Consultórios de Rua vão levar atendimento médico aos mais vulneráveis ao coronavírus


A população em situação de rua de Salvador, que faz parte do grupo dos mais vulneráveis à pandemia do coronavírus, passa a ter mais um serviço oferecido pela Prefeitura que reforçará o enfrentamento à  doença. O Consultórios na Rua, projeto que leva atendimento médico volante aos cidadãos em situação de rua, teve os detalhes apresentados nesta quinta-feira (16), na Praça Municipal, com as presenças do prefeito ACM Neto, do vice Bruno Reis e dos secretários Leo Prates (Saúde) e Ana Paula Matos (Promoção Social e Combate à Pobreza), corpo técnico e imprensa.
 
Ponto de partida de um projeto maior, intitulado Girassóis de Rua, o Consultórios na Rua terá cinco veículos com equipes compostas por assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos, educadores físicos, terapeutas ocupacionais, médicos, técnicos de enfermagem, agentes sociais que atuam com redução de danos e motoristas, além de apoio técnico administrativo. 
 
Com atuação em regiões com maior concentração de população em situação de rua, o serviço começa já inicia os atendimentos nesta quinta com um veículo em cada uma dessas áreas: Centro Histórico, Brotas e Itapagipe. Na próxima semana, mais um veículo vai reforçar o atendimento no Centro Histórico e o outro estará presente na região de Itapuã.
ACM Neto salientou que a prioridade da Prefeitura nesse momento de enfrentamento ao coronavírus é tirar as pessoas da condição de rua, mas que, no entanto, não é possível fechar os olhos para aqueles que não aceitam acolhimento e que não podem ser obrigadas a isso. 
 
“Desta maneira, temos procurado atenuar, nesse período, a vida dessas pessoas que estão presentes nessas localidades e disponibilizado diversos serviços, como a distribuição de refeições e a lavanderia móvel. Agora, com esses Consultórios na Rua, a gente começa com essas equipes volantes levando assistência médica combinada com a atuação na área sócia para perto de onde essas pessoas estão”, destacou ACM Neto.
 
O secretário Leo Prates explicou que o serviço multiprofissional já existia na capital baiana e que está sendo retomado neste momento com equipes completas que possuem perfil para atendimento à população em situação de rua. “A ideia é dar o melhor atendimento para estas pessoas mais vulneráveis. Inclusive, em duas semanas, a intenção é iniciar os testes rápidos também nesses Consultórios de Rua, para saber como está a circulação do vírus na cidade”, afirmou. Ele completou ainda que, identificados casos graves como coronavírus ou outras doenças, os pacientes serão encaminhados para tratamento médico.
 
Reconhecimento – Idealizador do projeto Girassóis de Rua e presente na ocasião, o psiquiatra e professor Antônio Nery parabenizou a administração municipal pela reorganização do Consultórios na Rua, primeiro eixo do projeto e que é voltado para a atenção básica de saúde da população em situação de rua. “Fico felicíssimo em perceber a sensibilidade da Prefeitura nesse sentido e já antecipo que a história do Brasil reconhecerá Salvador como uma região que resistiu do modo mais correto, adequado e heroico essa pandemia que assola o mundo”, afirmou.  
 
A titular da Sempre, Ana Paula Matos, informou que a iniciativa atende a uma demanda trazida pelo Movimento População de Rua da Bahia e é realizada de forma conjunta. “No Consultórios na Rua, a equipe de abordagem da Sempre e a equipe do doutor Nery acionam um ao outro quando é identificada uma pessoa com uso de substâncias ou percebe que está doente. Além da abordagem, a Sempre entra com a oferta de acolhimento e capacitação profissional, além de ações de construção de vínculos e autonomia”, explicou Ana Paula Matos.
 
A coordenadora estadual do Movimento População de Rua da Bahia, Renata Menezes, ressaltou a importância do projeto devido ao fato de que os cidadãos em situação de rua se sentem constrangidos em acessar uma unidade básica de saúde. “É uma ação bem quista pela população de rua e deve ser continuada, pois vai diminuir o sofrimento no atendimento tanto nessa pandemia quanto em outras doenças.”
Foto: Valter Pontes/Secom

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