O dono da bola

Kim Niederauer

Lembra na sua infância daquele menino catarrento que não sabia jogar, mas era o dono da bola e sem ele o futebol acabava?  Bolsonaro é esse garoto: egoísta, autoritário, beirando a imbecilidade. Avisou-se que ele não sabia jogar, mas os pais, cegos pelo coração (podemos colocar aqui a raiva irracional do PT), insistiram em colocá-lo para ser capitão do time.

Nós tivemos tempo para nos prepararmos quanto à pandemia. Vimos a tragédia acontecendo na Ásia, depois na Europa, e na América do Norte. Tivemos tempo para estudar todas as medidas que foram tomadas erroneamente ou acertadamente, por cada um desses lugares, e analisarmos o que poderia ser feito, de acordo com a nossa realidade. Mas, o que esperar de um país que não valoriza os seus pesquisadores e cientistas…

Em um dos seus pronunciamentos, o presidente deixou claro mais uma vez a sua inaptidão e seu plano genocida. Sendo sustentado pelos eleitores que ainda não se arrependeram de seu voto, os quais entoaram discursos “pró-vida” durante todo o tempo de campanha; mas, eleitores empresários/capitalistas não veem nenhum problema em matar algumas mil pessoas para continuarem lucrando com o seu negócio. Dito isso, sabemos qual é a única cor e a única classe dessa vida que eles defendem.

Jair continua em eterna campanha, mas agora a empreitada é ele contra o resto do mundo. Em entrevista para a CNN, Boulos, Ciro Gomes, e Manuela D’Ávila dão diretrizes práticas de como controlar a crise, tanto na esfera da saúde, quanto na economia e na preservação dos que estão mais vulneráveis. Até mesmo Witzel, e Dória, de quem eu nunca esperei nenhuma sensatez, estão defendendo a cartilha de contenção de danos, corretamente.

O que deve ser posto em questão agora, é que se não colocarmos cem por cento em prática as medidas cabíveis, os empresários poderão contar sua fortuna dentro do caixão. A economia é passível de recuperação, os corpos empilhados, não. Eu, enquanto cientista em formação, espero que depois que essa poeira abaixar, o governo e a população brasileira comecem a enxergar a importância de valorizar quem vive de pesquisa nesse país, começando com o aumento da carga horária de matérias chave nas escolas, destinando mais dinheiro às bolsas e projetos de pesquisa e acabando com a farsa da austeridade, já que sabemos  quais são as primeiras cabeças a serem cortadas.

Kim Niederauer – Bacharelanda em ciências sociais pela UNEB e produtora de conteúdo digital

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