Mais de 70% dos ciclos de Fertilização in Vitro na Bahia foram realizados por mulheres acima de 35 anos em 2025

A busca crescente por tratamentos de reprodução assistida para ter filhos reflete uma tendência da sociedade atual: mulheres cada vez mais adiam seu projeto de maternidade. Na Bahia, em 2025, foram realizados 1185 ciclos de Fertilização in Vitro, sendo 316 pacientes com menos de 35 anos e 869 com mais de 35 anos. Os números são do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), vinculado a ANVISA, e mostram que 73,64% dos ciclos na Bahia foram realizados por mulheres acima dos 35 anos. “A mulher moderna, geralmente, prioriza os estudos e a carreira profissional e decide engravidar, muitas vezes, em idade mais avançada, quando sua fertilidade já começou a declinar”, afirma o ginecologista Joaquim Lopes, da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil.
“No passado, mulheres costumavam ter filhos ainda muito jovens, por volta dos 20 anos, mas atualmente é comum terem seu primeiro filho após os 35 anos”, lembra Joaquim Lopes. A idade da mulher é, no entanto, um dos fatores naturais que comprometem a sua capacidade reprodutiva. Uma mulher nasce com um a dois milhões de óvulos (oócitos) e, ao contrário do homem que produz espermatozoides durante toda a vida, a mulher não produz novos óvulos e seu estoque vai diminuindo ao longo da vida até a menopausa. A partir dos 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos começam a cair de forma acelerada até a falência ovariana total. Justamente a partir dessa idade, quando a fertilidade entra em declínio, que muitas mulheres começam a pensar em ter seu primeiro filho. “Algumas mulheres com ciclo menstrual regular e boa condição de saúde reprodutiva consegue engravidar espontaneamente mesmo com mais 40 anos, no entanto, boa parte dos casos precisa recorrer a ajuda especializada”, esclarece Joaquim Lopes.
Além dos números locais, o Brasil lidera a Reprodução Assistida na América Latina, de acordo com REDLARA – Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA), instituição científica e educacional, que agrupa mais de 90% dos centros que realizam técnicas de reprodução assistida na região. Dos mais de 200 centros de medicina reprodutiva que integram a instituição, 70 ficam no Brasil.
No último ano (2025), foram realizados 62.951 ciclos de Fertilização in Vitro no país, de acordo com o SisEmbrio.
Gravidez após os 40 anos
Quando a gravidez não vem espontaneamente, é possível contar com as técnicas de reprodução assistida, especialmente a Fertilização in Vitro (FIV), para engravidar após os 40 anos. Segundo Joaquim Lopes, um dos primeiros passos é avaliar a reserva ovariana da mulher e sua condição geral de saúde.
O médico também destaca a possibilidade de congelamento de óvulos para a mulher que deseja adiar sua maternidade, seja por motivos profissionais ou pessoais. As técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de óvulos através do método de vitrificação, são eficazes e seguras. “O ideal é que o congelamento seja realizado até os 35 anos, embora após essa idade a paciente possa também recorrer a um aconselhamento reprodutivo para avaliar a possibilidade de preservação da fertilidade” recomenda.
Outra opção a ser considerada é o congelamento de embriões para futura implantação no útero. Nesse caso, é feito o procedimento de Fertilização in Vitro. Os óvulos coletados são fertilizados com o espermatozoide do parceiro ou sêmen de doador e os embriões obtidos são congelados para serem implantados no momento que a paciente decidir pela gravidez. A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista em medicina reprodutiva.
Quando buscar ajuda?
Uma mulher com menos de 30 anos e vida sexual ativa, que deseja ser mãe, pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez se ela já foi avaliada por um especialista e não apresenta nenhum problema que possa afetar sua fertilidade. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos de idade, se a mulher deseja engravidar, ela deve iniciar a investigação da sua capacidade fértil imediatamente. “A investigação do parceiro também é essencial para a avaliação precisa das causas da infertilidade e a indicação do tratamento adequado”, explica Joaquim Lopes.
