Alderico Sena

No dia 05 de outubro, 25 anos de sua consolidação da Lei Maior do Estado da Bahia. Foi com muita honra que recebi o convite do Deputado Estadual Luiz Leal, exemplo de parlamentar ético e leal para conduzir a Coordenação de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte, composta de servidores qualificados do quadro da Assembleia Legislativa, dos contratados pelo Processo Seletivo em Convênio firmado entre a FAPEX/UFBA e os terceirizados contratados pela Empresa prestadora de serviços – TRASNSLAR, dentre outros colaboradores a serviço da Constituinte. Confesso aos baianos que foi um MARCO e um dos maiores desafios e privilégio profissional conduzir as atividades de recursos humanos da Assembleia Estadual Constituinte. A filosofia para o sucesso dos trabalhos foi a formação de uma equipe coesa com princípios, conceitos, ética e disciplina para acontecer a Promulgação da Constituição do Estado da Bahia, no dia 05 de 0utubro de 1989. Se não fosse o zelo, a dedicação, a eficiência e o comprometimento da equipe técnica e administrativa que compôs o grupo, durante dia, noite, sábado, domingo e feriados, sob a liderança do Secretário Geral Deputado Sebastião Castro para a conclusão dos trabalhos, confesso a todos baianos que a Constituição não seria Promulgada no dia 05 de outubro de 1989 no Plenário da Assembleia Legislativa, pelo Presidente da Assembleia Constituinte Deputado Estadual Coriolano Sales que no assinar o primeiro exemplar da nova Carta Magna Estadual, ladeado pelo então governador Nilo Coelho, Presidente da Assembleia Legislativa, Deputado José Amando Mascarenhas, Senadores, Desembargadores, Prefeitos e Vereadores, dentre outras autoridades e um publico de mais de 1.500 pessoas que assistiram à sessão solene no Plenário da Assembleia Legislativa. Não poderia deixar de citar e agradecer a belíssima cooperação dos Notáveis aos trabalhos: Marcelo Duarte, Edvaldo Britto, Joaquim Calmon de Passos, Mario Kertész, dentre outros ilustres notáveis. A Bahia já teve 5 (cinco) Constituições a de: 1891, 1937, 1945, 1967 e a última de 1989. O Presidente da Constituinte, Coriolano Sales, encontrou nos versos do poeta português Fernando Pessoa – “Valeu à pena?/ Tudo vale a pena, /Se a alma não é pequena” a forma de transmitir o seu sentimento e a emoção ao declarar no dia 05 de outubro de 1989, em sessão solene na Assembléia Legislativa, promulgada a nova Constituição da Bahia. “Pela primeira vez na história política da Bahia – disse ele – realizou-se um processo aberto, franco e democrático na elaboração da Lei Maior do Estado”. A Mesa Diretora da Assembleia Estadual Constituinte de 1989, foi composta pelos Deputados Estaduais: Coriolano Sales – Presidente; Antonio Menezes – 1o Vice-Presidente; Gerbaldo Avena – 2o Vice- Presidente; Osvaldo Souza – 3o Vice-Presidente; Sebastião Castro – Secretário Geral; Jurandy Oliveira – 1o Secretário; Daniel Gomes – 2o Secretário e Paulo Renato – 3o Secretário. Na Relatoria Geral o Deputado Sérgio Gaudenzi e os Deputados José Ronaldo, Luiz Braga e Henrique Sampaio foram relatores Adjuntos. O Presidente da Assembleia Legislativa na época era o então Deputado Estadual José Amando Mascarenhas. Para conhecimento da sociedade, relaciono os nomes dos deputados constituintes que fizeram acontecer à realização da nova Constituição estadual da Bahia, com o suporte do pessoal técnico, notáveis e administrativo, promulgada em 05 de outubro de 1989: Alcides Modesto; Almir Araujo; Alcindo da Anunciação; Amabília Almeida; Antonio Honorato; Antônio Menezes; Carlos Alberto Simões; Cesar Borges; Clodoaldo Campos; Cobert Martins; Coriolano Sales; Cristovão Ferreira; Daniel Gomes; Ernani Rocha; Edgar Dourado; Edson Quinteito; Emiliano José; Edval Lucas; Eliel Martins; Eujácio Simões; Euvaldo Maia; Ewerton Almeida; Fernando Bastos; Fernando Daltro; Filadelfo Neto; Florisvaldo Carneiro; Galvão Filho; Galdino Leite; Gastão Pedreira; Gerbaldo Avena; Gerson Gomes; Henrique Sampaio; Horácio de Matos; Jaime Mascarenhas; Jayme Vieira Lima; Jayro Santo Sé; João Almeida; José Amando; João Lyrio; José Ramos; José Rocha; José Ronaldo; Jurandy Oliveira; Leônidas Cardoso; Luciano Santana; Luciano Simões; Luiz Braga; Luiz Cabral; Luiz Leal; Luiz Nova; Luiz Pedro Irujo; Luiz Humberto; Marcos Medrado; Mauricio Cotrim; Miguel Abrão; Misael Ferreira; Nobelino Dourado; Osvaldo Souza; Otto Alencar; Paulo Fábio; Paulo Maracajá; Paulo Renato; Pedro Alcântara; Ribeiro Tavares; Raimundo Caires; Raimundo Sobreira; Reinaldo Braga; Roberto Cunha Rubem Carneiro; Sebastião Castro; Sergio Gaudenzi e Vandilson Costa. Neste epilogo, parabenizamos os heróis Constituintes que cooperaram e fizeram acontecer à promulgação da Constituição do Estado da Bahia em 05 de outubro de 1989.

ALDERICO SENA - Coordenador de Pessoal da Assembleia Estadual Constituinte - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Alderico Sena

O Cooperativismo nasceu a pouco mais de um século e meio. Por volta de 1750, surgiu a industrialização na Europa. Com ela, a sistematização do trabalho. Estava criada uma nova organização social. O mundo deixava de ser apenas agrícola e pastoril. Um novo elemento a Fabrica estava sendo introduzido na história da humanidade. A Europa inteira começava a se enfeitar de fábricas. Que maravilhosa invenção aquela, em que o produto final dependia da sinergia do trabalho de cada um. Por isso, trabalhavam dezesseis horas por dia, só descansavam aos domingos, aceitavam as condições insalubres do trabalho e a baixa remuneração. Foi no interior da Inglaterra, mais especificamente nas regiões de Yorkshire e Lancashire, que se fizeram sentir, mais agudamente, os benefícios e os rigores da Revolução Industrial. Foi nesse ambiente que nasceu a “Cooperação”, escrita com hífen, àquela época. A Co-operação foi à resposta de uma pequena e sofrida sociedade ante a opressão do capitalismo nascente. Criou- se um novo estilo de vida que, nascido das opressões sociais geradas pela revolução industrial inglesa do século dezoito, frutificou e é exemplo até os nossos dias. Os primeiros vinte e oito membros da Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale têm a fama universal pela importância da obra que realizaram e pelo progresso maravilhoso da cooperação por eles estabelecida. Por que formar Cooperativas? É comum, nas mais diversas atividades econômicas, as pessoas aderirem a maneiras de agir que possibilitem benefício a todos. Isso se verifica principalmente na produção rural, no consumo, na prestação de serviços, bem como em outros meios que proporcionem o desenvolvimento do ser humano, das famílias e das comunidades onde vivam. A união de pessoas objetivando a melhoria de todo o crescimento de cada um, o alcance de maiores resultados, o aumento e a melhor distribuição de renda, o desenvolvimento da criatividade, a afirmação dos mesmos interesses e das mesmas dificuldades, caracterizam a cooperativa. Uma forma que se pauta em valores morais e educativos, centrada na concepção de cada pessoa como ser livre, soberano e capaz de realizar o desenvolvimento de cada um e da própria comunidade. Como Formar Cooperativas? Para a formação de uma cooperativa, é necessário que as pessoas interessadas estejam conscientes do empreendimento que pretendem. Cada participante deve identificar as formas mais adequadas de funcionamento da cooperativa, das determinações legais e, enfim, de todas as características que garantam a condução das ações, da maneira mais harmoniosa possível. Como Conduzir Uma Cooperativa? Constituída a sociedade cooperativa, os cooperados realizam a Assembléia Geral, de onde emanam as decisões na condução de toda e qualquer ação. É também a Assembléia Geral, com base nas disposições estatutárias (Estatuto Social), que dá suporte aos demais órgãos: Diretória, Conselhos Administração, Fiscal e de Ética Por delegação, devem administrar a sociedade, responsabilizando-se pela formação do capital, conservação do patrimônio, direção dos negócios, administração dos serviços prestados e representação de toda a sociedade para preservação dos mais diversos interesses. Qual a Função do Cooperado? Na função de dono e usuário da sociedade, o cooperado, além de responsável pela execução de todos os atos e