II Congresso On-line da Jovem Advocacia Baiana já soma mais de 6.200 inscritos

Maior evento virtual da jovem advocacia baiana, evento foi aberto com aula magna da ministra do TST Delaíde Alves Miranda Arantes

O II Congresso On-line da Jovem Advocacia Baiana, que começou ontem (26) e segue até sexta-feira (28), já soma mais de 6.200 inscritos. Com mais de 3200 acessos simultâneos  e pico de 1300 visualizações no primeiro dia do evento, o encontro já se configura como o maior congresso virtual da história da jovem advocacia. Quem não participou do primeiro dia, mas deseja participar da programação desta quinta e sexta-feiras ainda pode se inscrever gratuitamente pelo site congressodajovemadvocacia.com.br, onde o evento está sendo transmitido.

Promovido pelo Conselho Consultivo da Jovem Advocacia da Bahia (OAB Jovem), o encontro discute os  principais desafios da classe na atualidade. Na abertura ontem, a presidenta da OAB Jovem Bahia, Sarah Barros, foi a responsável por dar as boas-vindas aos participantes. “Apesar de estarmos enfrentando as dificuldades ocasionadas pela pandemia, estou muito feliz em fazer parte desse projeto de representatividade da jovem advocacia. Se todos nós estivermos de mãos dadas, conseguiremos construir um futuro muito melhor”, declarou.

O presidente da OAB-BA, Fabrício Castro, destacou o trabalho desenvolvido pela OAB Jovem e disse que a trajetória do grupo é motivo de orgulho para a seccional. “De 2013 para cá, notamos a mudança que aconteceu na jovem advocacia de forma nacional, graças à OAB Jovem da Bahia. Hoje, não podemos falar em evento da OAB-BA sem incluir a jovem advocacia baiana”, disse. Representando a OAB Nacional, o vice-presidente da entidade, Luiz Viana, disse que o congresso servirá, sobretudo, para pensar o futuro. “Estamos aqui para discutir o futuro da jovem advocacia na Bahia e no Brasil em um momento de tantas perdas e com a incapacidade técnica do governo em lidar com nossas vidas. É preciso ter solidez no espírito e no coração”, frisou

À frente da organização do evento ao lado de Sarah, o tesoureiro da OAB-BA, Hermes Hilarião, destacou que, desde a gestão de Luiz Viana, a seccional tem investido no fortalecimento da jovem advocacia. “Tenho muito orgulho de participar desse processo. Meu trabalho sempre foi no sentido de dar voz e vez à jovem advocacia”,  disse. Comemorando os 75 anos da Caixa dos Advogados (CAAB), o presidente da entidade, Luiz Coutinho, falou sobre a “força” e “energia” da OAB Jovem e destacou a importância de continuar lutando por um futuro em que a jovem advocacia esteja incluída, “estabelecendo uma nova ideia de futuro”.

A secretária-geral da OAB-BA, Marilda Sampaio, destacou a felicidade em estar presente em um evento conduzido por uma presidenta mulher e conclamou a categoria: “Vamos juntos com a bandeira da juventude que temos dentro de nós e façamos dessa travessia um caminho com empatia e humanidade”, pontuou. O secretário adjunto da seccional, Maurício Leahy, por sua vez, falou sobre a satisfação em participar do evento. “Tenho muito orgulho de estar presente na abertura e de poder caminhar ao lado da OAB Jovem e da diretoria, levando à advocacia os melhores debates”, reforçou.

O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça André Godinho destacou a forma democrática com que a OAB realiza sua gestão e falou sobre o desafio de ampliar a participação da advocacia no CNJ. “A presença da advocacia é importante no aprimoramento das políticas nacionais do Poder Judiciário”, reforçou. Já o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), Roberto Frank, disse que a jovem advocacia representa a reinvenção de forças que trazem à sociedade os auspícios da democracia. “No atual cenário em que tantos desafios se impõem, somos instados a romper as fronteiras e reinventar conceitos. O prenúncio de dias melhores, neste contexto, certamente surgirá da flama dessa juventude”, completou.

Aula magna

Encerrada a abertura, a programação seguiu com a aula magna da ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Delaíde Alves Miranda Arantes. Com testemunho sobre sua trajetória profissional, Delaíde contou que iniciou a vida como empregada doméstica e que passou por vários trabalhos na advocacia. “Comecei como estagiária. Fui advogada trabalhista por 30 anos em Goiás, até chegar à vaga de ministra do TST pela advocacia. Na carreira jurídica, nunca estamos prontos e acabados”, declarou.

Para os advogados e advogadas em início de carreira, a ministra aconselhou persistir e praticar a solidariedade e humildade. “É preciso saber ser um advogado, juiz ou promotor com a convicção de que o poder não é da pessoa, mas da função”, ressaltou.   Outra dica da ministra para a jovem advocacia foi lutar pela igualdade. “O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e várias chagas da sociedade, como machismo e racismo, surgem a partir dessa desigualdade”.Delaíde também falou sobre a atual precarização das relações de trabalho e destacou que a sociedade passa por um momento em que “é preciso refletir e estar vigilante ao Estado de Direito e à democracia”.

Quem precisa de Justiça não pode esperar

Com tema voltado ao funcionamento do Judiciário na pandemia, o painel “Quem precisa de Justiça não pode esperar” foi aberto com as considerações de Luiz Viana. O vice-presidente da OAB Nacional destacou que não há equivalência entre o atendimento prestado pelo Judiciário, sobretudo na pandemia, e a velocidade tecnológica. “Só tenho visto as coisas piorarem. Não vejo uma melhoria da prestação jurisdicional equivalente às garantias constitucionais de 1988”, disse. Sobre os prós e contras do uso da tecnologia no judiciário baiano, Viana destacou que os processos estão andando mais rápidos, mas que o acesso aos juízes ficou mais difícil. “As portas ficaram mais fechadas”, reforçou.

O palestrante Cézar Britto disse que a tecnologia é um instrumento que pode servir à humanidade, mas, caso não compreendida direito, poderá servir à opressão e à desigualdade. “Neste caso, também será mantida a dificuldade de acesso à Justiça”, ressaltou. Britto também frisou que a tecnologia é irreversível, mas não pode ser causadora de injustiça. “E nós, enquanto advogados, não podemos fazer vistas grossas ao que está acontecendo”, destacou.

A palestrante Solange Silva disse que “o judiciário se fechou”, em referência à dificuldade de acesso à justiça. “As pessoas que estão dentro dos tribunais precisam ter empatia. Não buscamos números. Queremos justiça. Precisamos da abertura dos fóruns”, cobrou. Solange disse, ainda, que a advocacia não está contra a tecnologia, mas contra a forma que está sendo utilizada. “O advogado não pode ficar sem acesso ao juiz. É preciso seguir as regras que não estão sendo seguidas. Ela precisa ser regulamentada na prática”, destacou.

Diversos outros painéis sobre temas de amplo interesse social e jurídico foram apresentados ontem (26) até a noite. A programação desta quinta (26) e sexta-feira (27) pode ser conferida neste link: https://congressodajovemadvocacia.com.br/programacao

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