*Por Osvaldo Lyra

Volta e meia uma pergunta tem sido feita sobre a necessidade de o governo do estado construir um segundo Centro de Convenções em Salvador. Após o desabamento do Centro de Convenções da Bahia, no Stiep, e o anúncio e início da construção do Centro de Convenções municipal, tocado pela prefeitura, políticos e integrantes do trade turístico passaram a questionar a real viabilidade do segundo equipamento na cidade. Para responder a essa pergunta, fui atrás de representantes do trade para entender se, de fato, a medida anunciada pelo secretário estadual de Turismo, Fausto Franco, encontra guarida, ou se seria mais interessante o governo utilizar os R$200 milhões estimados na viabilização de outros equipamentos turísticos para Salvador.

Segundo Roberto Duran, presidente do Conselho Baiano de Turismo e Salvador Destination, não há garantias ainda de que o governo esteja, de fato, disposto a colocar o projeto adiante. Duran questiona, inclusive, a equação para viabilizar o empreendimento. Cita como exemplo o modelo adotado pela prefeitura, que licitou a construção e gestão do equipamento pelos próximos 25 anos, através de recursos privados, formato de sucesso adotado em todo o mundo. “Uma nova roda não precisa ser inventada. Só não dá para o governo construir e gerir. Sendo assim, erra e começa fadado ao insucesso”, disse, ao citar o equipamento erguido em Fortaleza, que está se tornando um elefante branco.

O consenso é que hoje não há necessidade nem demanda para a construção de dois centros de convenções, mas Salvador tem potencial para isso. Após seis anos sem nenhum equipamento para abrigar congressos e feiras, a capital baiana saiu do circuito de possibilidades para esse tipo de turismo. Todos são enfáticos ao armar que, imediatamente, o centro da prefeitura atende a demanda atual, mas nada impede que uma nova (demanda) seja criada, como defendeu Manoel Garrido, o Manolo, presidente da Câmara de Turismo da Fecomércio. Ainda mais que a previsão é que o equipamento estadual só que pronto dentro do prazo de quatro ou cinco anos.

Manolo enfatizou ainda que é importante conhecer o projeto do governo do Estado antes de aprofundar as discussões. “Ainda é muito cedo para avaliar. O espaço é menor que o da prefeitura, o edifício é tombado. E como cará o uxo de veículos e o trânsito no entorno daquela região? Então é muito cedo para se posicionar”.

Um dado importante que respalda essa posição de Roberto Duran é que no país existem hoje mais de 2600 entidades que fazem congressos todos os anos, além dos eventos como feiras, que podem movimentar esses equipamentos. Já outros integrantes do trade falaram em o e preferem não se posicionar publicamente. O temor, para alguns, é que essa demanda nova não seja criada e que um equipamento acabe anulando o outro. Um dirigente do trade defende que uma pesquisa minuciosa seja feita pelo governo para que a decisão efetivamente seja tomada. Houve também quem defenda que os quase R$200 milhões sejam investidos em outros equipamentos, no lugar do segundo Centro de Convenções, no Instituto do Cacau, no Comércio. Diante disso, cabe agora ao próprio governador Rui Costa se posicionar e tornar públicas as suas reais intenções sobre o assunto.  A conferir.

*Osvaldo Lyra é editor de Política da Tribuna da Bahia


Prefeitura de Salvador
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