Senador descarta depoimento remoto com o ex-ministro Sérgio Moro

O senador Angelo Coronel (PSD-BA) descartou a possibilidade de o ex-ministro Sérgio Moro prestar depoimento remotamente à CPMI das fake news, da qual o senador é o presidente.
“Fazer oitiva (tomar depoimento) presencialmente, com a pandemia, é arriscado. E é complicado também colhermos depoimentos remotamente porque haverá dificuldade de os parlamentares questionarem o ministro Moro”, explicou o senador em entrevista à Rádio Senado nesta 3a. feira, 28.
Em um total de 162 requerimentos, existem  na CPMI seis de convocação (quando a pessoa é obrigada a ir a uma CPI) e de convite (quando não há a obrigação) a Sérgio Moro e também ao ex-diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
Um dos requerimentos de convocação é do próprio Angelo Coronel.
“O depoimento de Moro é de grande valia, já que Moro saiu atirando no governo”, justifica Coronel.
Mas na opinião do senador, o ministro cometeu crimes de prevaricação e de corrupção.
O primeiro quando foi perguntado pelo Presidente da República sobre os inquéritos da Polícia Federal que investigam ataques ao Supremo Tribunal Federal.
“Deveria ter denunciado logo e ele como juiz sabe muito bem disso”, explica Coronel.
O segundo crime, de corrupção passiva, porque “foi convidado para o ministério da Justiça e pediu ao Bolsonaro pensão para a mulher. Isso (pedir pensão nesse caso) não está na lei, é corrupção passiva e Bolsonaro também (porque aceitou). Tudo isso está no Código de Processo Penal, não é invenção de Angelo Coronel”, frisa o presidente da CPMI.
Além dos requerimentos de convocação e convite, a CPMI precisa também votar cerca de outros 60 que pedem quebras de sigilos(bancário, fiscal e telepático), mas a assessoria da Comissão acredita ser muito difícil haver condições para que isso aconteça, já que além do aparato técnico do Senado, há também o da Câmara, pois o colegiado conta com a participação de deputados e senadores.
Angelo Coronel informou que ouviu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que no dia 15 de maio a casa avaliará a situação da pandemia no país para ver se haverá alguma possibilidade de a normalidade do Parlamento ser retomada em junho, tomando-se as devidas precauções.
Só aí, então, de acordo com Coronel, seria possível a CPMI retornar de fato aos trabalhos, embora garanta que as investigações prosseguem mesmo durante o período de calamidade pública decretado por causa do coronavírus.
É bom lembrar que a Comissão está com prazo suspenso justamente por causa da pandemia.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *