HUMANO, SER DESUMANO: A INVERSÃO DE VALORES PREDOMINA!

Até os anos 1980, a educação familiar ensinava, de maneira mais presente, a ser solidário e a respeitar o próximo. Aprendíamos também que, para vencer na vida, era necessário estudar, ser perseverante, profissional, ousado, comprometido e responsável.
No mundo moderno, se você quer conhecer um verdadeiro amigo, deixe de atender aos seus interesses. É nesse momento que, muitas vezes, descobrimos quem realmente está ao nosso lado.
A partir dos anos 1990, entretanto, mudanças profundas no comportamento social contribuíram para a disseminação da ideia de que “tudo pode”, independentemente das consequências. A postura deseducada, desrespeitosa, individualista, antiética, antiprofissional, despolitizada e descomprometida tornou-se um dos fatores que alimentam a ambição desmedida, a busca pelo poder e pelo capital, a corrupção, a violência e a péssima prestação de serviços à sociedade no setor público.
Quando uma geração deixa de respeitar o próximo, o professor e o meio ambiente, é necessário que sociedade, família e governo revejam suas responsabilidades, inclusive aquelas previstas no artigo 225 da Constituição Federal, que estabelece o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações.
Muitas pessoas afirmam que “o ser humano está difícil” e que “ninguém mais confia em ninguém”. Mas precisamos fazer uma pergunta: o que cada ser humano está fazendo, diariamente, para transformar seu próprio comportamento? Afinal, quem cria e também pode transformar a realidade é o próprio ser humano.
A juventude é frequentemente criticada e rotulada como “geração Z”. Mas essa geração é filha de qual geração? Antes de apontar o dedo para os jovens, precisamos refletir sobre os exemplos que lhes foram transmitidos pela família, pela escola, pela sociedade e pelas instituições.
O mau-caratismo, a falta de ética e o desprezo pelo profissionalismo alcançaram famílias, sociedade e os Três Poderes, onde autoridades, em alguns casos, deixam-se envolver por ambição, poder e capital. A cidadania perde a confiança nos Poderes diante da má conduta de autoridades no exercício de suas atribuições institucionais.
O homem precisa SER, para TER, exercendo profissionalmente três pilares fundamentais: caráter, competência e compromisso com as causas que assume.
A sociedade está cruel consigo mesma. Vivemos intranquilos, assustados e com medo de ir e vir diante do elevado grau de violência, principalmente contra a mulher, a criança, o idoso e também no trânsito.
Enquanto isso, gastamos mais energia com reclamações, julgamentos, mentiras, fake news, inverdades e hipocrisias do que na defesa de maiores investimentos em educação, capacitação profissional, valorização dos professores, saúde e segurança. São essas ferramentas que podem contribuir para uma sociedade mais justa, segura e preparada para construir a paz e o bem-estar dos brasileiros.
Preservar a natureza é preservar a vida. E nem mesmo a natureza vem sendo respeitada e preservada diante da ambição humana.
A natureza é sábia, abundante e paciente. Mas a paciência tem limites, enquanto a ambição do homem, muitas vezes, parece não ter. Nesse confronto, o ser humano destrói, polui, ocupa e transforma, enquanto a natureza reage às agressões que sofre. Preservar o meio ambiente não é um favor à natureza: é uma necessidade para a sobrevivência e a qualidade de vida das próprias gerações presentes e futuras.
Na vida, educação e honestidade têm valor. A honestidade é uma virtude, mas também exige coragem e compromisso. Para muitos, é mais fácil mentir, omitir ou concordar para não desagradar do que dizer a verdade e defender aquilo que consideram correto.
Mas, afinal, o que é honestidade?
Honestidade é agir de acordo com princípios morais, reconhecer a verdade, assumir responsabilidades e construir relações baseadas na confiança. Ser honesto também significa reconhecer os próprios erros, pedir desculpas quando necessário e aceitar as consequências das próprias ações.
A honestidade gera confiança, e a confiança é uma das bases de qualquer relacionamento humano. Para ser confiável, é preciso, antes de tudo, ser honesto consigo mesmo.
O mundo está cheio de pessoas de mau-caráter, desonestas e hipócritas, mesmo quando afirmam ser absolutamente honestas. Essa contradição exige autorreflexão, autoconsciência e coragem para olhar para dentro de si e reconhecer que o comportamento de cada indivíduo também contribui para a sociedade que temos.
O cidadão digno, que valoriza a moral, a ética e os bons princípios, precisa esforçar-se para permanecer honesto. A honestidade é uma virtude das grandes almas. Nem todos conseguem praticá-la integralmente, porque dizer a verdade e defender o que é correto muitas vezes exige coragem.
É mais fácil mudar o discurso conforme a conveniência e agir em benefício próprio do que defender aquilo que é justo. Esses comportamentos contribuem para a degradação humana, o retrocesso socioeconômico, a corrupção e a violência.
Por isso, o eleitor brasileiro precisa valorizar a educação como investimento para o futuro e, nas eleições de 4 de outubro de 2026, pesquisar a conduta e analisar as propostas dos candidatos antes de votar. O voto consciente exige responsabilidade, informação e reflexão.
Sem educação, caráter e responsabilidade cidadã, não há verdadeiro desenvolvimento para o Brasil.
Dê valor ao seu voto e a você, eleitor. Pense em um Brasil melhor para as futuras gerações.
Acredito que somente a educação forma cidadãos, o caráter constrói nações e a cidadania fortalece a democracia.
Pense nisso e faça a sua parte!
Alderico Sena
Especialista em Gestão de Pessoas e ex-Assessor do IAT – Instituto Anísio Teixeira
www.aldericosena.com
