Sérgio Passos

 Há pouco dias, retirei a minha candidatura a deputado estadual pelo PSDB. Não consegui resistir ao sentimento que me tomou, mesmo que momentâneo, sentimento de descrédito, resignação e quase impotência diante do quadro dramático que as eleições proporcionais nos apresenta.

Acreditava que, com o retorno da democracia ao nosso País, quanto mais eleições houvesse, mais ela seria aperfeiçoada, pois o povo seria levado a se educar politicamente e o que passaria a predominar seria o princípio ideológico e o interesse de bem servir.  

Ledo engano!  O que se vê hoje é a total deturpação da democracia; com um quadro partidário exótico, com quase 40 partidos registrados (sob os olhos coniventes de todos). Não acredite que por trás disso exista ideologia, e sim interesses, quase sempre escusos, como negociatas de tempo de TV e rádio, e outras coisas mais.

A eleição sem a distritalização tem levado ao predomínio do dinheiro, pois, candidatos representando estruturas de poder, instituições sociais ou grupos econômicos, surgem levando por “água abaixo” a representatividade popular, pois os eleitos colocam o mandato à disposição daqueles que os financiam, desconectados, na maioria das vezes, da realidade local dos "representados".

Ora, isto não pode continuar, pois terminará colocando em risco o nosso regime Democrático, pois estimula a troca de favores e a corrupção e até o sentimento, cruz credo, da volta à ditadura.

Para que possamos mudar esta situação, teremos que eleger um Presidente com visão desta realidade distorcida e com a coragem necessária para fazer a reforma (mãe) política, que traga no seu bojo a distritalização do voto, seja este misto ou  puro, com financiamento público ou não, etc, etc.

O que importa é que todos nós tenhamos o eleito mais próximo, para fiscalizarmos a sua atuação e a diminuição de influências financeiras na eleição. 

Reforma política, como chamo reforma mãe, pode ser um sonho, mas na vida é preciso também sonhar acordado, pois através do sonho podemos buscar uma realidade, que no nosso caso, o Brasil, urge.

Sérgio Passos é médico e presidente estadual do PSDB na Bahia


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