O Brasil precisa criar o SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura

Um novo segmento precisa ser criado e integrado ao Sistema S: o SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura. Essa instituição seria uma importante ferramenta de inclusão social para jovens talentosos, especialmente aqueles oriundos das periferias, que enfrentam grandes dificuldades sociais e financeiras para desenvolver seus talentos.
Basta observar a trajetória de inúmeros atletas brasileiros que participaram ou participam de Olimpíadas e Copas do Mundo. A grande maioria veio de famílias humildes e superou enormes obstáculos para alcançar o sucesso. O mesmo ocorre nas áreas da arte e da cultura.
O Brasil atravessa um momento em que carece de grandes líderes e ídolos que sirvam de referência para as novas gerações. Homens e mulheres que representaram o País com honra, dignidade e compromisso estão se despedindo, deixando um legado de orgulho, alegria, emoção e inspiração para milhões de brasileiros.
O que estamos formando após a extraordinária geração das décadas de 1970 e 1980?
O Brasil se despede de gigantes que marcaram nossa história, como Luiz Gonzaga, Garrincha, Pelé, Ayrton Senna, Oscar Schmidt, Getúlio Vargas, Tancredo Neves e tantos outros que ajudaram a construir a identidade nacional em diferentes áreas.
Carrego comigo uma frase de Ayrton Senna que procuro seguir diariamente:
“Eu ajudo a construir um Brasil melhor.”
E hoje?
Quem serão as grandes referências das futuras gerações?
Os talentos da chamada “velha guarda” estão partindo para o descanso eterno, enquanto a renovação ocorre de forma lenta e sem o apoio necessário.
Milhares de jovens brasileiros deixam de realizar seus sonhos simplesmente porque suas famílias não possuem condições financeiras para custear transporte, alimentação, equipamentos, materiais, mensalidades ou treinamento especializado.
Basta analisar a história de grandes talentos brasileiros que venceram graças ao enorme esforço de seus pais e familiares. Entre tantos exemplos estão Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Acelino “Popó” Freitas e Beatriz Souza, que demonstram como dedicação, oportunidade e investimento podem transformar vidas e levar o nome do Brasil ao mais alto nível.
O esporte, a arte e a cultura representam um patrimônio extraordinário para o desenvolvimento nacional. Além de promoverem inclusão social, contribuem significativamente para a geração de emprego, renda, turismo, cidadania e desenvolvimento humano.
Por essa razão, torna-se urgente a criação do SESPOC, integrando-o ao Sistema S, com a missão de investir na formação, qualificação e desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens talentosos em todo o território nacional.
Senhor Presidente da República
O último “S” criado no Brasil foi o SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, instituído pela Medida Provisória nº 1.715/1998 e regulamentado pelo Decreto nº 3.017/1999, durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.
O Sistema S é composto por entidades privadas de interesse público voltadas à formação profissional, assistência social, pesquisa, consultoria e desenvolvimento econômico. Seu nome deriva da letra “S”, presente na denominação dessas instituições.
Atualmente, o Sistema S é formado por nove entidades:
- SESI – Serviço Social da Indústria;
- SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;
- SESC – Serviço Social do Comércio;
- SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial;
- SEST – Serviço Social do Transporte;
- SENAT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte;
- SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural;
- SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas;
- SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo.
Essas entidades são mantidas, principalmente, por contribuições compulsórias recolhidas pelos respectivos setores econômicos.
Em 27 de outubro de 2022 publiquei, no portal Notícia Livre, o artigo propondo a criação do SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura. Posteriormente, em 7 de novembro de 2022, voltei a defender essa proposta no artigo “Por que é importante criar o SESPOC – Serviço Social do Esporte, Arte e Cultura”.
Hoje, renovo esse apelo.
A sociedade brasileira precisa conhecer essa proposta.
O Brasil possui cerca de 17,5 milhões de pessoas vivendo em favelas, onde existem milhares de talentos extraordinários na arte, na cultura e no esporte. Esses jovens necessitam de oportunidades, investimentos e apoio para transformar seus sonhos em realidade, afastando-se da violência, das drogas e da criminalidade.
Investir em talentos é investir na construção de um Brasil melhor.
Recordo um comentário de minha filha, Maiana Sena, bailarina, quando conversávamos sobre essa proposta:
“É triste, pai, ver tantos talentos da arte, do esporte e da cultura vivendo longe de suas famílias, em outros países, porque aqui não encontram apoio, valorização nem reconhecimento. Muitos não desejam voltar ao Brasil justamente por essa falta de incentivo.”
Essa reflexão reforça ainda mais a necessidade de políticas permanentes de incentivo aos nossos talentos.
Faço referência à Medida Provisória nº 1.715/1998 e ao Decreto nº 3.017/1999 porque esses atos normativos instituíram o SESCOOP, o mais recente integrante do Sistema S. O objetivo é oferecer um precedente legal que possa servir de consulta ao Senhor Presidente da República, aos Parlamentares e às respectivas assessorias, demonstrando que a criação de uma nova entidade nacional destinada ao esporte, à arte e à cultura encontra respaldo na experiência institucional brasileira.
Investir nesses segmentos não é gasto. É investir na educação, na cidadania, na inclusão social e no futuro do Brasil.
Criar o SESPOC significa investir no maior patrimônio do Brasil: o seu povo.
Alderico Sena – Membro Fundador e Ex-Superintendente do SESCOOP – Bahia
@aldericosena site: www.aldericosena.com
