O Congresso é o reflexo do voto do eleitor

Se você não está satisfeito com o Congresso Nacional, faça a si mesmo uma pergunta: quem escolheu os parlamentares que estão lá? A resposta pode mudar a forma como você votará nas próximas eleições.
O povo precisa deixar de assistir, de camarote, aos desmandos praticados contra o Brasil. A sociedade precisa dar um basta na corrupção do dinheiro público e nos políticos corruptos, aplicando, nesta eleição, a verdadeira CPI do eleitor: o voto consciente, livre de paixões e interesses.
O Brasil afunda… e a sociedade finge não ser responsável.
Sugiro que o leitor pesquise na internet o pronunciamento de despedida da política do ex-senador Jefferson Péres, reconhecido por sua atuação ética no Congresso Nacional. Também merece leitura a entrevista concedida pelo ex-presidente e ex-senador Itamar Franco à Revista Época, publicada em 11 de abril de 2011, na qual afirmou: “Os senadores votam sem saber”, defendendo mais independência, estudo e dedicação por parte dos parlamentares.
Costuma-se dizer que tudo o que é ilegal também é imoral. Por isso, a ética não deve ser apenas um discurso, mas uma prática permanente. Há pessoas que têm caráter; outras, apenas preço. E caráter não tem preço.
Eleitor, você reclama do Congresso Nacional? Então responda a uma pergunta: quem colocou esses políticos lá? A resposta pode mudar a forma como você votará nas próximas eleições.
Como fortalecer o Congresso Nacional e recuperar a confiança da sociedade nas instituições? Essa é uma reflexão necessária para todos que acreditam que a democracia depende de representantes comprometidos com o interesse público.
Na minha avaliação, o atual Congresso Nacional apresenta problemas que comprometem a qualidade da representação política. A sociedade cobra mais ética, responsabilidade, transparência e compromisso com a boa gestão dos recursos públicos.
O respeito à Constituição Federal deve começar por aqueles que exercem mandato ou ocupam cargos públicos. O artigo 37 estabelece os princípios da administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Quando esses princípios deixam de ser observados, cresce a desconfiança da população nas instituições.
Desde sua promulgação, em 1988, a Constituição Federal recebeu inúmeras emendas. Mais recentemente, surgiram mecanismos como as chamadas “Emendas Pix”, ampliando o debate sobre a estabilidade das normas, a necessidade de aperfeiçoamento do sistema político e administrativo e a redução do chamado “Custo Brasil” dos Três Poderes.
Em 12 de junho de 2015, publiquei um artigo na Tribuna da Bahia abordando esse mesmo tema. Passados mais de dez anos, muitas das dificuldades permanecem. Um dos maiores desafios continua sendo a baixa participação da população no debate político. Quem não busca informação torna-se mais vulnerável à manipulação e à desinformação.
A burocracia excessiva, a baixa eficiência administrativa e a nomeação de pessoas sem qualificação técnica para determinados cargos comprometem a prestação dos serviços públicos e reduzem a confiança da sociedade nas instituições.
Os recursos públicos desperdiçados pela corrupção e pela má gestão representam enormes prejuízos ao desenvolvimento nacional. São recursos que poderiam ser investidos em educação, saúde, segurança pública, infraestrutura, habitação, saneamento básico, assistência aos idosos, inclusão das pessoas com deficiência, cooperativismo, geração de empregos, combate à pobreza e redução do custo de vida.
Nesse contexto, o eleitor precisa compreender a diferença entre política e politicagem.
Política é trabalhar pelo bem comum, respeitando a Constituição e os interesses da sociedade.
Politicagem é utilizar o poder público para atender interesses pessoais, eleitorais ou de grupos, em prejuízo do interesse coletivo.
Uma sociedade organizada deve participar da construção das reformas necessárias ao fortalecimento das instituições. Entre elas, podem ser debatidas:
- simplificação da burocracia administrativa;
- reforma política, eleitoral e partidária;
- redução do número de partidos políticos;
- revisão do financiamento público das campanhas eleitorais;
- maior transparência na aplicação dos recursos partidários;
- combate aos privilégios e aos chamados “penduricalhos”, em observância ao artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza;
- fortalecimento dos mecanismos de controle e fiscalização da administração pública;
- revisão da Constituição Federal, com ampla participação da sociedade civil organizada.
Também é importante aperfeiçoar o sistema político brasileiro, reduzindo práticas que favoreçam a concentração excessiva de poder, o nepotismo, o clientelismo e outras distorções incompatíveis com os princípios republicanos.
A administração pública deve valorizar o mérito. Para o exercício de funções políticas e cargos de direção, considero indispensáveis três requisitos fundamentais: caráter, competência e compromisso comprovado com o interesse público.
O eleitor também exerce papel decisivo. Antes de votar, é essencial conhecer a trajetória, a conduta e as propostas dos candidatos. O voto consciente continua sendo uma das principais ferramentas para o fortalecimento da democracia.
Como dizia Bertolt Brecht:
“O pior analfabeto é o analfabeto político.”
Sem educação de qualidade, valorização dos professores, fortalecimento da cidadania e participação consciente da população, dificilmente construiremos um Brasil mais justo, ético e desenvolvido.
O futuro do Brasil não começa em Brasília. Começa na consciência de cada eleitor, diante da urna.
Pense nisso.
Compartilhe este artigo com amigos e familiares e participe dessa reflexão em defesa de um Brasil melhor para as futuras gerações. Juntos, seremos mais fortes.
Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas.
Coordenador de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte da Bahia (1989). Site: aldericosena.com
