo com tantas dificuldades e incompreensões, eles ainda têm um belíssimo trabalho de inclusão social, por meio do qual retiram jovens da ociosidade, resgatando a autoestima e orientando-os para a vida em sociedade.

 

*Luiz Carlos de Souza é vereador do PRB e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira

Alderico Sena
 
Paulo Freire o educador brasileiro autor do termo Empoderamento, em seu sentido transformador “Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. Pode-se dizer então que Paulo Freire criou um significado especial para a palavra Empoderamento no contexto da filosofia e da educação, não sendo um movimento que ocorre de fora para dentro, como o “Empowerment”, mas sim internamente, pela conquista. Assim, observa-se que o “o termo inglês trai o sentido original da expressão: Empoderamento implica conquista, avanço e superação por parte daquele que se empodera (sujeito ativo do processo), e não simples doação ou transferência por benevolência, como denota o termo inglês empowerment, que transforma o sujeito em objeto passivo”. (SCHIAVO E MOREIRA, 2005).
 
A raça negra precisa deixar de transferir os seus direitos para outrem e assumir sua cultura se é capaz de criá-la também será capaz de administrá-la, pois tem poder para isto. Por falta de educação, conhecimento, organização, cooperação, solidariedade e de liderança, o negro passa o domínio da sua cultura ao branco. Como por exemplo:
 
A Justiça, através de um Juiz, proibiu a venda de Acarajé nas praias, pelo fato do dendê prejudicar a areia, sem levar em consideração a coibição de barracas nas praias, onde tirou a subsistências de famílias negras. Vejamos no futuro próximo quem irá comercializar suas iguarias na praia se não vai ser o branco com belas estruturas de barracas com patrocínio de grandes empresas. As baianas são o símbolo da cultura negra na Bahia e precisam ser ouvidas, reconhecidas, valorizadas e amparadas.
 
A Capoeira no passado quem jogava eram os negros, hoje é um esporte internacional, brancos jogam em belas academias luxuosas.  Venda de acarajé têm brancas e louras comercializando o Acará, dentre outras iguarias. Clube era para branco brincar o carnaval e o negro (povão) ia para a rua e o que aconteceu botaram o negro nas cordas para proteger o branco e escorraçaram o povão, pais e avós com seu banco, cadeira e tamborete de apreciar seu filho/neto, desfilar no bloco/afoxé na Avenida. Elitizaram o Carnaval com luxuosos camarotes e com preços exorbitantes para brincar a maior festa popular do Brasil e o povão? Como também a lavagem do Bonfim, Segunda Feira gorda da Ribeira e tantos outros eventos originários da cultura negra que estão sendo dissolvidos. O Caruru, cultura do Negro que na raça pouquíssimas pessoas negras têm condições de oferecer um caruru de promessa a São Cosme, Damião e Dou. O Negro basicamente é usado para cozinhar, ensinar e repassar aos brancos suas riquezas culturas e ensinamentos de seus antepassados. São raríssimas pessoas que ainda comemoram uma reza de Santo Antônio, festa de São João e São Pedro, aonde aos poucos também vem sendo arrebatada pelo Capitalismo, a exemplo da descaracterização da festa de São João e São Pedro, como a das Cidades: Cruz das Almas, Amargosa, Senhor do Bonfim e tantos outros municípios, onde Prefeitos veem utilizando altos recursos públicos para contratarem Bandas de AXÉ e não ARTISTAS SAFONEIROS DA REGIÃO para proporcionar a comunidade, o SÃO JOÃO autentico e característico da cultura tradicional do Estado da Bahia. Confesso que tenho pena das gerações futuras que não terão a oportunidade de dançarem um forró pé de serra, tocado na sanfona, bombo e no triangulo, acompanhado de um belo licor, laranja, milho, amendoim, bolo de aipim, carimã e tantas outras comidas e bebidas, típicas da cultura da raça negra.
 
Qual a estratégia dos altos investimentos no carnaval pelas empresas, levado a camarotes luxuosos, dentre outros requisitos para que o negro lhe proporcione belos espetáculos com saborosas comidas, bebidas e tantas outras alegrias, prazeres e felicidades? É preciso reflexão, ação e não omissão, só assim poderemos revitalizar e reconquistar o carnaval, as festas juninas, a capoeira, o candomblé e tantas outras riquezas da cultura negra autenticas para que todos venham ter o direito de brincar com liberdade e de ir e de vir. 
 
