Em despedida da Presidência da ALBA, Nelson Leal faz discurso de agradecimento

Nesta segunda-feira (1), o deputado Nelson Leal (PP) fiz sua despedida da presidência da Assembleia Legislativa. Em discurso emocionado, o parlamentar agradeceu aos seus pares e servidores da Casa.

“Espero ter retribuído à altura a confiança em mim depositada por cada um de vocês, deputados e deputadas, e peço desculpas por um ou outro desencontro.  A divergência faz parte da natureza do parlamentar, mas o meu sentimento é de convergência com todos vocês. E não falo de convergência ideológica ou mesmo de opiniões, mas da sintonia baseada pelo afeto, pela tolerância e pelo respeito”, afirmou.

Veja abaixo a íntegra com o discurso de Nelson Leal:

Discurso Nelson Leal – 01.02.2020

(Cumprimentos gerais…)

Um vírus, que aparece a cada século, mudou radicalmente as nossas vidas. O “normal” já não existe mais. E, talvez, nunca mais  volte.

Quero, antes de tudo, pedir um minuto de silêncio em memória dos mais de 224 mil brasileiros que perderam a vida na luta contra a Covid-19, que simbolizo na pessoa de nosso colaborador da ALBA, Cícero Clemente, que partiu para o outro lado do Caminho em Maio de 2020 e que, neste instante, faz muita falta para todos nós.

(MINUTO DE SILÊNCIO)

Amém!

Minhas caras amigas, meus caros amigos,

As minhas palavras, a partir deste instante, serão de puro agradecimento.

O sentimento de gratidão é o sistema de recompensa que o cérebro define para as coisas de nossa vida que merecem reconhecimento.

Portanto, senhoras deputadas, senhores deputados, hoje, estou transbordando de dopamina, inundado pela sensação de plena gratidão.

Por isso, muito obrigado, do fundo do meu coração, aos meus 62 pares pela colaboração, empenho e solidariedade nesses 731 dias em que estive presidente desta Assembleia Legislativa da Bahia, a nossa ALBA.

Espero ter retribuído à altura a confiança em mim depositada por cada um de vocês, deputados e deputadas, e peço desculpas por um ou outro desencontro.

A divergência faz parte da natureza do parlamentar, mas o meu sentimento é de convergência com todos vocês. E não falo de convergência ideológica ou mesmo de opiniões, mas da sintonia baseada pelo afeto, pela tolerância e pelo respeito.

Agradeço aos servidores da ALBA, aos meus colaboradores diretos e à nossa equipe do gabinete da presidência pela atenção, seriedade e competência.

Sozinho, sem o apoio da nossa equipe – do Cerimonial, da Comunicação, da Assistência Militar, dos motoristas, do pessoal da copa, das secretárias, das Comissões, do Plenário, dos superintendentes e dos assessores diretos – não faríamos nada e não iríamos para lugar algum.

Obrigado à minha família, especialmente aos meus pais, Lia e Émerson; à minha esposa Danda e às minhas três filhas, minhas queridas três Marias. Agradeço também aos meus irmãos André e Ana Paula.

Eu devo muito a todos vocês pela paciência de suportar dois anos de total dedicação exclusiva à ALBA.

Senhoras e senhores,

Apesar de vivermos, com a pandemia da Covid-19, a pior crise mundial desde a Segunda Guerra, que durou seis anos, entre 1939 e 1945, podemos olhar para o futuro e acreditar que vai passar. É bem verdade que o chefe maior do país fez de tudo para atrapalhar, mas, com certeza, ele também vai passar. E o Brasil poderá voltar a ser otimista, ousado, diverso e inclusivo.

A gratidão, portanto, é o combustível da vitalidade e do otimismo que me traz aqui: não para a despedida, mas para dizer que esta Casa tem um novo presidente à altura das suas tradições de altivez, dignidade e independência.

Ser sucedido na presidência da Assembleia Legislativa é sinal de que a democracia foi mais uma vez revigorada.

Tenho o orgulho, caro Adolfo, de passar o comando desta casa a você, que sei que vai semear e adubar essa nossa democracia, livrando-o de qualquer ameaça totalitária ou de arbítrio.

Dei o máximo de mim e demos a nossa contribuição nestes dois anos muito difíceis do Parlamento baiano. Dificuldades orçamentárias, que nos obrigaram a cortar não só gastos, mas também investimentos.

E um 2020 todo comprometido pela pandemia. Ano de muita dor, sofrimento e luto, mas, ao mesmo tempo, época de aprendizagem, de inovação e, sobretudo, de solidariedade.

De uma hora para outra, tudo se fechou. Os protocolos de segurança sanitária da Covid-19 nos obrigaram a praticamente interditar este Palácio Luís Eduardo Magalhães. E, então, fomos para as sessões legislativas remotas, virtuais pela primeira vez em toda a história da ALBA, através da plataforma Zoom e do celular.

E, muito além da inovação tecnológica, esta Casa do Povo deu uma demonstração magnânima de compromisso com os interesses principais do povo baiano. Todos os projetos de lei oriundos do Executivo que versavam sobre o combate à Covid-19 foram aprovados por unanimidade.

Os decretos-legislativos, que determinavam o estado de calamidade pública, na Bahia e nos municípios, foram também aprovados de forma célere e unânime.

Podia aqui desfiar um rosário de lamentações por causa desse ano atípico, frustrante e de muito luto, mas como já disse, neste instante os meus níveis de dopamina estão elevados. Aproveito para a informar que a oxigenação também está ótima.

