Eu quero Taurino na Academia! A Bahia inteira quer!
Desculpem o tom aparentemente impositivo, mas não consigo calar a verdade absoluta de sua candidatura à Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Zuenir Ventura.
Falo de Taurino Araújo (1968-), de quem se diz que “já nasceu grande”, nascido no mesmo ano que não terminou…
Em 22 de janeiro de 2018, publiquei Taurino Araújo e a reinserção dos excluídos. Ali já me representava, magistralmente, o que permanece sendo o centro de sua obra: reinserir aqueles que tantas vezes aparecem apenas como objeto das decisões administrativas e judiciais. A chegada dos excluídos ao lugar nobre, ao centro das decisões.
Conheço também o Taurino da advocacia. Nossas trajetórias se cruzaram no universo jurídico baiano. Minha vida passa pelo magistério, pela OAB e pela missão na grandiosa Corte mais antiga das Américas, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, todo um legado que merece ser honrado à altura. Ruy, Orlando, Pontes de Miranda, Josaphat.
Guilherme Carvalho, ao escrever sobre o gigantesco Paulo Furtado, recuperou a tipologia de A. L. Machado Neto aplicada a Taurino por Rommel Robatto em Taurino Araújo: baiano de vanguarda, teoria universal.
É o gigante Taurino sobre quem escrevi e que continuou andando mundo afora com A Caturna, sempre um sol por onde passa, alegrando as alegrias e iluminando as nossas dificuldades pessoais e coletivas.
Poeta e pensador, Taurino Araújo gosta de gente, dá voz pela palavra falada e escrita, a todas as pessoas, contemplando-lhes as diferenças. É um imortal nato na esteira do legado de Zuenir.
Ademais, ao jurista renomado juntaram-se o poeta, o pensador, o crítico, o ensaísta, o artista visual e o construtor cultural, hoje mundialmente reconhecidos.
Em Taurino Araújo — O Mercado das Sete Portas temos poesia, pensamento, Direito e democracia, crítica, construção cultural, arte e convergência, segundo Mário Nelson, tudo em agregação.
Talvez eu tenha entrado pelas Sete Portas, oito anos antes.
Em 2018, interessava-me a reinserção dos excluídos. Hoje reencontro a mesma pergunta: como reconhecer a diferença sem expulsá-la da comunidade? Como incluir verdadeiramente as pessoas sem imortalizar Taurino Araújo? Taurino é um gênio. Todo mundo sabe.
Sim. Eu quero Taurino na Academia. Não como ordem. Como testemunho. E testemunho, quando é verdade absoluta, não pede licença para existir.
Sim. Quando a genialidade atravessa brilhantemente a multitrajetória pública a questão deixa de ser quantas atividades Taurino Araújo acumulou e passa a ser reverenciar totalmente quem lhes deu unidade, concedendo à sua obra a imortalização que merece entre vós — em Salvador, no Rio, alhures, em França, em todas as Academias.
Yuri Ubaldino Rocha Soares, advogado, professor, mestre, palestrante, procurador da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia.
E-mail: yuri.ubaldino@gmail.com
