Governador atribuiu falta de transporte público no segundo turno das eleições à manobra do prefeito e do candidato derrotado
Em entrevista ao Metrópoles, o governador Jerônimo Rodrigues responsabilizou o prefeito Bruno Reis e o ex-prefeito ACM Neto pela falta de transporte público em Salvador no dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições. O governador classificou o episódio como um desrespeito à população e afirmou que a retirada de ônibus prejudicou o direito de milhares de eleitores de exercerem o voto. “Salvador não vai esquecer mais nunca o dia 25 de outubro, por conta do desprezo que o prefeito Bruno Reis e o ex-prefeito, derrotaram nas eleições agora ACM Neto, fizeram, retiraram o transporte. Isso é o que está posto, porque o TRE determinou a prisão do secretário de Mobilidade Urbana. Então, se o TRE fez isso, deve ter uma causa de motivação estabelecida. A multa aos empresários, que naquele dia, cada atraso de ônibus, ao não sair da garagem, multa de R$ 1 milhão por hora”.
Jerônimo também chamou atenção para a coincidência entre a reforma anunciada para a Estação da Lapa, principal ponto de integração do transporte público da capital, e a proximidade da data da votação. Segundo ele, a intervenção poderia provocar grandes transtornos justamente nos dias 24 e 25 de outubro. “Estava muito bem desenhado. Na semana anterior às eleições, o prefeito Bruno Reis determinou que haveria a reforma da Estação da Lapa. A Estação da Lapa em Salvador é o coração da mobilidade. Todas as grandes linhas ou nascem ou encerram na estação da Lato. Seria um grande transtorno, se uma reforma fosse acontecer no dia 24 e 25 de outubro, é muita coincidência, e conseguiu-se derrubar essa reforma”.
O governador relatou ainda que, diante da redução da frota, chegou a oferecer policiais militares habilitados para conduzir ônibus e ajudar a garantir a circulação dos veículos. A iniciativa, no entanto, foi interrompida após a determinação da Justiça. Jerônimo também mencionou denúncias de sindicatos e rodoviários sobre a concessão de folgas aos motoristas nos dias da votação, o que teria comprometido a disponibilidade de profissionais para operar o sistema.
“Segundo, o acumulado de tentativa. As próprias empresas, isso é o que o sindicato disse, os sindicatos e os rodoviários alegam que foi dada folga para os motoristas, naquele dia, nos dois dias. Então a gente sabia que não ia ter motorista suficiente para rodar. Quando eu senti aquela situação por volta de 10, 11 horas, eu estava fazendo as visita às rádios, dando as entrevistas e agradecendo a cobertura. Eu ofereci ao TRE ou a Justiça, policiais militares com carteira B, para ir até as garagens e retirar os ônibus e fazer rodar. E naquele momento, estava muito claro para mim que não era voto para o Lula, era pelo eleitor. Ali poderia ter gente de Bolsonaro e gente de Lula. E a determinação da justiça me fez frear porque eles já estavam cuidando, tiveram diversas provas de que os ônibus estavam com poucos adesivos na garagem até mesmo se me requisitasse, se eu poderia botar algum servidor do estado pra poder ir lá, em questão de meia hora, uma hora tiraria aqueles adesivos que existiam, mas muito poucos”.
Apesar dos problemas registrados em Salvador e em outros municípios, Jerônimo destacou que a Bahia apresentou o menor índice de abstenção eleitoral do Brasil, com redução de aproximadamente 3,2%. Para o governador, o resultado poderia ter sido ainda melhor se não houvesse ocorrido a restrição no transporte público. Ele também apontou situações semelhantes em Santo Amaro, Feira de Santana e Tremedal, municípios administrados por prefeitos do mesmo partido de Bruno Reis e ACM Neto. “E nesse sentido, mesmo assim, mesmo o prefeito da cidade de Salvador não querendo que a votação acontecesse, a Bahia teve menor índice de abstenção do Brasil, uma redução de cerca 3,2%. Nossa abstenção seria ainda menor se não tivesse acontecido. O que aconteceu lá aconteceu no município de Santo Amaro, em Feira de Santana, Tremendal. Então são municípios de prefeitos do mesmo partido de Bruno Reis e do ex-prefeito derrotado. E Salvador não vai esquecer”.
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