conservação dos objetivos estabelecidos, precisa definir claramente como devem ser prestados os serviços que ele se destinam. O cooperado, organizado em comitês, conselhos, núcleos ou comissões, deve contribuir da melhor da melhor maneira possível em favor daqueles que receberam a incumbência da administração da empresa, para que todas as decisões sejam corretas e representativas da vontade da maioria. Todos devem agir em condições de decisão para que a cooperativa mantenha os serviços necessários, dentro de um eficiente sistema de controle interno e de comunicação. O que é Cooperar? Deriva etimologicamente da palavra latina “Cooperari”, formada por “cum” (com) e “operari” (trabalhar), e significa agir simultânea ou coletivamente com outros para um mesmo fim, ou seja, trabalhar em comum para o êxito de um mesmo propósito. O que é Cooperação? Método de ação pelo qual indivíduos ou famílias com interesses comuns constituem um empreendimento. Neste, os direitos de todos são iguais e o resultado alcançado é repartido somente entre os integrantes, na proporção da participação societária nas atividades. O que é Cooperativismo? É uma doutrina, um sistema, um movimento ou simplesmente uma atitude ou disposição que considera as cooperativas como uma forma ideal de organização das atividades sócio-econômicas da humanidade. O que é Cooperado? Cooperado é o produtor rural, o trabalhador urbano, dentre outros profissionais, de qualquer atividade sócio-econômica, que se associa para participar ativamente de uma cooperativa, cumprindo com os seus deveres e observando os seus direitos. O que é Cooperativa? Cooperativa é uma associação de pessoas com interesses comuns, organizada economicamente e de forma democrática, com a participação livre de todos os que têm idênticas necessidades e interesses, com igualdade de deveres e direitos para a execução de quaisquer atividades, operações ou serviços. Valores do Cooperativismo – As cooperativas baseiam-se em valores de ajuda mútua e responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Na tradição dos fundadores, os membros das cooperativas acreditam nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante.

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas, Ex-Superintendente do SESCOOP-Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo da Bahia e da OCEB – Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado da Bahia

Osvaldo Lyra

O dia da eleição se aproxima e com ele a tensão de deputados estaduais que anseiam renovar seus mandatos para a Assembleia Legislativa da Bahia. Aliado a isso, soma-se a movimentação de candidatos ávidos a receber das urnas o aval para sentar em uma das 63 cadeiras que compõem o Parlamento baiano. Dos que estão no exercício dos seus mandatos ou dos postulantes que estão fora, surgem nomes que podem ser dados como certos no balcão de apostas, para estar no posto a partir de 2015.

A expectativa é que a coligação governista, encabeçada pelo PT, eleja de 26 a 28 deputados. Do PT, nove deputados devem ser reeleitos com facilidade, sendo que o campeão de votos entre eles deverá ser o atual líder do governo, Zé Neto. Na lista estão o líder do partido, Rosemberg Pinto, os deputados Joseildo Ramos, Zé Raimundo, J. Carlos, Fátima Nunes, Luiza Maia, Maria Del Carmen e Paulo Rangel. Brigam por vaga os deputados Bira Coroa, Marcelino Galo, Joacy Dourado e Neuza Cadore. Sem mandato, mas com grande chance de entrar está o vereador de Salvador, Luiz Carlos Suíca.

