Concerto em homenagem a Irmã Dulce será apresentado no Theatro Municipal de São Paulo

As composições da ópera, do maestro baiano Roberto Laborda, foram executadas pela primeira vez em Roma, nas comemorações pela canonização da religiosa

O Theatro Municipal de São Paulo recebe, no próximo dia 19 de fevereiro, às 20h, o concerto Senzalas Brasileiras, do regente e compositor baiano Roberto Laborda. O programa reúne o conjunto de composições homônimas e fragmentos da ópera Irmã Dulce, em homenagem à primeira santa brasileira. Compostas para diferentes formações instrumentais, as obras serão apresentadas pela primeira vez no Brasil, com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (OSM). Executadas pela primeira vez em Roma (Itália), em outubro do ano passado, em homenagem pela canonização da freira baiana, as composições da ópera Irmã Dulce são inspiradas nas dificuldades da religiosa, responsável pela construção, a partir de um simples galinheiro, de uma das maiores instituições sociais do país.

As composições – que revelam a influência da baianidade no estilo de Laborda – também passeiam pela Salvador natal do regente, e têm como pano de fundo o romance entre a jovem pobre, Gabriela do Rio Vermelho, e o aristocrata Barão de Lanat. As personagens serão representadas, respectivamente, pela soprano Elayne Caser e pelo tenor Rubens Medina, ambos do Coro Lírico Municipal de São Paulo, corpo artístico do Theatro Municipal. Dando continuidade ao programa, as composições batizadas de Senzalas fazem alusão à palavra em seu sentido literal. “Eram lugar de dor e sofrimento, mas também abrigavam a esperança da liberdade. Esse paradoxo me inspirou a compor uma série de obras sobre o sofrimento, as dores e a incessante busca humana por liberdade e felicidade”, contextualiza Laborda.

Com forte influência dos sons e folclore baianos, as obras manifestam um caldeirão de ritmos. No prelúdio de Senzala nº 1 surge a “Esperança Sertaneja”, retrato do brasileiro que sai do campo em busca de uma vida melhor na capital, mas encontra apenas a exploração da sua mão de obra. Compostas para orquestra de cordas e piano, as Senzalas nº 2 trazem a visão do brasileiro sobre as belezas da Europa, sem deixar de lado as marcas de um passado de guerras e disputas territoriais. O primeiro acorde de Riga lembra a explosão de uma bomba da Segunda Guerra Mundial. As notas seguintes revelam a dramaticidade da trama imaginada pelo compositor. Um homem arrancado da família é levado ao cárcere na Sibéria. Enquanto espera a morte, ele é surpreendido pela libertação e pela volta da esperança.

Na obra Romance em Praga, o diálogo entre o violino e o violoncelo revela a batalha travada pelo compositor Antonín Dvorak na busca por consumar seu amor impossível. Apaixonado por uma mulher comprometida, o compositor construiu para ela um quarto em sua casa, na esperança de que deixasse o marido “ainda que aos 80 anos de idade”. A peça venceu o prêmio Dvorak, da República Tcheca.

Roberto Laborda – Nascido em uma família de músicos espanhois, Laborda, 39 anos, começou a tocar piano de forma espontânea ainda aos seis anos de idade. Radicado na Europa há quase duas décadas, o compositor é o atual diretor da Orquestra Metropolitana de Barcelona (Espanha). Com ótimas críticas recebidas na Europa e Rússia por suas composições, Laborda afirma que a apresentação no Brasil é especial. “Tenho uma carreira consolidada na Europa. Mas o sonho de todo brasileiro é mostrar seu trabalho no seu país. Estrear no Brasil, no Theatro Municipal, regendo a Orquestra Sinfônica de São Paulo, em um concerto apenas com obras minhas é muito gratificante”, celebra o maestro.

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