Sociedade, o porquê: O Brasil enfrenta risco de falta de professores na educação nos próximos anos.
A desestruturação familiar e educacional está entre as raízes da inversão de valores e da violência. É só avaliar que no passado quem enterrava os pais eram filhos e no mundo contemporâneo?
Hoje, faço uma pergunta que considero fundamental para todo cidadão:
Que Brasil queremos construir e deixar para as futuras gerações diante da inversão de valores predominante na sociedade?
Tenho defendido, há muitos anos, que a solução para grande parte dos problemas do Brasil passa pela família, pela educação e pela consciência política do eleitor.
A educação precisa ser fortalecida tanto em casa quanto na escola. Ainda temos jovens com dificuldades de leitura, escrita e até de compreensão de comportamentos básicos de convivência social.
Sem educação, não existe desenvolvimento sustentável nem cidadania consciente, capaz de enfrentar, com competência, compromisso, responsabilidade e autonomia, os desafios do país e contribuir para melhorar as condições de vida da população — e não por meio de enganações.
Segundo dados divulgados pelo IBGE sobre a PNAD Contínua Educação, a taxa de analfabetismo caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica. Apesar do avanço, o Nordeste ainda concentra mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever no país. Em 2025, eram 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais nessa condição.
A Constituição Federal estabelece, no Art. 205, que:
“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família…”
Defendo que uma das ferramentas para o governo enfrentar o analfabetismo seja a criação de políticas públicas que ampliem o acesso e a permanência de jovens e adultos na escola, inclusive articulando programas de transferência de renda com oportunidades efetivas de educação e qualificação.
A sociedade precisa apoiar iniciativas dessa natureza, especialmente porque muitas pessoas que não tiveram oportunidade de estudar carregam uma dívida social que não foi criada por elas.
O Art. 5º da Constituição Federal estabelece que:
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”
Sem educação, como formar técnicos, profissionais, empreendedores, trabalhadores conscientes de seus deveres e direitos e cidadãos preparados para contribuir com o crescimento do país?
Como formar cidadãos e novas lideranças comprometidas com o desenvolvimento nacional, como Celso Furtado, Rômulo Almeida, Oscar Niemeyer, Norberto Odebrecht e tantos outros que contribuíram, cada um em sua área, para o desenvolvimento do Brasil?
Como gerar trabalho, emprego, renda, dignidade e crescimento socioeconômico?
O Brasil possui grandes potencialidades nos segmentos do turismo, da arte, do esporte, da cultura e da agricultura, entre tantas outras riquezas que podem contribuir para o desenvolvimento nacional.
Precisamos incentivar a criação de cooperativas, escolas agrícolas e projetos destinados aos pequenos e médios empreendedores, promovendo trabalho, emprego, renda e inclusão social.
É por essa razão que defendo também a criação do Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura — SESCPOC, visando à inclusão social de crianças e jovens talentosos e contribuindo para combater a pobreza, a fome, a miséria, a desigualdade e a violência por meio de boas ideias e projetos.
Por isso, acredito que precisamos tratar a educação como prioridade nacional.
A educação começa dentro de casa
A família é o primeiro espaço de formação de uma criança.
É dentro de casa que aprendemos a respeitar, ouvir, dialogar, compartilhar, reconhecer limites, ter responsabilidade, solidariedade e amor ao próximo.
Mas precisamos olhar para uma realidade que preocupa.
Muitos filhos estão carentes de atenção, diálogo e presença.
Pais não podem permitir que o uso indevido do celular seja mais importante do que a atenção dedicada aos próprios filhos.
A distância entre pais e filhos está aumentando.
E muitos jovens acabam se sentindo como “órfãos de pais vivos”.
Filho não precisa apenas de coisas materiais.
Filho precisa de presença.
Precisa de atenção.
Precisa conversar.
Precisa ter ao lado pai, mãe ou responsáveis que participem de sua vida: assistir a um filme, acompanhar um jogo, ir à praia ou simplesmente conversar sobre a vida.
A educação também acontece pelo exemplo.
Os filhos observam nossas atitudes, nosso comportamento e a maneira como tratamos as pessoas, os animais e a natureza.
E, quando a família deixa de cumprir seu papel, outras influências ocupam esse espaço.
É aí que precisamos falar também sobre a escola.
A escola ensina, mas a educação começa em casa.
Professor precisa ser respeitado.