Do PCdoB, o único garantido é o deputado Fabrício Falcão, deixando as duas vagas em aberto para Álvaro Gomes, Kelly Magalhães, além da ex-vereadora Olívia Santana, o médico Alfredo Boa Sorte e Crissostomo Lima, conhecido como Zó. O PDT tem quatro deputados, podendo reeleger todos, com o atual presidente Marcelo Nilo devendo ser o mais votado do pleito. O juazeirense Roberto Carlos e o veterano Euclides Fernandes devem ser reeleitos, deixando o ex-secretário Paulo Câmera na repescagem.

Do PP, Mário Negromonte Jr., Cacá Leão e Ronaldo Carletto devem se eleger para deputado federal. Para a Assembleia, estão garantidos os deputados Aderbal Caldas, Luiz Augusto, além do ex-secretário de Agricultura, Eduardo Salles, e o pecuarista Robinho, que é natural de Nanuque (MG). Do PR, o veterano Reinaldo Braga está na disputa, devendo ser reeleito. 

Já do PSD, a expectativa é que o médico e deputado Alan Sanches seja o mais votado do partido e um dos mais fortes do pleito. Adolfo Menezes, Ângelo Coronel, Rogério Andrade e Ivana Bastos estão garantidos. O ex-prefeito de Eunápolis, Robério Oliveira, e a vereadora de Lauro de Freitas, Mirela Macedo, devem entrar na cota do partido de Otto. Maria Luiza Laudano não tentará a reeleição e Timóteo Brito, Ângela Souza e Carlos Ubaldinho poderão ter dificuldade para se manter na Assembleia, tendo que brigar pelas duas vagas remanescentes no partido.

Da coligação encabeçada pelo PSB, da candidata Lídice da Mata, o deputado Nelson Leal, do PSL, será reeleito sem dificuldade. Já o delegado Deraldo Damasceno, que não era apontado como aposta, cresceu ao longo da campanha e pode se manter na Assembleia. Correm por fora a vereadora de Salvador, Fabíola Mansur, e o secretário-geral do PSB, Rodrigo Hita, disputando mais uma vaga da ala socialista.

No bloco da oposição, o DEM sai na frente e deve eleger os deputados Sandro Regis, Targino Machado e Tom Araújo. Além de Fábio Souto, Pablo Barrozo, Luciano Ribeiro (ex-prefeito de Caculé e amigo pessoal do prefeito ACM Neto). Elmar Nascimento e Paulo Azi tentam vaga para a Câmara Federal, já Herbert Barbosa e Ricardo Gaban não estão na disputa. Correm por fora os ex-deputados Heraldo Rocha e Luiz de Deus. O vereador de Salvador, David Rios, pode se eleger pelo PROS.

Do PMDB, deverão ser eleitos Bruno Reis (que deverá ser o mais votado do partido), Leur Lomanto Junior e Pedro Tavares. Graça Pimenta não tenta a reeleição e Luciano Simões trabalha para emplacar o filho, que tem o mesmo nome. Correm por fora ainda o vice-prefeito de Coité, Alex da Piatã, que é uma incógnita, e Carlinhos Sobral. O PRB, braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, deverá reeleger os atuais deputados José de Arimatéia e Sidelvan Nóbrega. Já no PSC, uma das apostas é o presidente do partido em Salvador, Heber Santana, e o atual deputado Vando. Sargento Isidório é sempre uma incógnita, mas pode surpreender e se reeleger. A deputada Maria Luiza Orge desistiu da disputa. 

Os tucanos Adolfo Viana e Augusto Castro devem se reeleger sem maiores dificuldades no chapão oposicionista. A expectativa é que um dos mais votados do PSDB seja o vereador de Salvador, Soldado Prisco. O PTN deve eleger três deputados. Carlos Geilson se reelege com facilidade, deixando na disputa o coronel Gilberto Santana e Anderson Muniz. Quem deve se eleger também é o candidato Alex Lima. O atual estadual João Carlos Bacelar deverá ser eleito para federal pela sigla.

