Presidente do Legislativo elogia a força do povo da capital baiana

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Leal (PP), através de uma moção apresentada na Casa,se congratulou com a população de Salvador pelo transcurso do aniversário de fundação da capital baiana que, nesse domingo (29), completa 471 anos de fundação.

A gravidade do momento vivido pelo Brasil, com a chegada da pandemia do Covid-19, deu o tom da manifestação pessoal do deputado aos soteropolitanos: “Tenho a certeza de que uma cidade que escreveu uma história de engajamento e liberdade vai encarar esse novo desafio com altivez. Vamos superar o novo coronavírus. Nossa tradição de 471 anos de luta e resistência vai nos ajudar. Com o apoio de todos, unidos, venceremos,” enfatizou.

Para ele, a singularidade que torna a “cidade tão fascinante” é a conjunção da exuberância dos recursos naturais, primorosa arquitetura moderna e histórica, clima ameno, com um povo alegre, hospitaleiro, miscigenado não só na pele, mas também na tradição, religiosidade e culinária. “Salvador das 365 igrejas e de todos os credos, chega aos 471 anos de fundação esbanjando belezas naturais, praias belíssimas e um povo guerreiro, altivo, alegre, trabalhador e, acima de tudo, forte. Forte o suficiente para vencer a pandemia ou qualquer desafio – como aconteceu no 2 de Julho – e voltar a rotina de realizações”.

HISTÓRIA

Na moção, o chefe do Poder Legislativo traçou um breve perfil histórico de Salvador, calcado na força de vontade, insubmissão e luta até a vitória da “nossa gente”, a quem cumprimentou. “Cada um dos quase três milhões de soteropolitanos têm razão para estar alegre hoje, quando esta cidade fundada por Tomé de Sousa chega aos 471 anos jovem como sempre, altiva como sempre, unida na superação dessa ameaça microscópica que será vencida com o apoio das nossas maiores autoridades, o governador Rui Costa e o prefeito ACM Neto, que deixam as divergências políticas de lado para agir na busca bem-estar da coletividade”, louvou.

“A cidade fortaleza criada já cidade, já capital, sem nunca ter sido província”, prosseguiu, “pelo governador-geral do Brasil, com o nome de São Salvador da Bahia de Todos os Santos (junção de uma homenagem a Jesus Cristo com a data da chegada da primeira expedição exploratória, no dia de Todos dos Santos, primeiro de novembro) – mudou muito”. Ele lembrou que o governador-geral trouxe consigo, em seis embarcações, cerca de mil pessoas, sendo 320 assalariados da coroa para trabalhar na construção, instalar e administrar a colônia, além de 600 militares, degredados, e padres como Manuel de Nóbrega e João Aspilcueta Navarro, entre outros. As mulheres eram poucas, o que fez com que os portugueses radicados no Brasil, mais tarde, solicitassem ao reino envio de “noivas”.

 “Mudou muito,  com os pés no chão, orgulhosa de sua gente e de seu passado”, frisou o deputado, que explicou a condição de polo central de poder no Brasil colônia da capital baiana. “Além de primeira cidade do Brasil, foi aqui onde se constituiu a primeira sede da administração colonial, assim considerada a primeira capital do Brasil até 1763, quando a mesma foi transferida para o Rio de Janeiro”. No local de desembarque, na Praia do Porto da Barra, continuou o parlamentar, está o “Marco da Fundação da Cidade”, uma coluna de seis metros de altura feita em pedra de lioz (muito usada em lastros de caravelas e naus),  monumento oferecido pela comunidade lusitana, em 1952.

Nesse breve relato histórico, o presidente da ALBA lembrou que Salvador seguiu o modelo de urbanização adotado por várias cidades costeiras portuguesas, como Lisboa e Porto, que incorpora as características do meio físico ao desenho urbano, com a escolha de locais elevados para a implantação dos núcleos defensivos e a estruturação da cidade em dois níveis: A cidade alta, institucional e política, e a cidade baixa, portuária e comercial. Nas instruções dadas em 1548 por D. João III a Tomé de Sousa estão expressas as preocupações da Coroa com a regularidade do traçado da nova cidade. “Foi, portanto, uma cidade planejada, e o seu traçado que se adaptava, por um lado, à topografia local e, por outro, a um perímetro de fortificações. No seu interior, era constituída por quarteirões retangulares, do que resultava uma malha regular, inicialmente delineada por Luís Dias”, informou.

LUTAS

O deputado também abordou a busca de liberdade dos soteropolitanos, como ocorreu em 1798, na Revolução dos Alfaiates, e depois, em 1835, com a revolta dos escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês – entremeadas pelas lutas pela independência que culminaram com as batalhas no entorno de Salvador e a fuga dos portugueses do general Madeira de Melo em 2 de julho de 1823. “Lutas que nos deixaram mártires, como soror Joana Angélica, e heroínas como Maria Quitéria”, pontuou.

A modernidade de Salvador foi fixada na moção de congratulações pelo parlamentar a partir da construção, em 1915, da avenida Sete de Setembro, com seus “espantosos” (para a época no Brasil), quatro quilômetros  –do Centro até a Barra –, bem como a expansão para além dos limites colonial na direção Norte e para o interior. O presidente da ALBA elogiou a preservação do Centro Histórico, um monumento tornado “Patrimônio da Humanidade” pela Unesco, e o aumento populacional ocorrido a partir da década de 1960 que transformou a cidade média na metrópole de quase três milhões de habitantes, sede de uma Região Metropolitana com outros 12 municípios.

Ele finalizou o documento com uma mensagem de otimismo e superação da pandemia, aliada à manutenção do viés libertário do povo de Salvador, tão bem expresso no refrão do hino oficial da Bahia: “Nunca mais, nunca mais o despotismo; Regerá, regerá nossas ações! Com tiranos não combinam; Brasileiros, brasileiros corações!”.

“Parabéns, Salvador. Parabéns, povo de Salvador”, concluiu o deputado Nelson Leal.

Agência ALBA.

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