Transcrevemos a letra “CHICOTE MALVADO” da Poetisa Ivanise Senna para reflexão da sociedade, quanto ao conteúdo da Poesia: “Quem disse. Que a escravidão acabou; Está muito enganado; Desde que aqui chegamos; Somos vítimas do chicote malvado; Para as questões do negro; Todos os ouvidos tapados; Estamos na linha do alvo; É bala para todos os lados; Ninguém sobe a favela; Para buscar cinderela; Mas quando vê negro na tela; É só para contar mazelas; Todo negro é suspeito; De cometer algum mal feito; Mas quando faz algo bem feito; Não gera nenhum efeito; Porque alguém de conceito; Sempre tira algum proveito; Somos os vencidos escravos; Desde os nossos antepassados; Que trazidos em viagem; Para este mundo selvagem; Ainda estamos à margem; Até quando este descaso? Quando mudará esta imagem?".
 
 
 
 
EX- DIRETOR EXECUTIVO DA SECNEB - SOCIEDADE DE ESTUDOS DA CULTURA NEGRA NO BRASIL

“O sábio pode mudar de opinião. O idiota nunca”

O saudoso músico, compositor, escritor e poeta salvadorense (aquele que nasce ou que mora em Salvador – Bahia), Raul Seixas, falecido em agosto de 1989, é sem dúvidas um ícone da música popular brasileira, mas, o que mais impressiona mesmo era a sua visão real e futurista em relação ao mundo e ao comportamento humano. A maioria de suas canções, mesmo tendo sido escrita há mais de 50 anos, até hoje são atuais, com informações e linguagens contemporâneas.

Raul tinha vasto conhecimento de sociologia, teologia e filosofia, o que é facilmente notado em suas músicas. A composição Metamorfose Ambulante é um grande exemplo do seu conhecimento em relação à sociologia. Gravada em 1973, a música, que garantem os fãs, sites e biógrafos, o artista compôs aos 12 anos de idade, representava a liberdade, a oportunidade em ter uma opinião e poder mudá-la.

Além de criticar as ideias impermeáveis, opiniões feitas e repetidas, copiadas e sem reflexão, Raulzito se mostrou sempre um ser flexível, ou seja, desapegado às opiniões, ao contrário dos que possuem uma opinião formada e por mais que a mesma não seja a verdade, insistem em continuar acreditando que estão certos e, o pior, justificam defendendo seus juízos com esdrúxulas e vazias desculpas. Mesmo provando que pau é pau e pedra é pedra, continuam afirmando que pau é pedra.

Em uma de suas frases, o filósofo alemão, Immanuel Kant, disse: “O sábio pode mudar de opinião. O idiota nunca”. Metamorfose Ambulante quer dizer justamente isso, os sábios sabem que o mundo está em constante mudança e por isso é melhor ser uma metamorfose ambulante do que ter uma velha opinião que nunca muda.

Em 1973, quando a música fez parte do primeiro álbum solo do eterno Maluco Beleza, o disco Krig-Ha, Bandolo!, acontecia no Brasil uma época de profunda repressão, onde não era permitido a livre expressão, o direito à opinião e à liberdade de imprensa. Naquele momento os brasileiros sofriam com as consequências de um cruel, insano e assassino regime ditatorial militar, que perdurou até 1985.

Ao recorrer à história, percebe-se que as grandes mudanças aconteceram justamente após a sociedade, o povo, reivindicar e fazer valer seus direitos.Revolução Francesa (1789-1799), movimento que teve a participação de vários grupos sociais: pobres, desempregados, pequenos comerciantes e camponeses, causou um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (liberdade, igualdade e fraternidade).

No Brasil não foi e não tem sido diferente. Alguns fatos marcaram a importância e o poder da participação popular. O movimento civil ‘Diretas Já’, que reivindicou eleições presidenciais diretas no Brasil, entre 1983 e1984; os ‘Caras-pintadas’, movimento estudantil que culminou com o impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992, e a recente série de protestos que aconteceram em várias cidades Brasileiras, em 2013, inicialmente contra os aumentos nas tarifas de transportes públicos e logo depois abrangendo uma grande variedade de temas como os gastos públicos em grandes eventos esportivos internacionais, a má qualidade dos serviços públicos e a indignação com a corrupção política em geral, levaram algumas cidades a voltarem atrás do reajuste e ao Congresso Nacional a colocar em pauta de votação e discussões temas relacionados ao que estava sendo protestado nas ruas.