A coligação do PV e PRP deve eleger três deputados. Estão no páreo o deputado Marquinhos Viana, Janio Natal e Jurandir Oliveira, que se reinventou e pode pontuar bem na disputa. O apresentador Uziel Bueno, que tem forte apelo em Salvador e Região Metropolitana, é nome forte no partido e pode ser o mais votado do bloco. Já o vereador Marcell Morais é uma incógnita, podendo entrar ou não na Assembleia Legislativa.

Apostas na mesa, o que preocupa agora é a linha de corte da disputa. No chapão encabeçado pelo PT esse número está entre 45 mil a 50 mil votos. Já na oposição, a linha de corte será entre 35 mil a 38 mil votos, o que pode deixar algumas apostas de fora, devido ao elevado coeficiente dos partidos. 

Osvaldo Lyra é Editor de Política da Tribuna da Bahia

As mudanças que vêm ocorrendo no Brasil nos últimos anos já estão sendo sentidas por uma grande parte da população, pricipalmente pelos jovens, quiçá, não tendo a compreensão da dimensão que isso representa tanto nos dias atuais como no futuro bem próximo. É visível a não participação ativa e direta de mocinhos e de mocinhas no processo político, em toda a sua esfera.

As políticas implantadas logo depois do início da última década, especialmente àquelas voltadas para a educação e geração de emprego e renda, a partir da facilidade ao acesso à cursos universitários e técnicos, sejam eles em instituições públicas ou privadas, financiados pelo governo federal, estão fazendo com que o brasileiro se sinta de fato um brasileiro.

O que está acontecendo neste novo Brasil, aflorado após a ascensão de um ex-operário, retirante nordestino à presidente da República, é algo nunca imaginado até mesmo pelo mais confiante dos brasileiros.

Além do acesso à educação, à moradia, com o maior programa habitacional de todos os tempos, o Minha Casa Minha Vida, a população comemora outros feitos que pareciam impossíveis em outros governos, como o equilíbrios das contas públicas, com o pagamento da dívida junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a queda da dívida líquida em quase pela metade entre 2002 e 2013. Com os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, a renda per capita dos brasileiros, a soma de toda riqueza gerada pelo país, dividida pela população, cresceu quatro vezes, de US$ 2.919 em 2002 para US$ 11.229 em 2013.

A discussão sobre os novos rumos da política invade o cotidiano das pessoas na época de eleições. É normal que o momento da escolha dos representantes, as disputas partidárias e as campanhas dos candidatos na corrida eleitoral, gere apreensão e ansiedade, tanto por parte de quem está na disputa como dos seus apoiadores, mas, usar meios grosseiros e condenáveis, partir para violência porque o que lhe contraria o irrita ou partir para mentira é uma clara demonstração de fraqueza de quem já perdeu as esperanças.

Ao contrário de outras disputas, a corrida eleitoral não segue necessariamente a regra de que quem vence é o melhor. São comuns as ‘decepções eleitorais’ daqueles que por seguir o que lhes é apresentado, sem uma consulta pregressa, acabam contribuindo com o pior. A compreensão do voto como um exercício democrático é necessário para a construção da cidadania. Neste contexto, é preciso e necesário observar sensatamente o que se está sendo oferecido e prometido. Que sejam observados com bastante cuidado os que já tiveram a oportunidade de fazer e não fizeram. É fundamental preservar o direito de escolha de cada um e o respeito à vontade da maioria.

A esperança venceu o medo e agora é a vez da verdade vencer a mentira, com o amor derrotando o ódio. Por tudo o que tem acontecido e o que já foi vivido, recorro à sabedoria popular: “Não se mexe em time que está ganhando”.

 

“Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem”.

Confúcio 

 

Gervásio Lima

Filho de pedreiro, jornalista e historiador

Jolivaldo Freitas

Já começo o texto perdido. Tonto pela ignorância cultural do pastor candidato a deputado na Bahia que quer retirar os símbolos aos deuses africanos do Dique do Tororó e os fixar na Limpurb ou no fundo do mar; tanto como pela minha ignorância em não saber mais se ainda é respeitada a regra linguística de que o termo orixá não tem plural. Seria orixá no singular e os orixá no plural. Pelo menos aprendi assim, mas vejo que hoje a regra não se aplica mais. É igual a Pataxó. Tanto faz singular como plural é o mesmo Pataxó. Não “vareia”, como diriam os locutores futebolísticos.

