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Sobre complicações graves em cirurgias oftalmológicas envolvendo pacientes idosos em Salvador

Diante das informações amplamente divulgadas acerca de complicações graves ocorridas após procedimentos de catarata realizados na clínica Clivan, em Salvador, que resultaram na retirada do globo ocular de cinco pacientes idosos e no relato de problemas severos por outros 38 pacientes, manifesto profunda preocupação e solidariedade às vítimas e seus familiares.

O episódio exige apuração técnica rigorosa, transparência institucional e responsabilização objetiva, nos termos da legislação vigente.

Ressalte-se que a Constituição Federal, em seu artigo 230, estabelece de forma inequívoca que:

“A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua dignidade, bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.”

Trata-se de comando constitucional de observância obrigatória.

Desde 2011, venho protocolando formalmente junto ao Governo Federal, ao Governo do Estado da Bahia e à Prefeitura de Salvador propostas para a criação de um hospital específico para a pessoa idosa, com estrutura adequada, especialização técnica e protocolos próprios de atendimento.

Constam registros formais encaminhados à Presidência da República, ao Gabinete do Governador do Estado da Bahia e à Casa Civil do Município de Salvador, além de repercussão na imprensa, incluindo os jornais Tribuna da Bahia, A Tarde e Notícia Livre.

A ausência de implementação de políticas estruturantes voltadas à saúde da população idosa revela vulnerabilidade sistêmica que precisa ser enfrentada com prioridade administrativa.

Diante da gravidade dos fatos, defendo:

  1. Abertura imediata de investigação técnica independente;
  2. Publicização dos laudos e relatórios conclusivos;
  3. Apuração de responsabilidades administrativas, civis e, se for o caso, penais;
  4. Revisão dos protocolos de credenciamento, fiscalização e acompanhamento de procedimentos oftalmológicos realizados pelo sistema público ou conveniado;
  5. Inclusão prioritária na agenda governamental da criação de unidade hospitalar especializada para atendimento à pessoa idosa.

O envelhecimento populacional brasileiro é realidade demográfica consolidada. A ausência de estrutura especializada não é apenas lacuna administrativa — é risco social concreto.

Reitero meu compromisso histórico com a defesa dos aposentados, pensionistas e idosos da Bahia e do Brasil, colocando-me à disposição das autoridades competentes e da imprensa para contribuir com documentos e registros protocolados ao longo dos últimos anos.

A proteção à pessoa idosa não é concessão. É dever constitucional.

Salvador, 04 de março de 2026.

Alderico Sena
Ex-Presidente do MAPI – Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Bahia e Vice-Presidente Nacional – @aldericosena

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