Então, continuo a agradecer.

Dizer da minha satisfação em ter conduzido com segurança e de forma positiva as nossas obrigações legislativas, embora com um rito usual, quase todo ele remoto.

E mais uma vez, dizer do meu contentamento em ver situação e oposição, maioria e minoria, deixando suas naturais divergências políticas e ideológicas de lado para se constituírem num único bloco: o da unanimidade em defesa da vida.

Meus caros colegas deputados e deputadas, tenham a certeza de que estamos fazendo história. Muito se fala em república, mas esta Assembleia Legislativa da Bahia deu uma demonstração vigorosa e inconteste de solidariedade republicana.

Agradecer aos nossos companheiros da Mesa Diretora pela integralidade do apoio, pela coesão, pelo respaldo que nos deram.

Meu abraço aos meus vice-presidentes deputados Alex Lima, Ivana Bastos, Fabrício Falcão e Soldado Prisco.

Minha gratidão às secretárias da Mesa: deputada Maria del Carmen, deputado Tom Araújo, deputada Talita Oliveira, deputado Euclides Fernandes.

E aos suplentes, mas presentes e parceiros, deputados Samuel Junior, Fabíola Mansur, Neusa Cadore, Pedro Tavares e Jurailton Santos.

Meu muito obrigado, de coração, ao líder do Governo, deputado Rosemberg Pinto; e aos líderes da Oposição: no primeiro momento, o deputado Targino Machado – a quem peço uma salva de palmas; e, agora, na pessoa de meu irmão, o deputado Sandro Régis. Vocês foram gigantes, homens públicos da melhor qualidade.

Agradeço ao governador Rui Costa pela honrosa parceria e pela sua disposição constante ao diálogo, sempre em busca do bem comum. Sem dúvida, é o governador mais humanista de todos os tempos. O menino da Liberdade que chegou ao poder, mas nunca se esqueceu de suas origens.

Meu apreço e toda estima ao chefe do Poder Judiciário, desembargador Lourival Trindade, e à chefe do Ministério Público do Estado da Bahia, promotora Norma Cavalcanti.

Meu agradecimento ao vice-governador e meu querido amigo João Leão. Tenho o prazer de ser seu liderado e de muito aprender com a sua simpatia, a sua tenacidade e a sua criatividade, meu caro “Bonitão”.

Obrigado aos Jornalistas e todos os profissionais de comunicação da mídia baiana pelo profissionalismo e seriedade com que contribuíram para nossa gestão.

E aproveito para agradecer, finalmente, ao meu bom Deus. Foram os desígnios Dele que me jogaram na tormenta, mas também foi Ele que me deu forças e iluminação para vencer o mar encapelado e quase chegar a este porto seguro.

Digo quase porto seguro, caro novo presidente Adolfo e novos integrantes da Mesa Diretora, porque temos muito a fazer, muito a reconstruir e muito a curar.

Mas, tenho certeza, Adolfo, que pela sua tenacidade, coragem e capacidade, com certeza estarás em um campo bem mais formoso do que este em que nos encontramos.

Os tempos continuam de desafio. Ainda temos um longo caminho a percorrer para vacinar todos os baianos e todo o povo brasileiro.

Primeiro, salvar vidas e, depois, promover a reconstrução da economia, em razão da quebra de milhares de empresas e do aumento exponencial do desemprego. O fechamento da Ford, em Camaçari, é apenas o caso mais emblemático, mas a situação, de um modo geral, é gravíssima.

Os problemas são gigantescos, mas o que a vida nos pede é coragem para justamente encarar e superar os grandes desafios. Diante de obstáculos, a vida exige que não trepidemos, que nos mantenhamos firmes e ainda mais rígidos. Exige que acreditemos na sabedoria, na ciência e não em charlatões e em fakenews.

O Brasil precisa ouvir e aprender com o seu passado. Por isso, hoje soa completamente absurda a ideia de uma “revolta da vacina”, como a que ocorreu em 1904, no Rio de Janeiro. E olhe que a obrigatoriedade da vacina já fora instituída em 1837. Isso era até plausível no início do século XX, quando se precisou da ciência e da bravura de Oswaldo Cruz, mas não mais agora, em plena era da realidade virtual e da inteligência artificial.

O vírus não pode ser maior e mais forte do que nós. Ele será vencido e precisamos de todo mundo para restaurar o abraço que não damos há muito tempo, as aulas que foram perdidas, as empresas de portas cerradas e os empregos que se foram.

Seremos julgados sempre pela coragem, pela audácia em desafiar o conformismo e a resignação, porque, sem sombra de dúvidas, a história não fala dos covardes.

Repetindo o querido Gilberto Gil, cada vez mais lúcido e mais brilhante aos 78 anos: “a luz nasce da escuridão”.

Deixo, portanto, a presidência desta Casa com o sentimento do dever cumprido. Mas, esse julgamento é de vocês, não meu.

E continuarei, onde quer que eu esteja, sempre a postos, em defesa dos interesses maiores do povo baiano e da Bahia. 

Senhoras deputadas, senhores deputados,

Boa sorte, coragem e fé. Que o Senhor do Bonfim ilumine e abençoe os seus dias na Presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, caríssimo deputado Adolfo Menezes e demais componentes da Mesa Diretora.

Para finalizar, de coração, mais uma vez, gratíssimo a todos vocês.

Muito obrigado, ALBA. No coração, minha casa para sempre.

Foto: Vaner Casaes/ALBA

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