Mas a ignorância é minha e não é da sua conta, e nem sei porque estou dando satisfação, assim como o pastor não quer dar satisfação sobre sua atitude obscurantista. O que o obreiro de Jesus na terra não sabe é que a figura dos orixás, representadas por seus elementos, como espadas, lanças, abadás, entremeios, pano da costa e tantos mais, extrapolou ao universo religioso.

Faz parte de uma cultura. Da nossa cultura. São elementos culturais respeitados também por quem não é de santo, como eu cuja religião é o Jazz. 

O orixá como é representado, é mais uma marca da baianidade, assim como o Farol da Barra, o Elevador Lacerda, o Esporte Clube Bahia, Jorge Amado ou mesmo a punheta, que todo mundo sabe é bolinho de estudante, mas é que falar punheta enche a boca e é mais característico e é bom saber que se chama punheta porque a massa é amassada (é pleonasmo?) na mão grande, ou no estilo big hand, como diria Michael Jackson que nada tem a ver com esta história, mas é que estou ainda tonto com o radicalismo do pastor xiita e que, graças a Deus, não é do Estado Islâmico, senão mandaria cortar minha cabeça, que por sinal já está ruim. Estou cada vez mais ruim da cabeça.

Se bem que acho que ele quer mesmo é chamar a atenção do seu eleitor, fazendo a divisão entre fiéis e infiéis ou incréus, para aliciar aquela parte da população que tem preconceito e intolerância religiosa. Ele que me diga que nunca comeu um acarajé, uma cocada ou abará num tabuleiro da baiana.

Na verdade o pastor sofre da inveja de semiótica e da sintaxe de linguagem visual. O que o pastor não sabe é que a Igreja Católica, que já foi apostólica e romana tem um monte de símbolos que ajudam à sua identificação “mercadológica” e conceitual, a exemplo de verdadeiras logomarcas (publicitário diz que logo e marca são a mesma coisa, mas eles que se lixem) como a cruz (até mesmo a de Caravaca), os campanários, as asas dos anjos e até os escudos romanos ou mesmo o peixe (um dos primeiros símbolos cristãos baseado nas primeiras letras gregas de Jesus Cristo de Deus Filho Salvador, Ieosus Christos Theou Yios Soter, que forma Icthus, o vocábulo grego para peixe) e o arco-íris, que na tradição judaico-cristã representa o pacto entre Deus e a humanidade.

A religião afro-brasileira tem sua representação estética nos elementos que já citei acima e muitos outros, como o atabaque, o espelho de Oxum ou o tridente de Oxossi, só para citar alguns. O problema da religião do pastor é que os símbolos inexistem. Não existe um deles que seja uno. Como a cruz. Tanto que cada vertente das igrejas surgidas no país usam os seus próprios, como a Quadrangular que usa uma cruz torta e outras que se representam com a imagem de uma pomba estilizada, uma taça – que deve ser o Santo Graal ou coroa de três pontas.

Os evangélicos não gostam da personificação de Cristo e não têm santos que os representem. Em compensação eles não se queixam ao bispo: falam direto com quem manda. Ligação direta com Jesus. Daí que apenas sua representação visual é a Bíblia. Mas esta também pertence aos católicos e apostólicos e não fica bonita numa corrente de ouro, num brinco ou pintada numa camiseta. Nem mesmo na capa de disco de Madonna. Falta estética. 

Pergunto à ele: porque ao invés de retirar os símbolos afro-brasileiros das áreas de Salvador não manda espalhar obras (estátuas, tótens) com a Bíblia representada. Mandava até colocar lá mesmo, no Dique do Tororó.

O que o pastor sofre é de uma terrível crise de identidade. E da insegurança do voto.

Jolivaldo Freitas 

Jornalista, Escritor, Publisher, Radialista, Publicitário e especialista em Marketing. Colabora com artigos publicados periodicamente no Notícia Livre

 



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