Aluno precisa ser respeitado.
Pais precisam participar da educação dos seus filhos.
Família e escola precisam caminhar juntas.
Não podemos simplesmente condenar os jovens de hoje.
A chamada Geração Z nasceu em uma sociedade completamente diferente daquela vivida pelas gerações anteriores.
Por isso, precisamos perguntar:
Que princípios e valores estamos transmitindo aos nossos jovens?
Estamos ensinando apenas a ter?
Ou estamos ensinando a ser cidadão?
Porque, na minha visão, é preciso ser para ter.
Caráter, dignidade, respeito, solidariedade, responsabilidade e compromisso valem mais do que o consumismo.
A formação cidadã, em casa e na escola, precisa envolver bons exemplos.
Não podemos aceitar como algo normal a violência contra professores, mulheres, crianças e idosos, a destruição do meio ambiente e a perda da liberdade e do direito de ir e vir.
Precisamos perguntar:
Quantas pessoas ainda precisarão sofrer violência para que família, sociedade e governo despertem para suas responsabilidades?
E quanto ainda destruiremos a natureza em nome da ambição?
Preservar o meio ambiente é preservar a vida!
Por isso, precisamos de educação ambiental dentro de casa e também nas escolas.
Precisamos, igualmente, recuperar os espaços de participação dos estudantes nas questões nacionais.
Grêmios estudantis, diretórios, liderança, diálogo e participação cidadã são importantes para preparar os jovens para o exercício da democracia.
O Brasil precisa formar novas lideranças.
Precisamos formar cidadãos livres, responsáveis e de bons costumes, e não apenas consumidores.
Os mestres Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro defenderam a importância da educação para a transformação do Brasil.
E lembro também uma frase atribuída a Leonel Brizola:
“Educação não é cara. Cara é a ignorância.”
O maior patrimônio que um pai e uma mãe podem deixar para seus filhos não é dinheiro.
É uma boa educação.
Porque educação forma.
Educação transforma.
Educação socializa.
A família é o alicerce.
A escola é parte fundamental dessa construção.
E todos nós temos responsabilidades na formação das futuras gerações.
Por isso, deixo novamente a pergunta:
Que país queremos deixar para os filhos dos nossos filhos e para os nossos netos?
Se queremos um Brasil com menos violência, mais justiça, instituições fortes e respeitáveis, mais segurança, crescimento e cidadania, precisamos começar pela família e pela educação.
Precisamos fortalecer a educação.
Precisamos valorizar os professores, essenciais para a construção do conhecimento.
É na educação dos filhos que também se revelam as virtudes dos pais.
A educação vem do exemplo, das atitudes e, com toda certeza, começa dentro de casa.
A sociedade precisa cobrar do governo que a educação seja investimento, e não despesa; prioridade nacional, e não apenas discurso.
A consciência política do eleitor
E deixo também um alerta ao eleitor:
A escolha dos políticos que irão representar a população e participar das decisões sobre os destinos do país é uma responsabilidade individual.
Cabe ao eleitor pesquisar a história, o caráter, a competência, o compromisso e as propostas de cada candidato.
A transformação também acontece por meio do voto consciente na urna.
E considero importante que o eleitor avalie a educação como uma das prioridades na hora de analisar as propostas apresentadas nas eleições.
Valorize a família.
Valorize a educação.
Valorize os professores.
Valorize o futuro das nossas crianças e dos nossos jovens.
Porque o futuro do Brasil não será construído apenas pelos governos.
Será construído também pelo comportamento de cada família, pela participação dentro da escola e pela consciência política de cada cidadão.
Em 1982, Darcy Ribeiro fez um alerta que continua sendo lembrado no debate sobre educação e políticas públicas:
“Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.”
O Brasil que queremos deixar para os filhos dos nossos filhos começa na educação, na família e também nas escolhas que fazemos em cada eleição.
É na área de governo que são tomadas decisões que influenciam os destinos do país e as condições de vida da população.
Eleitor, defenda a educação como investimento para dar o voto na eleição e pare de reclamar dos governos sem também refletir sobre a sua responsabilidade.
O futuro do Brasil passa pela consciência, pelo comportamento e pela decisão de cada eleitor na urna.
Querer é poder!
Dê valor ao seu voto.
Dê valor a você, eleitor.
Seja a mudança!
Alderico Sena
Especialista em Gestão de Pessoas
@aldericosena — site: aldericosena.com
