Diabetes é fator de risco importante nos casos de Covid-19

No dia de conscientização sobre a doença, 26 de junho, endocrinologista explica riscos e cuidados necessários

Pacientes portadores de diabetes apresentam maior risco para o desenvolvimento de formas graves da Covid-19.  A associação entre diabetes melittus e o coronavírus inclui a exacerbação do processo inflamatório e alterações no sistema de coagulação e na resposta imune. O Dia Nacional do Diabetes é comemorado em 26 de junho, quando se reforçam informações seguras sobre a doença.

“Quem tem maior risco para desenvolver casos graves são aqueles com mau controle metabólico, com diagnóstico de longa duração e com complicações estabelecidas, como presença de outras comorbidades, como obesidade e hipertensão arterial sistêmica não controlada, e também idosos”, explica a endocrinologista Renata Peixoto, que integra a equipe de Endocrinologia do Hospital Cárdio Pulmonar.

Os sintomas e tratamento da Covid-19 nos pacientes portadores de diabetes são os mesmos da população em geral, mas estes devem monitorar a glicemia com maior frequência a fim de identificar se há piora desse controle glicêmico.

“Caso haja necessidade de uso de corticosteróides, recomenda-se entrar em contato com o médico assistente, pois existe uma chance ainda maior de piora do controle glicêmico com necessidade de ajuste das medicações e, em casos mais graves, necessidade do uso de insulina”, afirma a médica.

A endocrinologista Renata Peixoto também alerta para o risco de cetoacidose diabética, uma complicação aguda do diabetes que acontece mais comumente em pacientes portadores do tipo 1, mas que pode ocorrer em pacientes do tipo 2 mal controlados e em vigência de situações de estresse como infecção.

Sintomas

Os sintomas mais comuns do diabetes são: sede excessiva, aumento da frequência da necessidade de urinar, níveis elevados de glicemia (geralmente acima de 250 mg/dL), cansaço extremo, dor abdominal, náuseas, vômitos e falta de ar. Em caso de presença de alguns destes sintomas, o paciente deverá ser avaliado por um endocrinologista.

Questionada sobre os casos de pacientes que afirmam ter desenvolvido diabetes após a infecção pelo novo coronavírus, a médica afirma que isso ainda está sob investigação. “O que sabemos até o momento é que a hiperglicemia está relacionada ao aumento da mortalidade e morbidade associada à Covid-19 e que o próprio vírus pode induzir e piorar o estado de hiperglicemia. Ainda não está claro se o dano às células pancreáticas é transitório ou permanente”, pontua.

“Na prática clínica temos observado que muitos pacientes que apresentam ‘hiperglicemia nova’ durante a internação por Covid-19 e apresentam melhora gradual do perfil glicêmico com a resolução da infecção e especialmente com a suspensão do uso de corticoide”, explica.

Entretanto, Renata Peixoto destaca que é prudente manter um cuidadoso seguimento dos pacientes após a infecção por coronavírus, especialmente aqueles que apresentam outros fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes como obesidade e história familiar de diabetes.

Cuidados

No Dia Nacional do Diabetes, comemorado em 26 de junho, a especialista pontua que os pacientes devem buscar um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada, essencial para a manutenção do bom funcionamento do organismo, além de melhorar o controle glicêmico e fortalecer o sistema imunológico. Renata Peixoto também destaca que deve-se manter uma rotina de exercícios.

Se for usuário de insulina, é preciso intensificar o acompanhamento da glicemia, uma vez que o diabetes mal controlado poderá tornar o paciente mais vulnerável à infecção pelo novo coronavírus.

O paciente também deve continuar usando as medicações de forma habitual e regular e informar ao seu médico caso inclua vitaminas e outras substâncias em sua rotina. “Nenhum medicamento usado para o tratamento do diabetes ou da hipertensão arterial mostrou aumento do risco para infecção do coronavírus”, esclarece a endocrinologista.

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