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Julho Amarelo alerta para diagnóstico precoce das hepatites virais

Doenças silenciosas podem evoluir para cirrose e câncer de fígado, mas testagem, vacina e tratamento reduzem riscos

As hepatites virais, tema da campanha Julho Amarelo, seguem como um desafio de saúde pública por avançarem, muitas vezes, de forma silenciosa. Dados do Ministério da Saúde, publicados no Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, apontam que o Brasil registrou 826.292 casos confirmados entre 2000 e 2024. As hepatites C e B concentram a maior parte dos registros: 342.328 e 302.351 casos, respectivamente. No mesmo período, foram identificados 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D.

Além do diagnóstico, a adesão ao tratamento preocupa. Segundo o Ministério da Saúde, dados consolidados de 2024 indicam que 115,3 mil pessoas foram indicadas para tratamento contra a hepatite B no Brasil; 58,8 mil iniciaram o acompanhamento e 14,8 mil interromperam o tratamento. Para especialistas, esse abandono aumenta o risco de evolução para cirrose, câncer de fígado e outras complicações graves.

O risco maior está nas formas crônicas, principalmente das hepatites B e C, que podem causar cirrose, câncer de fígado e morte quando não são diagnosticadas e acompanhadas adequadamente. No mesmo período, o Ministério da Saúde registrou 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D. A hepatite C respondeu por 75,3% dessas mortes, enquanto a hepatite B representou 22%. 

Para a hepatologista Nayana Vaz, do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o silêncio da doença é um dos principais obstáculos ao diagnóstico. “A pessoa pode conviver anos com hepatite B ou C sem saber. Quando aparecem sintomas, muitas vezes o fígado já apresenta sinais de comprometimento. Por isso, o teste deve ser entendido como parte do cuidado preventivo, especialmente em quem nunca foi testado ou teve alguma situação de risco”, alerta.

Teste salva – O diagnóstico é simples e pode ser feito por testes rápidos ou exames laboratoriais. No caso da hepatite C, o teste inicial identifica anticorpos contra o vírus; se houver resultado positivo, é necessário confirmar a infecção ativa com exame específico. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 80% das pessoas com hepatite C não apresentam sintomas, o que reforça a importância da testagem mesmo em quem se sente bem.

Quando surgem, os sintomas podem incluir cansaço, febre, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados. “Diagnóstico precoce não é apenas descobrir uma doença. É impedir que ela chegue à cirrose, ao câncer de fígado ou à necessidade de transplante. Hoje temos ferramentas eficazes para acompanhar e tratar esses pacientes, mas elas só funcionam se a infecção for identificada”, explica Nayana Vaz.

O alerta é global. A Organização Mundial da Saúde estima que as hepatites virais causem 1,3 milhão de mortes por ano no mundo, com 3,5 mil óbitos por dia associados principalmente às hepatites B e C. A OMS também aponta que 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica por hepatite viral. 

Tratamento avança – A hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos tratados com antivirais de ação direta, geralmente por 12 ou 24 semanas, conforme o Ministério da Saúde. O tratamento é ofertado pelo SUS e pode evitar a progressão da doença para formas graves. 

Já a hepatite B não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento busca reduzir o risco de cirrose, câncer hepático e morte. “É importante diferenciar: hepatite C pode ser curada; hepatite B pode ser controlada. Nos dois casos, abandonar o acompanhamento é um erro. Mesmo quem se sente bem precisa seguir a avaliação médica, porque o fígado pode sofrer lesões progressivas sem dar sinais imediatos”, destaca a hepatologista do HMDS.

Prevenção protege – A prevenção passa por vacinação, sexo seguro, testagem e cuidados com objetos perfurocortantes. As hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais sem preservativo e compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas, escovas de dente, alicates de unha ou materiais de tatuagem e piercing sem esterilização adequada. 

A vacina contra a hepatite B está disponível no SUS e também protege contra a hepatite D, que só ocorre em pessoas infectadas pelo vírus B. Para a hepatite C, ainda não existe vacina. Por isso, a testagem é indicada para quem nunca fez o exame, teve relação sexual sem preservativo, compartilhou objetos perfurocortantes, recebeu transfusão, tem alteração em exames do fígado ou pertence a grupos com maior risco de exposição.

Para Nayana Vaz, o Julho Amarelo traz uma mensagem prática. “Quem testa, trata; quem trata, evita complicações. As hepatites virais não podem ser lembradas apenas quando já causaram dano ao fígado. O melhor momento para agir é antes dos sintomas”, afirma.

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