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O livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, publicado em 1902, é apontado como o primeiro livro-reportagem brasileiro e aborda a Guerra dos Canudos (1896-1897), no interior da Bahia. O assunto será discutido na quinta-feira (8) no Centro de Cultura da CMS através de uma Roda de Conversa com os professores Paulo Dourado, Oleone Coelho Fontes e Dionísio Nóbrega. Já no dia 9, entre 16 e 18 hs, haverá exibição de filme sobre o tema. O gestor cultural da Câmara, vereador Odiosvaldo Vigas (PDT)  diz que o encontro visa “resgatar a consciência cultural das raízes do povo nordestino, sob a temática da trajetória de Euclides da Cunha, por meio do debate de ideias”.

Além dos debates, haverá exposição do artista plástico Trípoli Gaudenzi sobre a guerra dos Canudos, que através da arte de representar o evento de Canudos registra em suas telas o descrito pelos historiadores que narraram os acontecimentos daquele conflito. No seu trabalho, retrata o homem simples, sertanejo que luta por sua liberdade e seus ideais, a Terra, o Homem, a Luta. A crítica especializada e estudos sobre o assunto afirmam que “nas mãos de um artista, como é o caso de Trípoli Gaudenzi, o grotesco vira arte questionadora, uma arte que faz refletir, que denuncia e educa, contribuindo para o engrandecimento da cultura de todos nós”.

Na mostra, também serão apresentadas réplicas  de fotos da época, produzidas por Flávio de Barros. O fotógrafo notabilizou-se pela documentação que fez da Guerra de Canudos, sendo autor dos únicos registros até hoje conhecidos do dia a dia das tropas, da rendição e destruição do arraial organizado por Antônio Conselheiro. Ele criou um álbum de 70 fotografias do confronto. O fotógrafo havia sido contratado pelo Exército para registrar as ações militares, acompanhando a Divisão de Artilharia Canet. Partiu de Salvador em 30 de agosto de 1897, passou por Alagoinhas, Queimadas, Tanquinho, Cansanção, Quirinquinquá e Monte Santo, chegando em Canudos em 26 de setembro, onde ficou, provavelmente, até 12 de outubro.

Palestrantes

Paulo Dourado abordará o tema “Os Sertões – Epopéia e Drama”. O diretor teatral diz que o livro Os Sertões é uma peça literária, “que conta a história da guerra de Canudos. É uma obra de arte e artística, que toca a alma, tem linguagem diferenciada. O livro transforma a quem o lê”, diz ele  ao falar dos três atos da obra: a terra e o cenário; os personagens, o homem do sertão; a luta, a guerra, que durou um ano.

O historiador Oleone Coelho Fontes, autor do livro “Euclides da Cunha e a Bahia”, discorre no seu trabalho sobre os 70 dias em que Euclides da Cunha passou na Bahia e no interior. Ele discorre sobre esse período na vida do escritor, pessoas as quais conheceu, as novas amizades, pessoas que o influenciaram. Salienta que a escrita de Os Sertões envolveu muita gente, uma equipe envolvida no trabalho, com destaque ao historiador baiano Teodoro Sampaio, “baiano de Santo Amaro que em muito ajudou Euclides”, além de outros pesquisadores.

Já o professor Dionísio Nóbrega, autor de “Euclides da Cunha e o Sertão de Canudos”, estuda a região faz muitos anos  em suas várias formas e com vários pontos de vistas. Ele cita a passagem de Euclides da Cunha pela Bahia, a guerra em si, quantas pessoas morreram no conflito e dá sua opinião sobre esses fatos, além de abordar, principalmente, como se deu o povoamento da região. “Houve uma guerra no sertão, com envolvimento de gente de várias localidade. Faço um resgate histórico dos fatos da época”.

O vereador Odiosvaldo Vigas salienta que o espaço da CMS continua a desempenhar e ampliar seu papel, “de aglutinador e fomentador da cultura em Salvador e na Bahia de modo geral”.



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