“Lutar contra o racismo é uma questão de sobrevivência”, diz Ireuda Silva

Vice-presidente da Comissão da Reparação e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a vereadora Ireuda Silva (Republicanos) acredita que o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro, é apenas “um começo” no que diz respeito à luta contra o preconceito e em prol de condições de vida mais justas para a população negra. “Trata-se de uma data extremamente importante, que questiona mazelas de nossa história. No entanto, consciência negra é todo dia”, diz a vereadora.

Ela lembra que houve muitos avanços nos últimos anos, mas ressalta que a parcela negra da sociedade ainda é discriminada, excluída do mercado de trabalho, espaços de poder e é vítima preferencial da violência. Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que os negros representam 71% das vítimas de homicídio. Entre 2005 e 2015, o número de assassinatos de brancos recuou 12% e o de negros aumentou 18%. “Lutar contra o racismo é uma questão de sobrevivência. Isso mostra que a luta está longe de chegar ao fim. Além da violência, sabemos que as condições e ofertas de trabalho e renda ainda são extremamente desiguais. E isso se deve, em grande medida, ao fato de que a parcela negra da sociedade é também a mais pobre e com menos acesso a educação de qualidade”, avalia Ireuda.

A republicana também destaca a dificuldade enfrentada pelas mulheres negras, duplamente discriminadas. Na semana passada, no programa Forte por Ser Mulher, ela pontou que é preciso criar facilidades para o empreendedorismo e empregabilidade das mulheres negras. “Se para as pessoas no geral já é difícil empreender, imagine para quem precisa lidar diariamente com o racismo e, no caso das mulheres negras, também com o machismo. Além disso, a mulher negra é, muitas vezes, vista como incapacitada. Quando se fala de negritude, somos vistas como menores. Somos a massa que contribuiu para a formação do nosso Brasil, mas entendem que isso aconteceu de forma bruta, por trás das cortinas. O preconceito é mais violento contra a mulher negra, que também sofre com o machismo”, avaliou Ireuda, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice-presidente da Comissão de Reparação, além de secretária municipal do Mulheres Republicanas.

O rendimento dos brancos ainda é 73,9% maior que o dos negros e, em um contexto geral, os negros representam 75% dos mais pobres no Brasil, enquanto que os brancos são 70% dos mais ricos. Essa disparidade também anda de mãos dadas com outro flagelo: a violência urbana, que tem os negros como vítimas preferenciais. Para se ter uma ideia, a taxa de homicídios entre negros de 15 a 29 anos chega a 98,5 por 100 mil pessoas. Entre os brancos, 34 por 100 mil. Entre homens pretos e pardos, o número ultrapassa todos os precedentes e vai a 185 por 100 mil.

Ireuda é autora de uma série de projetos sobre o tema, como o Dia Municipal de Combate ao Racismo no Esporte e o Prêmio Maria Felipa, que homenageia mulheres negras que se destacam na luta pela autoafirmação.

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