Sine Bahia Mulher valoriza mão de obra de mulheres gordas em Salvador

Foto: Elói Corrêa/GOVBA

No aniversário do movimento ‘Vai Ter Gorda Sim’, o Sine Bahia Mulher, que funciona no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Comércio, em Salvador, promoveu nesta sexta-feira (10), uma programação de valorização da mão de obra das mulheres gordas no mercado de trabalho, com intermediação para vagas de emprego, orientação profissional, emissão de carteira de trabalho, palestras, oficinas, oferta de cursos de informática, entre outras atividades.

“Hoje o movimento Vai Ter Gorda Sim completa quatro anos e nós fomos procurados para fazer uma ação de intermediação para as mulheres gordas que enfrentam muitas dificuldades no mercado de trabalho, que se vale de um padrão de beleza que, no Brasil, praticamente não existe. Somos mulheres mais cheias que têm curvas. A ação de hoje busca a inserção dessas mulheres pela qualidade curricular dela, pelo que ela tem de qualificação profissional e não pela aparência”, afirmou a coordenadora de intermediação para ao trabalho, Kadine Bárbara.

Aos vinte anos, a estudante Mariana Cerqueira tenta entrar no mercado de trabalho, mas ainda não encontrou uma oportunidade. A jovem, que sempre foi gorda e já tentou se adequar aos padrões de magreza com dietas radicais acredita que o peso a atrapalha na hora da seleção, um fator que interfere também no seu estado emocional. “Eu faço cursos, to caprichando cada vez mais, mas o padrão sempre vem na frente”, contou a jovem.

O movimento ‘Vai Ter Gorda Sim’ nasceu da necessidade de ajudar mulheres como Mariana, que têm dificuldades de acessibilidade e sofrem preconceito. Coordenadora do coletivo, Adriana Santos, revelou que a ideia da militância surgiu após participar de concursos de beleza plus size e entrar em contato com problemas que outras mulheres gordas também viviam, como as catracas estreitas e cadeiras apertadas que não aguentam muito peso. “A luta saiu da questão da moda e se voltou para a questão social, onde eu posso usar títulos de miss para fazer mudanças estruturais para um público específico, com demandas específicas”, explicou.

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