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INSS: A Verdade Que Insistem em Esconder — E Quem Vai Pagar Essa Conta?

Uma cena simbólica que retrata o peso da má gestão da Previdência sobre aposentados, cercada por dívidas, poder político e injustiça social.
Imagem criada por Inteligência Artificial.

Por Alderico Sena

À imprensa, à sociedade e o Estado Brasileiro,

Há perguntas que persistem no tempo — não porque sejam difíceis, mas porque não interessam a quem deveria respondê-las.

Onde está a conclusão da CPI do INSS?
Onde estão as respostas concretas?
E, sobretudo, onde está a responsabilização daqueles que mexeram no dinheiro dos aposentados e pensionistas?

Essas não são perguntas novas. São questionamentos que venho fazendo há anos. Em 26 de novembro de 2010, escrevi um artigo afirmando: “A Previdência Social não é deficitária.” À época, muitos preferiram ignorar. Hoje, os fatos insistem em confirmar: o problema nunca foi falta de recursos, mas sim má gestão e o uso político do dinheiro público.

É preciso revisitar decisões que marcaram essa história. Por que o então ministro Waldir Pires zerou a Previdência Social? Quem autorizou tal medida? E mais grave: quem foi responsabilizado por isso?

A pergunta que não quer calar permanece: onde foi parar o dinheiro da Previdência?

Recursos que deveriam garantir a segurança de milhões de brasileiros foram desviados de sua finalidade ao longo do tempo. Foram utilizados para viabilizar grandes obras e projetos nacionais — como a construção de Brasília, a Ponte Rio–Niterói e a Usina de Itaipu. Obras importantes, sem dúvida. Mas a que custo? E, principalmente, às custas de quem?

Ao mesmo tempo, acumulam-se dívidas bilionárias. Centenas de prefeituras devem ao INSS, e a cobrança efetiva dessas dívidas raramente ocorre com o rigor necessário. A conta se acumula — e, como sempre, ameaça recair sobre os ombros de quem contribuiu a vida inteira.

Os escândalos também não são novidade. O caso da advogada Jorgina de Freitas, símbolo de uma das maiores fraudes contra a Previdência, ainda ecoa como um lembrete incômodo. A pergunta é: esquecemos — ou fomos induzidos a esquecer?

Em outro momento, neste mesmo espaço, afirmei: “CPI do INSS é lero-lero.” Infelizmente, o tempo mostrou que a crítica não era exagerada. Investigações que deveriam esclarecer acabam, muitas vezes, diluídas em discursos e resultados inconclusivos.

E onde está a sociedade diante disso?

Onde estão os movimentos sociais? Onde estão aqueles que se apresentam como defensores do povo?

A reflexão do escritor Lima Barreto segue atual e perturbadora: “O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta por seus direitos, público só assiste de camarote.” A frase, ainda que dura, nos obriga a encarar uma realidade incômoda: a passividade diante de questões que afetam diretamente o futuro de todos nós.

Porque é disso que se trata.

Estamos falando de homens e mulheres que trabalharam durante toda a vida, que contribuíram para o desenvolvimento deste país e que, hoje, se veem obrigados a lutar para manter aquilo que já lhes pertence por direito.

Não se trata apenas de números, contas ou estatísticas. Trata-se de dignidade.

Nunca devemos esquecer: todos nós estamos caminhando para essa mesma condição. Todos nós carregamos dentro de nós o idoso de amanhã.

Ignorar isso não é apenas um erro político ou administrativo. É um erro moral.

A conta está aberta.
E alguém, inevitavelmente, vai pagar por ela.

A questão é: quem?

Nunca esqueça disso…

Todos nós…

carregamos dentro de nós…

o idoso de amanhã.

Alderico Sena
Ex-Diretor Regional de Pessoal do INAMPS/BA
Membro fundador da Associação dos Servidores Aposentados e Pensionistas da Previdência Federal da Bahia
Ex-Presidente e Vice Nacional do MAPI
Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos -@aldericosena – aldericosena.com

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