Após apelo sobre dengue, primeira-dama é cobrada por crise na saúde de Salvador; “problemas graves”, afirma Ana Carolina

Presidente do PT questiona Rebeca Cardoso sobre maternidade com atendimento limitado, ausência de especialistas e falhas na limpeza urbana
A cobrança pública feita pela primeira-dama de Salvador, Rebeca Cardoso, ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) por “ação imediata” diante de casos graves de dengue hemorrágica em Uauá — com a afirmação de que “pessoas estão morrendo” — desencadeou reação da presidente do PT na capital, Ana Carolina, que contrapôs o discurso apontando falhas na própria rede municipal de saúde.
Ao rebater a manifestação, Ana Carolina afirmou que o enfrentamento da dengue não se restringe à regulação hospitalar, mas começa na prevenção — uma atribuição direta dos municípios.
“A dengue está ligada à água parada e ao acúmulo de lixo. Salvador, por exemplo, enfrenta problemas visíveis de coleta e infraestrutura em diversos bairros, o que favorece a proliferação do mosquito”, afirmou a petista, em crítica a gestão do prefeito Bruno Reis (UB), marido de Rebeca. “A primeira-dama deveria andar pela cidade, visitar os bairros e vivenciar o que a população sofre diariamente aqui. Isso ajudaria a cobrar soluções dentro da própria gestão”, acrescentou.
A dirigente também criticou o funcionamento da maternidade municipal inaugurada pela gestão do prefeito Bruno Reis em abril. Segundo ela, a unidade opera com cerca de um terço da capacidade e registra episódios de portas fechadas. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram mulheres em trabalho de parto relatando dificuldade de acesso ao atendimento.
“Enquanto cobra o governador, é preciso responder: qual a posição sobre mães sem atendimento na rede municipal? Vai cobrar solução ou ignorar o problema?”, questionou.
Além disso, Ana Carolina elencou problemas estruturais da saúde em Salvador, como a ausência de médicos especialistas nas unidades básicas e a falta de medicamentos. Para a presidente do PT, há um descompasso entre o discurso público da primeira-dama e a realidade enfrentada pela população.
“Se há disposição para cobrar nas redes sociais, também é preciso cobrar dentro da própria gestão. Salvador enfrenta problemas reais, na maternidade, nos postos, na limpeza urbana, na infraestrutura e na mobilidade. A lista é grande, e a primeira-dama precisa ter dimensão disso, andar pela cidade para cobrar seu marido. Seria mais coerente”, enfatizou.
