Material aponta contrato firmado durante gestão municipal, investimento em fundo administrado pela Reag e pagamentos milionários a consultoria ligada ao candidato; citação em delação não significa, por si só, envolvimento em irregularidades.
O acordo de delação premiada firmado pelo fundador da Reag, João Carlos Mansur, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) trouxe novamente à discussão relações empresariais e financeiras envolvendo ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, o Banco Master e a Reag. Segundo as informações divulgadas, Neto teria sido citado em documentos apresentados pelo empresário. Entre os pontos mencionados estão um contrato da Prefeitura de Salvador com a Consiglog durante a gestão do ex-prefeito, investimentos realizados posteriormente por um fundo ligado a Neto e pagamentos recebidos por uma empresa de consultoria constituída por ele e pela esposa.
A primeira relação remonta ao período em que ACM Neto comandava Salvador. Sua gestão assinou aditivo ao Contrato nº 036/2019 com a Consiglog Tecnologia e Soluções, responsável pelo sistema de gerenciamento de consignações dos servidores municipais. Já depois de deixar a prefeitura, Neto criou o fundo Seattle 95, que teria investido R$ 4,8 milhões no Structure FIDC, administrado pela Reag e cuja carteira, segundo o material divulgado, possuía operações de crédito consignado originadas pelo Banco Master.
Outro ponto envolve a A&M Consultoria, constituída por ACM Neto e sua esposa depois das eleições de 2022. Conforme as informações apresentadas, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a empresa recebeu R$ 5,45 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2025. O material também afirma que Neto recebeu R$ 4,2 milhões em transferências realizadas pela própria consultoria. Também veio a público uma mensagem atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatando encontro com ACM Neto em 2024 e mencionando ter recebido “apoio total”, sem detalhar o significado da expressão ou o assunto discutido.
A existência de contratos, investimentos, pagamentos ou a citação de uma pessoa em uma delação premiada não comprovam, isoladamente, prática de crime ou irregularidade. O material apresentado não informa eventual imputação criminal contra ACM Neto nem detalha quais informações Mansur teria fornecido à PGR especificamente sobre o candidato. Também não apresenta, neste trecho, a versão de ACM Neto sobre os fatos. Para uma publicação jornalística equilibrada, é importante incluir o posicionamento do candidato e distinguir fatos documentados de alegações ainda submetidas à apuração das autoridades.
