“Cabeça vazia… pede folia.”
Mas é preciso oferecer oportunidades, trabalho, responsabilidade, renda e dignidade às pessoas. O sol nasce para todos!
Lembro-me da Dra. Ana Montenegro, inesquecível quando afirmava, em alto e bom som, durante os eventos, que “a luta continua por pão, terra e trabalho”, pois um país que garante esses direitos oferece melhores condições para a liberdade e a dignidade de seu povo.
Ela sempre defendia que respeitar o povo é respeitar suas necessidades.
Aprendi com esse ensinamento que é por meio de pequenas ações e do compromisso que conseguimos criar oportunidades, gerar trabalho, renda e dignidade para as pessoas de menor poder aquisitivo, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.
Quando assumi o desafio e a missão de revitalizar a OCEB – Organização das Cooperativas da Bahia, nasceram importantes iniciativas no campo da reciclagem.
Em Salvador, em 1996, foi criada a Cooperativa de Trabalho dos Agentes Autônomos de Reciclagem – Coopcicla.
Em 1997, foi criada a COOPERLIX – Cooperativa de Reciclagem de Lixo, formada por moradores do bairro de Saramandaia que recolhiam materiais recicláveis, à noite, nos bairros da Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores.
Outra iniciativa fundamental na história da reciclagem ocorreu em 2004, com o início das atividades da CAEC – Cooperativa de Catadores Agentes Ecológicos de Canabrava.
Uma ação política de grande importância foi a defesa, junto ao Congresso Nacional, da criação do SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, em 1999, com o objetivo de promover educação, formação, treinamento e capacitação de cooperados e seus familiares, com base nos princípios e valores do cooperativismo.
O SESCOOP também proporcionou formação cooperativista a jovens escoteiros, entre 16 e 21 anos, incentivando-os, no ano 2000, à criação de uma cooperativa de turismo ecológico, além de contribuir para a formação de outros cooperados.
Na minha concepção política, cooperativismo é uma das alternativas para o desenvolvimento do País, conforme abordei quando fui entrevistado pela Tribuna da Bahia, na edição de 15 de janeiro de 2003.
Diante da situação econômica que atravessa o País, o que falta aos governos são ideias, projetos e ações capazes de gerar oportunidades de trabalho, renda e dignidade, como forma de reduzir a miséria, a fome, as desigualdades sociais e, consequentemente, contribuir para a prevenção da violência.
O PROJETO DE AGROVILAS
Há 23 anos, eu, Alderico Sena, apresentei uma proposta que considero importante para o debate sobre segurança pública e que poderia contribuir para a redução da violência:
O PROJETO DE AGROVILAS.
Em 2003, apresentei a proposta de criação de Agrovilas para pessoas privadas de liberdade, fundamentada nos princípios e valores do cooperativismo, da ajuda mútua e da solidariedade.
A proposta previa a utilização de terras públicas improdutivas no Semiárido, com infraestrutura adequada, incluindo escola, posto médico, água, energia, transporte e segurança.
Nessas estruturas, as pessoas privadas de liberdade e seus familiares poderiam estudar, trabalhar, aprender, produzir e contribuir para o sustento de suas próprias famílias, dentro de um programa organizado de educação, profissionalização e ressocialização.
A proposta também contemplava a educação associativa e cooperativista, preparando essas pessoas para uma nova perspectiva de vida e para o retorno responsável à sociedade.
Também poderia haver participação voluntária e devidamente regulamentada em atividades de interesse público, como ações de revitalização, recuperação e conservação de espaços e vias, contribuindo para a melhoria da infraestrutura e do escoamento da produção regional.
A ideia era transformar o trabalho e a educação em instrumentos de ressocialização, responsabilidade e dignidade.
Porque ressocializar não significa apenas cumprir uma pena.
É preciso oferecer oportunidades para que as pessoas possam recuperar a autoestima, reconstruir sua dignidade, adquirir conhecimentos, aprender uma profissão e se preparar para retornar à sociedade com responsabilidade.
O Governo precisa discutir, com urgência, ações concretas de educação, trabalho, profissionalização e reinserção social.
A violência não se combate somente com repressão.
Também se combate com prevenção.
E, muitas vezes…
pequenas ações podem produzir grandes transformações educacionais, sociais, estruturais e culturais.
Essa proposta foi publicada em 6 de outubro de 2003, no jornal A Tarde, há 23 anos.
E a pergunta que deixo hoje é:
Quantas ideias que poderiam ajudar o Brasil continuam esperando para ser colocadas em prática pelo poder público?
Pense nisso.
Participe. A mudança também depende de nós.
Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas
Ex-Superintendente da OCEB/SESCOOP-BA – Instagram: @aldericosena
Site: aldericosena.com
