Do prazer à punição: sexo depois das 22h pode custar R$ 237

No município de São José, na Grande Florianópolis (SC), um condomínio decidiu inovar nas regras da boa vizinhança e acabou protagonizando uma novela digna de horário nobre. O motivo? A criação de um decreto tão curioso quanto inusitado: a proibição de relações sexuais após as 22h.
A decisão não nasceu do nada. Foram 18 reclamações formais de moradores incomodados com gemidos dignos de filme dramático, móveis arrastados em coreografias pouco ortodoxas e diálogos em tom elevado que ultrapassavam as paredes. O episódio, inevitavelmente, ganhou as redes sociais com o apelido sugestivo de “toque de recolher do amor”.
Segundo o regulamento, quem for flagrado violando o código erótico-condominial recebe uma advertência por escrito. Na reincidência, a coisa esquenta ainda mais: multa de R$ 237. A administração chegou a cogitar — pasmem — tocar áudios em assembleia para provar os incômodos. Resultado? Mais polêmica do que novela mexicana.
Empolgados com a disciplina afetiva, os gestores já estudam instalar sensores de ruído nos corredores e até lançar campanhas educativas do tipo: “Ame com moderação, respeite o vizinho em repouso”.
O detalhe é que a medida não tem validade legal. Especialistas lembram que o síndico cuida das áreas comuns, mas da porta para dentro a vida privada não pode ser monitorada. Como explicou a síndica profissional Joice Honório, “barulho por lei é proibido após as 22h, mas isso não significa que o amor precise ser colocado em modo silencioso”.
E assim, entre gemidos, multas e hashtags, o condomínio de São José entrou para o rol das histórias brasileiras que provam: a criatividade dos vizinhos não tem hora marcada — mas, se depender da nova regra, o amor agora tem.
Foto: Ilustração
