Adriano circulava de fuzil e dava medo, relatam moradores de Esplanada

O cenário da casa em que o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto no último domingo, 9, ainda guarda vestígios do desespero em que ele estava antes da operação policial que o encurralou. Localizado à beira de uma estradinha em Esplanada, na região do litoral norte da Bahia, o imóvel de dois quartos, visitado pelo Estado nesta quarta-feira, 12, ainda tem vestígios deixados pelo ex-policial. Manchas espessas de sangue sujam o chão da sala e deixam rastros até a saída. Na residência vizinha, a simplicidade do local é ilustrada por um cartaz: “Vende-se geladinho” – ou “sacolé”, para cariocas como Adriano.

Além do sangue, há na casa um colchão de solteiro sem lençol, roupas desarrumadas e uma quantidade abundante de remédios. Sobre a mesa da sala, doze pães sem embalagem, sobrevoados por moscas. O outro quarto está cheio de fibra alimentar para gado. A casa, que pertence ao vereador Gilson de Dedé (PSL), tem sete janelas. Em uma delas se vê uma marca que parece ser de bala, apesar de a polícia ainda não confirmar oficialmente.

Uma camiseta de Adriano ocupa o topo da pilha de roupas encontrada no quarto em que o miliciano ficou. A peça de roupa tem os dizeres “Vaqueiro & caveira & rico & meu tio”, com as palavras na vertical. O livro As 48 Leis do Poder, do escritor norte-americano Robert Greene, estava sobre o colchão.

O funcionário conta que por duas vezes viu Adriano, que classificou como um homem “que era grande” e “dava medo”. O ex-PM estava, em uma das ocasiões, a cavalo; na outra, a pé. “Era muito fechado, só falava com o patrão”, comentou. Colegas dele lhe relataram ter visto o forasteiro em situações distintas, como na última vaquejada organizada por Guimarães, em janeiro deste ano. Também há relatos de que o chefe do Escritório do Crime portava fuzil enquanto passeava pelo terreno.

Com informações do Estadão.

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