Reclamar Não Muda o Brasil

Não erramos quando damos muito de nós a alguém. Erramos quando esperamos reconhecimento de quem não soube valorizar a sinceridade que lhe oferecemos.
Essa reflexão nos leva a outra, sempre atual, atribuída a Rui Barbosa: “Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles.”
Infelizmente, muitos brasileiros reclamam dos problemas do país, pagam impostos e votam, mas poucos acompanham a atuação dos eleitos ou exercem plenamente a cidadania. O eleitor, muitas vezes, acaba sendo severo consigo mesmo: condena quem procura defender princípios e agir com independência, mas continua reelegendo políticos que fazem promessas durante a campanha e desaparecem após a eleição.
É fundamental distinguir política de politicagem. Nem todos os políticos são iguais. Generalizar apenas fortalece os maus exemplos e desestimula aqueles que desejam servir ao interesse público.
Fui candidato em três oportunidades, sempre com recursos próprios, para preservar minha independência e não me tornar refém de interesses políticos, considerando que Caráter Não Tem Preço. Em 1988, apresentei o slogan “Vote no Ser e Não no Ter”. Em 1990, candidato a deputado estadual, defendi “É Hora de Ação e Não de Omissão”. Em 2016, como candidato a vereador, utilizei o lema “Seja a Mudança! Aposentado vote em quem defende o aposentado. Jovens não votem nulo nem em branco, vote certo para ter esperança, voz e representação política na Câmara Municipal de Salvador.” Não fui eleito, mas preservei a dignidade da minha família, meus princípios e a liberdade para continuar defendendo propostas em favor da população e do desenvolvimento do Brasil.
A falta de educação e consciência política favorece a manipulação do eleitor. O país sente falta de disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira, que contribuíam para a formação cidadã.
Há uma frase que merece reflexão: “Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.”
Diariamente assistimos aos noticiários mostrando corrupção, violência, impunidade, aumento do custo de vida e da carga tributária. Enquanto isso, grande parte da sociedade limita-se a assistir aos acontecimentos sem participar ativamente das mudanças necessárias.
Esclareço que atualmente não sou filiado à partido político. Militei no PDT, fui Presidente do Movimento dos Aposentados e Vice-Presidente da Executiva Municipal de Salvador, sempre defendendo a educação em tempo integral, bandeira de líderes como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Abdias Nascimento.
Desde 1985 escrevo artigos buscando despertar a consciência política da sociedade. Tenho convicção de que a educação continua sendo o principal instrumento de transformação social. Infelizmente, muitos brasileiros ainda não cultivam o hábito da leitura nem utilizam plenamente a maior ferramenta democrática que possuem: o voto.
Costumo dizer: “Quem não lê, mal ouve; mal vê; mal fala e acaba sendo manipulado. A LEI-TURA é a lei que realiza sonhos e ajuda a resolver muitos problemas.”
Estamos formando gerações que, muitas vezes, crescem sem referências sólidas de princípios, ética e valores. Se nada mudar, as consequências serão suportadas pelos nossos filhos e netos.
Ao longo dos anos publiquei artigos com títulos como: Educação Forma Cidadão; Caráter Não Tem Preço; Humano ser desumano; A sociedade está cruel com ela mesma; Ética nas instituições; Política e Politicagem; Como melhorar o Congresso; Líderes Já Não Existem; Como atrair jovens para política; Cadê o Hospital Para Idosos; Os Males do Brasil; Ajude o Brasil; A Sociedade é Culpada; De Quem é a Culpa?; CPI do Eleitor é o Voto Consciente; Pesquise a História do Candidato Antes de Votar; Dê Valor ao Seu Voto; Qual o Brasil que Queremos? e Seja a Mudança.
Mudar exige esforço. Permanecer como estamos também tem um custo. Cabe à sociedade escolher qual caminho seguir.
Mais importante do que reclamar é votar com responsabilidade. A cidadania prevista no artigo 1º da Constituição Federal e a igualdade perante a lei, assegurada pelo artigo 5º, somente ganham sentido quando cada cidadão assume sua parcela de responsabilidade.
A transformação da política começa com a escolha de representantes preparados, éticos, comprometidos com o interesse público e com o respeito às leis. A ignorância política custa caro, porque é na esfera pública que são tomadas as decisões que influenciam diretamente a vida de toda a população.
O Brasil precisa de um novo rumo. Esse caminho começa pela consciência política e pelo voto responsável. Dê valor ao seu voto e a você, eleitor.
Pense nisso.
Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas -site: aldericosena.com – Instagram: @aldericosena
