Aldir Blanc Mendes, compositor consagrado, faleceu recentemente aos 73 anos com infecção generalizada em decorrência do novo coronavírus Covid-19. Curioso e observador, embrenhou-se nos encantamentos das ruas, dos tipos humanos e das manifestações culturais de sua cidade e do Brasil. Detentor de uma visão crítica ácida sobre políticas e desigualdades sociais, começou a escrever poesia aos 16 anos. Essas passagens fazem parte da sua história e levaram o vereador Odiosvaldo Vigas (PDT) – gestor do Centro de Cultura da Câmara a apresentar Projeto de Lei propondo o nome do compositor em uma rua de Salvador.
Justificativa do PL:
Encaminhamos a esta Casa Legislativa Projeto de Lei propondo que seja denominado Logradouro Público Municipal com o nome do médico, compositor e cronista, Aldir Blanc Mendes. Ele ingressou em 1966 na faculdade de medicina, especializando-se na área de psiquiatria. Abandonaria a carreira de vez em 1973, um ano depois do lançamento de “Agnus sei” – parceria abre-alas de sua obra com João Bosco; neste mesmo disco trazia a consagrada música “Aguas de Março”, famosa na voz de Tom Jobim. A parceria com Bosco rendeu uma nova geração da MPB, casamento perfeito do rico lirismo do letrista com a sofisticação rítmica, harmonia do violão e melodias de Bosco. Juntos escreveram muitos clássicos, com destaque a “O mestre sala dos mares”, “De frente para o crime”, “Caça à raposa” e o “Bêbado e o equilibrista”, que na voz de Elis Regina tornou-se o hino da campanha pela anistia. Ao todo Aldir compôs mais de 500 músicas.
O vereador Odiosvaldo Vigas destaca a importância cultural e política de Aldir Blanc, “conhecedor da real situação do Brasil e das suas mazelas, favelas e vielas, as pobrezas e injustiças, que como ele mesmo dizia: “o Brazil não conhece o Brasil”. Assim, “apresento aos nobres edis este Projeto de Lei, solicitando a sua aprovação. Aldir Blanc teve vários parceiros como compositor, citando João Bosco e parcerias com Moacyr Luz e Carlos Lyra, dentre tantos outros”.
O pedetista cita ainda que Aldir também foi grande cronista social do Rio de Janeiro, inclusive lançando livros. Compôs músicas como Bola com Bola, O Mestre-Sala dos Mares, Dois prá lá, dois prá cá; De frente pro crime, Kid Cavaquinho, Ronco da cuíca, Incompatibilidade de gênios, O bebâdo e o equilibrista. Foi cronista dos jornais O Pasquim, Bundas, O Globo e Jornal do Brasil.
O edil cita ainda que Aldir Blanc tem como grande música Querelas do Brasil, na qual afirma que o Brazil com z não conhece o Brasil com s. “É a supressão da cultura popular do País, propondo-se a elitização econômica que prega o liberalismo em toda a sua extensão; pensam em entregar nossa cultura, americanizá-la. E existe orquestração do governo federal para que a cultura e a educação sejam colocadas de lado, rejeitadas, atacadas. É a identidade do povo, jogada na lata do lixo. Por isso, também, é importante fazer essa homenagem a um dos grandes brasileiros”.