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Primeiro debate pelo governo da Bahia tem embates entre ACM Neto, Jerônimo e Ronaldo Mansur

Educação, saúde, segurança pública, obras e relação com o presidente Lula estiveram entre os principais temas do confronto promovido pela Band neste domingo (9)

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia nas eleições de 2026 foi marcado por críticas, provocações e confrontos diretos entre ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL). Promovido pela Band Bahia na noite deste domingo (9), o encontro colocou frente a frente os três postulantes ao Palácio de Ondina e teve entre os principais assuntos educação, saúde, segurança pública, obras de infraestrutura, meio ambiente e a relação dos candidatos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No primeiro bloco, quando os próprios candidatos puderam formular perguntas aos adversários, educação e saúde ganharam destaque. Jerônimo Rodrigues abriu a rodada questionando Ronaldo Mansur sobre suas propostas para a educação. O candidato do PSOL apontou a qualificação dos professores como uma de suas prioridades.

Na réplica, Jerônimo defendeu o fortalecimento dos municípios e direcionou críticas à administração municipal de Salvador, especialmente em relação à oferta de creches públicas.

O debate ganhou contornos mais políticos quando Mansur questionou ACM Neto sobre declarações relacionadas ao presidente Lula. Em resposta, o ex-prefeito de Salvador defendeu o nome de Ronaldo Caiado e recordou a eleição de 2022, quando o PSOL apoiou Jerônimo Rodrigues no segundo turno da disputa pelo governo estadual.

A educação voltou ao centro das discussões após referências ao desempenho da rede estadual. Neto aproveitou o momento para mencionar o “Provão Bahia”, apresentado como uma das propostas de sua campanha.

Saúde provoca primeiro confronto direto entre Neto e Jerônimo

O momento de maior enfrentamento no primeiro bloco ocorreu quando ACM Neto questionou Jerônimo sobre a fila da regulação, responsável por organizar o acesso de pacientes a consultas e procedimentos na rede pública.

Jerônimo respondeu direcionando a discussão para o histórico administrativo do grupo político de Neto e questionou quantos hospitais haviam sido construídos durante governos ligados ao chamado carlismo. O governador também destacou a entrega de 15 hospitais durante sua gestão.

Com isso, o primeiro bloco já antecipou uma das características que se tornariam ainda mais evidentes na sequência do programa: a disputa entre Neto e Jerônimo pela comparação entre diferentes períodos políticos da Bahia.

Segundo bloco eleva temperatura do debate

No segundo bloco, o tom subiu. Perguntas feitas por jornalistas e novos confrontos entre os candidatos levaram segurança pública, saúde, meio ambiente, infraestrutura e política nacional para o centro da discussão.

Na segurança, Jerônimo e Neto foram questionados sobre o tema, enquanto Mansur respondeu sobre a estrutura da Secretaria de Segurança Pública e sobre críticas historicamente feitas pelo PSOL à atuação policial. O candidato defendeu a valorização dos profissionais das forças de segurança.

Durante sua participação, Jerônimo criticou ACM Neto e citou o suposto uso de inteligência artificial na elaboração do plano de governo do adversário. Neto negou que seu programa tenha sido escrito com o auxílio da tecnologia.

Outro assunto que provocou divergências foi o Planserv, plano de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais. Questionado sobre uma eventual privatização, Neto afirmou que não pretende privatizar o serviço. O candidato, porém, declarou que recorreria à rede privada, caso necessário, para garantir atendimento a pacientes que aguardassem assistência.

Ronaldo Mansur contestou a resposta e afirmou que uma eventual gestão de Neto caminharia para a privatização do Planserv. O candidato do PSOL também retomou críticas às administrações ligadas historicamente ao grupo político do ex-prefeito.

Meio ambiente entra na pauta

Ronaldo Mansur também levou ao debate a situação da Serra da Chapadinha. O candidato perguntou a Jerônimo se assinaria um decreto para proteger a região.

O governador afirmou que a proposta está sendo analisada pela Procuradoria-Geral do Estado e assegurou que será criada uma unidade de conservação na área. Mansur aproveitou o tema ambiental para criticar também a gestão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).

Lula vira personagem frequente no confronto

Mesmo sem participar diretamente da disputa estadual, o presidente Lula apareceu repetidamente nas discussões.

Mansur questionou ACM Neto sobre a tentativa de aproximação com o presidente durante a campanha. Neto respondeu que pretende buscar aquilo que considerar melhor para a Bahia.

A discussão ganhou um tom mais duro quando Mansur atribuiu ao grupo político do ex-prefeito responsabilidade por mortes ocorridas durante a pandemia da Covid-19. Neto classificou a acusação como absurda e respondeu citando casos de baianos que morreram enquanto aguardavam atendimento na rede de saúde.

O ex-prefeito também direcionou críticas à administração estadual e afirmou que a população estaria perdendo a paciência com o governo Jerônimo.

BR-324 provoca confronto mais acirrado

O embate mais intenso dos dois primeiros blocos ocorreu na última rodada do segundo segmento, quando ACM Neto e Jerônimo Rodrigues discutiram problemas na BR-324.

Neto questionou o governador sobre uma cratera na rodovia e cobrou explicações a respeito de declarações anteriores sobre a situação do trecho. Jerônimo respondeu criticando a postura do adversário durante o debate e voltou a classificá-lo como “anti-Lula”.

O governador também afirmou ter sido alvo de tratamento desrespeitoso por ser indígena e negro.

Neto retomou a discussão sobre a BR-324, acusou Jerônimo de tentar se colocar como vítima e ampliou as críticas para a Ponte Salvador-Itaparica, cobrando avanços na execução do projeto.

Na tréplica, Jerônimo destacou a parceria do governo estadual com o presidente Lula e acusou Neto de adotar posições diferentes durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. O petista ainda citou projetos como o metrô e o VLT para defender as ações realizadas na área de infraestrutura.

Debate expõe estratégias para a campanha

Além das propostas apresentadas, os primeiros blocos do debate mostraram algumas das estratégias que devem marcar a campanha pelo governo baiano.

ACM Neto concentrou parte dos ataques em problemas enfrentados pela atual administração estadual, sobretudo nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura. Jerônimo Rodrigues buscou defender as realizações de seu governo, comparar sua gestão com administrações anteriores e enfatizar a parceria política e administrativa com Lula.

Ronaldo Mansur, por sua vez, procurou se colocar como uma alternativa aos dois principais adversários, direcionando críticas tanto ao atual governo quanto ao grupo político de ACM Neto e levando ao confronto temas como valorização dos profissionais, meio ambiente e serviços públicos.

O primeiro encontro televisionado da campanha, portanto, deixou evidente que a disputa pelo Palácio de Ondina deverá ser marcada não apenas pela apresentação de propostas, mas também pela comparação entre governos, pelo debate sobre a influência da política nacional na Bahia e por confrontos diretos sobre problemas históricos do estado.

Foto: Reprodução/Band Bahia 

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