Tais levantes são exemplos da força popular, que não precisa necessariamente ir às ruas protestar e sim, ir às urnas durante as eleições votar, utilizando a razão como prioridade e a emoção apenas no momento de comemorar.

Gervásio Lima – Jornalista e historiador

Jolivaldo Freitas

Imagine o que é um rapaz com sonho de jogar pelo seu time de coração. Imagine mais ainda a mãe deste rapaz ir em sua companhia na tentativa de ser recebidos pela equipe técnica do clube – duas vezes campeão brasileiro e recém-saído de uma crise de identidade, moralidade e civilidade – de tantas glórias e os dois serem recebidos de forma animalesca por um treinador da Divisão de Base.

Foi o que aconteceu na terça-feira passada no Fazendão. Algo até impensável na era dos Guimarães ou mesmo no adversário rubro-negro nos tempos do Carneiro (que era tido e havido como uma pessoa grosseira). O treinador da Divisão de Base do Bahia conseguiu chegar ao ápice da grosseria, falta de educação, preparo psicológico e de relacionamento.

Quem conhece o presidente Fernando Schmidt sabe ser ele uma pessoa cortês, que dificilmente eleva a voz. Os funcionários do Esporte Clube Bahia me disseram que ele trata muito bem a todos. O problema está em outra área pelo jeito. Mas, o que aconteceu? Vou contar a história absurda e chocante de forma linear.

Terça passada e uma senhora chega com seu filho para ver se ele poderia treinar com jogadores do Bahia, algo que tinha sido aventado informalmente. Para seu azar, estava ocorrendo uma sessão de “peneira” na Divisão de Base. Ela foi recebido pelo técnico dos garotos a coice, e, como se diz na Bahia, com “dixote”. Quando apresentou o rapaz ouviu impropérios de todas as ordem. De Graça. Injustificado. Sem motivação. Foram feitas gozações, ouviu grito sem o menor sentido, de forma aleatório. Uma completa humilhação.

O treinador que se recusou covardemente a dizer o seu nome para a senhora – ela o identifica como um coroa de certa altura, tirado a malhadão e vestindo a indefectível “farda” de técnico – não conformado com o aviltamento que a fazia sofrer perante um monte de garotos que estavam para fazer a “peneira”, começou a fazer piadinhas para que os meninos se divertissem com a situação daquela, naquele instante, infeliz senhora e seu filho um sonhador torcedor do Bahia que pretende fazer carreira profissional no clube. Ela me conta tudo num triste desabafo. O filho sequer reagiu, pasmo com o péssimo nível de educação e profissional do “técnico”.

Ela me perguntou o que fazer e eu disse que entre com um processo de danos e assédio moral contra o Bahia, caso o clube não se justifique e ofereça uma punição para o treinador. Fico a imaginar a preocupação que um pai tem de ter, sabendo a partir de agora, como são tratadas as pessoas por este malfadado téncico, que embora seja de um escalão inferior, é responsável pelo contato diário com crianças e adolescentes de todas as idades.

Se ele agiu assim com uma senhora, mãe de família, consciente e preparada – pois não se trata de uma pessoa apagada, néscia – pare para pensar o que este técnico não deve fazer com os garotos que procuram o Esporte Clube Bahia para dar vazão aos sonho de ser jogador de futebol. E, todos sabemos, criança não conta o que sofre de aressão, humilhação ou buylling com medo do adulto.

Acho que é o caso do presidente Schimidt procurar levantar a situação, pois quem está sendo desmoralizado é o nosso clube, por um profissional inepto. Acho que cabe ao Ministério Público procurar averiguar se não existe assédio moral com os garotos que passam pelo clube (sabemos de terríveis histórias relativa a Divisão de Base do clube de tempos passados e não queremos a volta do que já foi defenestrado).

Vamos continuar acompanhando o caso. Não é para jogar a porcaria embaixo do tapete. E então Dr. Schimidt? E então treinador? A senhora e o filho aguardam. Estou curioso e atento. Trata-se de uma agressão à dignidade.



 



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