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O BRASIL AFUNDA… E A SOCIEDADE FINGE NÃO SER RESPONSÁVEL

A crise do Brasil não é só política — é moral, social e do próprio povo.

O Brasil vive uma crise de princípios e valores do ser humano, educacional, comportamental, moral, social e política. 

Dignidade é um valor de formação moral e espiritual inerente à pessoa, ou seja, todo ser humano deveria ser dotado desse conceito. Alguns princípios como moral, ética, caráter e honestidade são fundamentais para a convivência fraterna em qualquer nível social.

A sociedade é culpada. Reclama da ineficácia do governo, mas esquece que foi ela própria quem colocou os políticos no poder. O voto é individual e secreto — e, portanto, a responsabilidade também é do eleitor, considerando que o destino do país e as condições de vida da população dependem das decisões do governo.

O Brasil é um país de riquezas naturais e geográficas extraordinárias, mas carente de políticos comprometidos com o interesse público e com a Constituição.

Entre os principais fatores que impedem o crescimento do país estão: a politicagem, a corrupção, a burocracia, a ausência de projetos estruturantes e a incompetência política.

Cabe ao povo refletir: as indicações para Ministro do STF, Presidentes de Tribunais Regionais e Tribunais de Contas da União, Estados e Municípios devem continuar sendo feitas pelo Presidente e Governadores? Ou deveriam ser escolhidas por critérios técnicos, ou até por eleição direta entre servidores?

Essas instituições são técnicas — não políticas — assim como o Ministério Público e o Banco Central. Essa imoralidade, aliada à reeleição em cargos da administração pública e em entidades parafiscais, precisa ser enfrentada pela sociedade.

Diante de tantas distorções, defendo a revisão da Constituição com ampla participação da sociedade civil organizada, para corrigir, disciplinar e moralizar os mecanismos de fiscalização, controle e acompanhamento do dinheiro público, garantindo total autonomia aos órgãos fiscalizadores.

A chamada “Constituição Cidadã” consolidou a redemocratização do Brasil, instituiu o Estado Democrático de Direito e garantiu direitos fundamentais, sociais, individuais, liberdade de expressão e a dignidade da pessoa humana. No entanto, a Constituição e as leis não estão sendo devidamente respeitadas pelos próprios Poderes que têm o dever de fazê-las cumprir.

O Art. 37 da Constituição Federal é claro:
“A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”

Além disso, temos instrumentos legais como:

  • A Lei nº 4.320/1964, que estabelece normas gerais de Direito Financeiro;
  • O Decreto-Lei nº 200/1967, que organiza a Administração Federal;
  • A Lei de Licitações nº 14.133/2021;
  • A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000).

Mesmo com esse arcabouço legal, o país convive há décadas com sucessivos escândalos de corrupção — enquanto o povo assiste, muitas vezes, de forma passiva.

Os recursos desviados poderiam ter sido investidos em:
escolas, creches com alimentação adequada, transporte, bibliotecas, universidades, hospitais, rodovias de qualidade, sistema penitenciário digno e um salário mínimo mais justo.

Quando a “Lei Maior” não é respeitada — especialmente o Art. 37 — surgem distorções como os chamados “penduricalhos” e outros abusos.

Vejamos alguns exemplos históricos:

  • 1992: o impeachment do presidente Fernando Collor, envolvido em corrupção e tráfico de influência;
  • Anões do Orçamento: fraude envolvendo parlamentares e recursos públicos;
  • Compra de votos para aprovação da reeleição;
  • Mensalão: esquema de pagamentos a parlamentares;
  • Lava Jato: gigantesco esquema de corrupção envolvendo a Petrobras;
  • Escândalos no Ministério da Educação;
  • Casos envolvendo fundos partidários, emendas parlamentares e diversas irregularidades nos estados e municípios.

O sistema é tão distorcido que Presidentes, Governadores e Prefeitos muitas vezes não conseguem governar com autonomia, sendo submetidos a pressões e barganhas políticas para aprovar projetos de interesse público.

Exemplo disso foi a necessidade de garantir repasses expressivos de emendas parlamentares como condição para governabilidade.

Casos como o da fraude no INSS envolvendo Jorgina, o escândalo do Juiz Lalau, entre tantos outros, mostram que o problema é estrutural e recorrente.

Ao observar países como a China, percebe-se que seu crescimento econômico está ligado a educação, planejamento estratégico, investimentos em infraestrutura, mão de obra qualificada e foco no desenvolvimento.

Como já alertava Bertolt Brecht:
“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe que o custo de vida, o peço do feijão, da farinha do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.”

A escassez de líderes, os poderes constituídos fragilizados e a falta de investimentos na educação são os principais fatores que contribuíram para a banalização dos valores morais.

Quem não gosta de política será governado por quem gosta.

Precisamos refletir e agir. É urgente pensar em um Brasil melhor para todos.

A mudança começa na consciência e na responsabilidade de cada cidadão.

Alderico Sena – Especialista em Gestão de Pessoas – @aldericosena – site: aldericosena.com

Foto: Imagem criada por IA. 

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