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Artigo científico de Taurino Araújo transforma a coluna Olhares, do Jornal A Tarde, em objeto de pesquisa e inaugura nova forma de crítica na Bahia

No ensaio UM ARTISTA COM NOME DE ALMA: a crítica sobre a crítica a Almandrade em A arte da invisibilidade clara, de Celso Cunha Neto, publicado no ResearchGate, Taurino Araújo realiza um gesto raro: ele não apenas analisa a obra de Almandrade, nem apenas comenta a crítica de Celso Cunha Neto, mas examina o próprio modo como essa crítica vê o ato de ver.

É uma virada decisiva.

É a crítica ganhando espelho.

O ponto de partida é o texto de Celso — publicado em 30 de novembro de 2025 na coluna Olhares do Jornal A Tarde— onde o crítico lê Almandrade como artista da invisibilidade, artesão de uma clareza que esconde sua origem, arquiteto de enigmas finos.
Mas Taurino percebe algo além: percebe o que o olhar de Celso faz com a obra e o que a obra faz com o olhar de Celso.

A teoria chama isso de abordagem reflexiva de segunda ordem:
a crítica que se torna objeto da crítica.

Um campo onde Georges Didi-Huberman enfrenta o visível e o invisível, Gadamer descreve o jogo interpretativo, Thierry de Duve desmonta a herança duchampiana e Rosalind Krauss analisa o crítico com o mesmo rigor com que examina o artista.

Taurino traz essa linhagem para dentro da imprensa brasileira — e faz isso a partir da Bahia.

O ensaio mostra como a escrita de Celso transforma Almandrade em acontecimento escópico: a obra convoca o olhar, o olhar convoca a crítica, e a crítica convoca a metacrítica.


Uma dinâmica escópica de três camadas que se iluminam mutuamente:
artista → crítico → analista da crítica.

E é nesse ponto que o trabalho de Taurino Araújo se destaca.
Ele demonstra que jornalismo cultural pode operar com o mesmo rigor de uma crítica acadêmica sofisticada — sem perder clareza, sensibilidade ou força poética.
Mostra que a coluna Olhares é mais do que comentário semanal: é laboratório de pensamento, espaço de fricção entre visibilidade e invisibilidade, entre gesto e leitura.

A repercussão foi imediata.
O próprio Almandrade, ao ler o ensaio, escreveu:
“A obra de arte existe quando alguém dá continuidade aos seus enigmas”.
Taurino respondeu:
“É sublime quando obra, autor e leitor finalmente se encontram.”
O artista completou, citando Picasso:
“A obra só existe quando alguém olha e vê o que não aparece no olhar apressado.”

Essa troca confirma o argumento central do estudo: a obra só se realiza quando encontra um olhar capaz de sustentá-la — e o olhar só se realiza quando encontra uma obra que o transforma.

Advogado, jurista, pensador, poeta, pesquisador e artista visual, Taurino Araújo demonstra, com esse trabalho, que sua trajetória atravessa fronteiras disciplinares sem perder rigor ou elegância de crítico literário e de arte, Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e condecorado com a Comenda João Mangabeira (CBJM), ele reafirma que a crítica pode ser pensamento vivo, não mero comentário.

No triângulo Almandrade – Celso Cunha Neto – Taurino Araújo, emerge uma nova forma de leitura: uma crítica que não explica o enigma, mas ilumina o mecanismo que o produz.

O texto final é, ao mesmo tempo, análise, gesto e acontecimento.
E sugere que o futuro da crítica talvez esteja justamente aí:
na coragem de olhar não apenas para a obra, mas para o olhar que se arrisca sobre ela.

Veja o artigo publicado aqui: PDF

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